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“Um tipo porreiro”, por Vasco Damas

O que fazemos em vida, ecoa por toda a eternidade. Sempre gostei desta frase e ela ganhou ainda mais sentido no último domingo. A comoção generalizada, as dezenas de partilhas e as centenas de reações e de comentários provam que, quando partimos, deixamos ficar o legado daquilo que fomos construindo em vida.

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A nossa imagem, a nossa essência, reduzida à recordação mais forte e ao traço dominante e, em dia de lágrimas, tudo acaba por se resumir na síntese de um sorriso aberto, honesto e generoso.

Todo este sentimento é amplificado pelo tempo e pela distância que, em teoria, deviam amortecer o choque. Mas o tempo e a distância não amorteceram nada. E é isso que prova a qualidade de quem partiu.

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Os bons são assim. Partem sem avisar e deixam saudades pelas memórias que construíram através da coerência da sua essência.

A minha geração nasceu antes da existência das redes sociais virtuais, daquelas que aproximam quem está longe mas que afastam aqueles que estão perto. Naqueles tempos, as nossas redes sociais eram reais, em direto, ao vivo e  a cores, e as distâncias eram medidas por ruas ou bairros.

Apesar de não sermos vizinhos, tínhamos amigos em comum e, por diversas vezes, frequentámos ao mesmo tempo, as mesmas redes sociais daquela época. As memórias dessa época regressam, cristalinas e em cascata. A culpa é do Miguel e do seu sorriso generoso e, fica agora claro para mim, o impacto que estas pessoas têm na nossa vida.

As voltas da vida afastaram-no do convívio pessoal, mas a marca do Miguel permaneceu de forma indelével na vida da maioria das pessoas com quem se relacionou. Percebi-o através do tsunami de reações que a sua partida provocou, mas percebi-o com mais intensidade na tristeza que senti quando fui atropelado pela notícia.

O Miguel era um tipo porreiro. Talvez isto seja demasiado redutor para explicar quem era o Miguel. Mas é isto que sinto. Um tipo porreiro que me deixou triste quando tive conhecimento da sua partida. Um tipo porreiro que deixou a sua marca de forma natural, sem ser invasivo e sem que eu me tivesse apercebido. Um tipo porreiro que contagiava os outros com a sua genuinidade e com a sua alegria de viver.

Todas estas memórias se alinharam de forma natural e sem qualquer esforço. E isso fez-me ter saudades. Do passado, do Miguel e das coisas boas que foram vividas.

Eras de facto um tipo porreiro, Miguel e o que fizeste em vida, ecoará por toda a eternidade. Pelo menos, na eternidade desta geração.

É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.

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