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“Uma análise sobre as presidenciais e o plano da vacinação”, por Hugo Costa

Aproveito este espaço para me debruçar sobre dois temas que marcaram a atualidade do país nos últimos 15 dias e que são as eleições presidenciais e o plano de vacinação em marcha.

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Relativamente às Presidenciais importa, obviamente, em primeiro lugar saudar o vencedor (com mais de 60% dos votos), o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, que venceu em todos os concelhos do país. Outra nota digna de registo é que a candidatura da extrema direita ficou em terceiro lugar, mesmo que pela quantidade de notícias e comentários veiculados nas redes sociais pareça ter vencido as eleições. Assim não foi. 88 % dos eleitores votaram em candidatos do arco constitucional e é essa a verdade que deve ser sublinhada, reforçando que as duas candidaturas moderadas ficaram em primeiro e segundo lugar.

Outra nota que quero destacar destas eleições é o inequívoco mau resultado da candidatura do Bloco de Esquerda, demonstrativo do erro desta candidatura autónoma e acredito, simultaneamente, do voto contra no Orçamento do Estado. O resultado interessante da candidatura liberal demonstra, no entanto – mesmo estando em desacordo com quase tudo o que defende – que existe espaço político, no eixo democrático, para uma nova direita liberal. Preocupante.

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Em relação aos resultados da extrema direita, penso que os devemos estudar para os compreender. Defendo que o eleitor tem sempre razão nas suas opções. Há sempre uma leitura que pode ser feita a cada ato eleitoral e este não é exceção. O país tem de olhar para as desigualdades no interior do país, tem de as combater e impedir o crescimento de assimetrias. Da mesma forma deve garantir que nas zonas suburbanas essa igualdade seja sentida.

O discurso da igualdade de oportunidades não é para quem sai de casa às 6 da manhã e apanha vários transportes públicos para entrar na grande cidade pelas 8h00, ou por aqueles que continuam a não ver o interior com investimentos e as oportunidades necessárias para a fixação de população. Um país onde, por exemplo, falamos e bem de digitalização, mas vasta zona do país não tem rede. O interior necessita de mais rede, transportes e de um real investimento público para que seja gerado mais emprego, permitindo a fixação das camadas mais jovens. O interior tem que ser suficientemente atrativo para quem está a começar uma família. No entanto, a visão da coesão está presente neste Governo e essa é a chave para combater esta realidade de assimetrias.

Em relação ao plano de vacinação, o país atravessa o momento mais grave da pandemia e esta tensão também se reflete num maior escrutínio das políticas públicas. Considero que o escrutínio público faz parte da democracia e, por isso, é sempre positivo. Nesse sentido, as vacinas podem, no contexto da teoria económica, ser um clássico problema de escassez, mas os poderes públicos devem garantir medidas em  que os mais básicos mecanismos de egoísmo não sejam uma realidade. Este problema não é só nacional, basta fazermos uma simples pesquisa para compreendermos a dimensão que o mesmo tem em toda a Europa.

Não obstante, o plano de vacinação definido pelas autoridades de saúde tem de ser cumprido. Qualquer cidadão que, no decurso das suas funções, aproveite a situação para contornar a ordem de prioridade e se fazer passar a ele, família ou amigos à frente deve ser severamente punido, fruto da imoralidade da opção tomada. 99,99% das situações regulares que se verificam no plano de vacinação não podem ser contaminadas por 0.01% que decidiu contornar o sistema. É obvio que cada caso é um caso e todas as situações devem ser analisadas, porque muitas vezes podem existir factos que o justifiquem e que não sejam de conhecimento público. Contudo, qualquer opção deve ter como base uma decisão dos decisores de saúde pública.

Os números não mentem. A tragédia da pandemia covid-19 já chegou a milhares de famílias que perderam os seus familiares, para não mencionar os doentes que depois da doença continuam a sofrer sequelas.

Num momento em que a sociedade está em sofrimento, o estado não pode permitir estes atropelos. Os poderes públicos devem ser implacáveis e, se necessário, alterar o quadro legislativo.

Só a vacinação de cerca de 70% da comunidade pode garantir a superação da doença. Ainda é longo o caminho a percorrer que espero que seja concretizado até ao fim do Verão.

Tenho esperança e confiança na resposta nas autoridades de saúde. Só nesse quadro conseguimos superar e sair deste contexto que ainda tanto nos aflige.  É necessária dar a todos uma perceção de segurança, mesmo que muitas vezes as estatísticas digam o contrário. A todos, desejo saúde e força para enfrentarem as dificuldades da pandemia.

Deputado na Assembleia da República e membro das Comissões de Economia, Inovação e Obras Públicas e Habitação, é também membro da Comissão de Orçamento e Finanças. Diz adorar o Ribatejo e o nosso país. Defende uma política de proximidade junto dos cidadãos. Tem 36 anos, é de Tomar e licenciou-se em Economia pelo ISEG. É membro da Assembleia Municipal de Tomar e da Assembleia da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Tem como temas de interesse a economia, a energia, os transportes, o ambiente e os fundos comunitários.

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