“Um olhar distante, mas preocupado”, por Rui Calado

Foto: DR

Foi com enorme interesse e alguma sobranceria que o Mundo acompanhou a forma como a China, ao longo de quase 2 meses, se empenhou na luta contra um vírus que foi capaz de desafiar e desestruturar essa enorme potência. Nos últimos dias de Fevereiro foi recebido como um sinal de alívio e de esperança, a notícia de que a situação estava finalmente controlada. Ainda que começassem a soar campainhas de alarme dado que a epidemia tinha atingido um número significativo de outros países, nomeadamente a Coreia, Itália e Irão. A enorme distância entre eles fazia temer que a epidemia tinha capacidade para se espalhar rapidamente e atingir qualquer região do planeta. O que, como todos sabemos, se veio a verificar. Estava instalada uma pandemia.

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Hoje, ao olhar os números disponíveis senti uma enorme preocupação com a evolução da situação, dado que o número de novos casos confirmados de infecção por Coronavírus nos inúmeros países atingidos pela doença já é quatro (4) vezes superior ao número máximo verificado na China (dia 3 de Fevereiro), sendo que o número de mortos foi cinco (5) vezes superior ao seu valor máximo (15 de Fevereiro).

Estamos apenas em meados de Março e em pouco mais de 2 semanas o caos instalou-se, pelo que se não pararmos para pensar e agir depois, a nossa vida colectiva vai ficar profundamente afectada, durante demasiado tempo.

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Neste momento, qualquer contributo positivo para quem se encontra em locais de risco elevado, deve ser conciso, objectivo, se possível baseado na evidência que só a análise da informação já disponível nos pode proporcionar. É preciso procurar experiências de sucesso, identificar os factores que as influenciaram favoravelmente, aprender com essas realidades e acreditar na sua possível replicação na nossa comunidade. Decidi não vos falar sobre Macau, onde resido desde há 2 anos, por considerar que aqui, o sucesso obtido no combate à epidemia ocorreu na sua fase de contenção. O mesmo não aconteceu na Coreia do Sul, onde se verificaram assinaláveis sucessos na fase de mitigação da epidemia, como a que se verifica neste momento em Portugal.

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A Coreia, país de 50 milhões de habitantes, um sistema político semelhante ao português, começou a apresentar um elevado número de casos a 20 de Fevereiro, 1 mês depois da doença se ter manifestado em Wuhan. A sua curva epidemiológica revela que foi travado um combate muito eficaz, que necessitou de apenas 3 semanas para proporcionar a resolução do problema. Sim, em apenas 3 semanas. Após esse período, com as devidas cautelas, a vida começa agora a regressar à normalidade.

A experiência e observação a partir de Macau permite identificar como principais factores determinantes para esse sucesso a intervenção decidida, forte, convicta dos responsáveis, o respeito e aceitação pelas

populações das recomendações com origem nos serviços de saúde pública e em especial o rigoroso cumprimento, por TODAS as pessoas, das indicações que lhes foram transmitidas pelas Autoridades de Saúde.

O cumprimento das nossas obrigações de cidadania, o aumento dos nossos níveis de exigência junto de companheiros, filhos, familiares, vizinhos, conterrâneos para que cumpram com rigor o que lhes é solicitado, poderá ser suficiente para vencer o vírus, em tempo útil. Vamos acreditar. O tempo necessário à resolução deste enorme problema vai depender do maior ou menor rigor no cumprimento das citadas recomendações, por mim, por si, por TODOS.

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