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Sábado, Janeiro 22, 2022
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“Um vazio no coração”, por Vasco Damas

A maioridade atingida pelos dezoito anos de uma dor suprema provocada pela revolta e originada por um vazio a que nunca nos conseguimos habituar, tendo a consciência que esse vazio nunca mais voltará a ser preenchido. E para aqueles que acham que o tempo tudo cura, informo que o vazio tem aumentado e a aceitação tem diminuído no decorrer da passagem dos dias que se têm transformado em semanas, meses e anos.

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Na época da família, é cruel perder o pai no dia 23 e sepultá-lo no dia 24, crueldade que acaba por ser um dos dois paradoxos da tua morte. Alguém que gostava tanto do Natal e que adorava crianças, morrer às portas do Natal sem ter sentido a felicidade de ter sido avô.

A tua partida precoce e fulminante acabou inevitavelmente por levar para sempre muito do nosso Natal e se as tuas netas maravilhosas, entretanto nos devolveram algum Natal, sem a tua presença nunca mais houve o mesmo Natal.

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“Porque a dor é grande e a perda irreversível, resta-nos as memórias dos momentos que vivemos contigo”. Ninguém morre verdadeiramente enquanto existirem essas memórias, e se a presença física deixou de nos acompanhar, a tua “omnipresença” continua a fazer-se sentir nos pequenos pormenores.

É nesses pequenos pormenores que hoje percebo com nitidez, a dimensão humana que tinhas. A tua educação era distintiva, o teu humor era refinado, a tua inteligência era ímpar e essas qualidades, permitiam-te gerir prioridades e estabelecer consensos, colocando, permanentemente, a fasquia da elevação nos detalhes mais ínfimos.

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Vale a pena viver para tocar o coração dos outros. Foi contigo que aprendi a verdadeira dimensão deste sentimento nobre. Não sei se tinhas consciência dessa nobreza, da nobreza do teu trato, ou se o fazias de forma natural. Sei que o sentia e tenho vindo a perceber que o fazias sentir a todos os que tiveram o privilégio de se relacionarem contigo. Naqueles tempos, pensava que essa tua nobreza fosse normal. Hoje sei que era uma exceção, e é também por causa disso, que fico com a certeza que eras um ser humano excecional.

Sinto falta das nossas conversas. Neste Natal voltaríamos inevitavelmente a ter as nossas discussões académicas mergulhadas em análises profundas que, no fundo, não eram mais do que a nossa forma competitiva de comunicar e de mostrarmos permanentemente o quanto gostávamos um do outro.

Por tudo o que foste, deixaste uma herança demasiado pesada, mas apesar dessa responsabilidade, é um tremendo orgulho saber que sou teu filho.

Recordo-te com saudade. Aquela saudade própria que nos é deixada pelas pessoas especiais. Mas é também essa saudade que te faz continuar a “viver” em mim, e em todos quantos se recordam de ti.

E apesar de tudo, a dor dessa saudade não deixa de ser um privilégio. O privilégio de te ter tido como pai.

É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.

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