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Sexta-feira, Julho 23, 2021

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Trincanela

“Um nu é um nu e um copo de vinho também…”, por Nelson de Carvalho

Uma das primeiras coisas que assinala a presença do que se veio a chamar “homem” é a arte.

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E não há comunidades humanas sem artistas e sem produção artística.

Depois construímos a história da arte e nesse história a representação das pessoas, dos homens e das mulheres, está sempre presente.

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E o corpo, do homem e da mulher, tornou-se objeto de representação desde há que séculos …

Houve interditos, tabus, códigos, véus e coisas a cobrir a e … mas o corpo conseguiu sempre ir vencendo e podemos fazer a história da representação do corpo através dos séculos.

E sempre a luta pela liberdade de representar, de quebrar regras, técnicas, códigos, modelos tornados estereótipos …

A História da Europa construíu-se assim, os gregos, os romanos, os renascentistas, … até hoje.

Faz parte do nosso modo de vida.

O vinho também. Inventado pelo Noé, diz quem sabe, nunca mais abandonou as nossas mesas e deixou de alimentar os nossos corpos e as nossas almas: faz parte do nosso modo de vida, como a arte e outras coisas.

E depois temos outra coisa que também faz parte de nós. A liberdade de gostar ou não gostar de arte ou de vinho, desta arte e não daquela, de vinho branco ou tinto, alentejano, do Douro ou Bordeaux ou isso …

Gostas? Vês, procuras, bebes … Não gostas, não vês, nao bebes, não usas …

Parece simples. Parecia.

O Primeiro Ministro italiano mandou cobrir com pesadas burkas em forma de caixote indiferentes mas belas estátuas para não serem vistas por um senhor que acha que nus não têm o direito de existir e ser vistos.

Já o francês Hollande entendeu que à boa maneira francesa o vinho faz parte da festa e deve marcar presença e quem quer usa, quem não quer, passa.

A diplomacia e a opinião dos sábios e dos simples cidadãos entrou em ebulição. Duas marcas da cultura e do modo de vida europeu em contradição.

O Papa pelos vistos pode circular livremente pelos corredores do Vaticano e dos museus de Roma e outros sem caixas a censurar os nus e até posso imaginá-lo tranquilamente a contemplar a Eva bebericando gostosamente um belo tinto de copo na mão …

E agora?

Ou imitamos os italianos e passamos o velho lápis da censura e mandamos construir caixas à medida para sempre que for necessário tapar qualquer vestígio de nus ofensivos e provavelmente de modo preventivo primeiro e depois definitivo acabamos com os tais alentejanos ou durienses  ou sejam quais forem porque há uns senhores que nos visitam e podem ficar ofendidos e um dia também achamos que mulheres na rua podem ser ofensivas se não andarem bem cobertas e tapadas e isso pode prejudicar o turismo e a reputação do país junto aos mercados …

Ou imitamos os franceses e achamos que o vinho é nosso  e nos inspiramos em Cristo que até bebia e gostava e recomendava bebei à minha memória e até faz aquele milagre quando faltou e o Leonardo não escondeu o consumo na última ceia e o Modigliani dizia que era uma bebida nobre e que devia ser bebido de pé …

Eu gosto de nus.

Eu bebo à memória de Cristo.

E sou admirador do Modigliani.

 

Ex-presidente da Câmara Municipal de Abrantes e ex-presidente da Assembleia Municipal de Abrantes, é o atual presidente da direção do Centro de Recuperação e Integração de Abrantes (CRIA).
Escreve no mediotejo.net às sextas-feiras

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