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Quarta-feira, Dezembro 1, 2021

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“Uma bofetada sem mão”, por Helena Pinto

Uma jovem torrejana imaginou e executou um projecto sobre ambiente cujo foco é o rio Almonda. Um projecto muito simples e envolvendo poucos meios. Foi apresentado no passado fim-de-semana e a sua primeira acção prática de limpeza do rio ocorreu no Domingo, nas margens do rio dentro da cidade de Torres Novas.

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O lixo recolhido é colocado num cubo de arame, situado na praça 5 de Outubro, como forma de sensibilizar para o grave problema do lixo nos rios, que de uma forma ou de outra vai parar ao oceano.

A apresentação do projecto contou com a presença do Presidente da Câmara e Vereador do Ambiente e a autarquia apoiou com diversos materiais. Até aqui, parece tudo bem.

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Mas não está tudo bem e os responsáveis autárquicos têm que retirar lições deste exemplo. Um grupo de cidadãos e cidadãs, em poucas horas, mostraram a brutal falha da autarquia. Como é possível ignorar que foi feita uma interpelação directa a quem dirige a autarquia? Eu, vereadora sem pelouro me confesso, foi isso que senti, apesar das muitas propostas que já apresentei sobre o rio. Fui interpelada e respondo de forma positiva a quem, de forma tão simples mas tão profunda, nos interpelou.

Um rio é um activo de enorme importância para qualquer cidade – fonte de vida, de equilíbrio ambiental, proporciona qualidade de vida. As cidades que têm um rio têm à partida um valor acrescentado e um potencial de desenvolvimento. As populações gostam do rio, lutaram e lutam por um rio despoluído, querem proximidade, querem chegar às suas margens. O rio Almonda que tanta riqueza já gerou – basta pensar nas fábricas que utilizaram e ainda utilizam a sua água para produzirem – tem sido abandonado. No seu percurso dentro da cidade há locais onde está escondido, outros em que está sujo, as suas margens guardam quase tudo e mesmo o inimaginável – carpetes, pneus, cadeiras, …

Que justificação pode existir para a ausência de limpeza do rio? Para o “deixa andar” que se verifica ao longo dos anos? Na minha opinião trata-se de inércia, falta de respeito por este recurso natural e falta de visão para a cidade.

Orçamento atrás de orçamento, não se vê a coragem política de assumir uma decisão: o rio está primeiro!

O cubo no meio da praça 5 de Outubro é um alerta, uma chamada de atenção, mas é também uma bofetada sem mão a quem tem a obrigação de tratar do rio e nada faz, ou então faz de conta que faz, devagar, muito devagarinho.

Os rios são uma prioridade no nosso tempo e em alguns aspectos, como todos e todas sabemos, já vamos demasiado tarde, por isso não há que ter medo, o poucochinho não resolve, o rio precisa de um plano de intervenção que deve ser continuada.

O projecto vai continuar até Janeiro com mais limpezas do rio. Saúdo a cidadania.

E os autarcas? Vão aplaudir e fazer de conta que não percebem e que não é nada com eles/elas?

Conheça o projecto aqui: https://www.facebook.com/Tudo-o-que-vem-%C3%A0-rede-%C3%A9-pl%C3%A1stico-399686657343797/

Helena Pinto, vive na Meia Via, concelho de Torres Novas. Nasceu em 1959 e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda, de 2005 a 2015. Foi vereadora na Câmara de Torres Novas entre 2013 e 2021. Integrou a Comissão Independente para a Descentralização (2018-2019) criada pela Lei 58/2018 e nomeada pelo Presidente da Assembleia da República. Fundadora e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da associação Feministas em Movimento.
Escreve no mediotejo.net às quartas-feiras.

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