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Segunda-feira, Janeiro 24, 2022
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“Um Natal com Paz, Saúde… e Luz”, por Patrícia Fonseca

Assim está Belém na véspera de Natal: cheia de luz, vazia de gente. Poucos locais no mundo podem simbolizar de forma tão clara aquilo que mais necessitamos nas nossas vidas: paz e saúde. Este é mais um Natal que este território palestiniano passa sob o domínio de Israel, e também o segundo ano em que um vírus “coroado”, vindo de longe, volta a estragar a festa dos cristãos – como um 4º rei mago que insiste em entregar o seu presente envenenado.

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Hoje olhei para esta fotografia da minha amiga Maria Gianniti, correspondente da rádio e televisão italiana em Jerusalém, e parei por uns instantes a pensar no simbolismo do que, mesmo para quem não é crente, importa celebrar no Natal: a luz.

A luz que surgiu nos céus a indicar um caminho, a luz da esperança que renasceu no coração dos homens com a promessa de haver alguém (um filho de Deus), que chegava para nos salvar de todos os males.

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A luz que rompe as trevas e anuncia um novo dia, esse “amanhã” que comporta todas as possibilidades.

A luz, como símbolo de tudo o que de bom há em nós, e que devemos alimentar, partilhar, multiplicar.

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A luz, tantas vezes ténue, periclitante, que são os momentos de felicidade que partilhamos com aqueles que amamos, e que podemos perder num sopro. Aqueles que, tantas vezes, dizemos serem “a luz” das nossas vidas.

Hoje penso também naqueles que não têm vontade de celebrar o Natal, porque dói muito enfrentar os lugares que ficaram vazios à mesa.

A todos estendo o meu abraço, acreditando que, como escreveu o cardeal (e poeta) José Tolentino Mendonça, “entre a noite e o dia (…), entre a palavra e o silêncio que buscamos, uma estrela nos guiará”.

Que a Tua estrela nos encontre disponíveis
para a viagem
mesmo sem que percebamos tudo.

Que o seu brilho nos torne pacientes
com as coisas não resolvidas do nosso coração
e nos ajude a amar as difíceis questões
que por vezes a noite, por vezes o dia
segredam pelo tempo fora.

Que a Tua estrela nos faça reconhecer
que nunca é tarde
para que se tornem de novo ágeis e sonhadores
os nossos passos cansados

pois nós próprios nos tornamos em estrelas
quando arriscamos perpetuar
a Tua luz multiplicada.

Um Natal com muita luz, é o que vos desejo.

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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