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Quarta-feira, Agosto 4, 2021

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“Um momento (muito) infeliz horas depois de ser eleito”, por Hália Santos

É uma daquelas coisas que toda a gente diz, mas que tem mesmo que ser reafirmada: em Democracia, os resultados das eleições é que contam. Certo. Mas isso não significa que, havendo novos ocupantes dos mais altos cargos da Nação, nos sintamos todos confortáveis com quem nos representa. A ideia de que o Presidente da República é o Presidente de todas as portuguesas e de todos os portugueses não passará de uma utopia.

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Espera-se que os represente de igual forma, que vigie o andamento do país em benefício de todos, mas as orientações políticas e sociais estarão sempre na génese das decisões dos Presidentes (como bem se comprova com o veto de Cavaco Silva à adoção por parte de casais do mesmo género).

Se fizermos o exercício teórico de deixar as orientações políticas à parte, importa refletir sobre as orientações sociais. Ver o próximo Presidente da República a ignorar a realidade dos cidadãos deficientes e a desrespeitar as mais elementares regras de condução em segurança incomoda. E deve incomodar quem nele não votou, mas também quem nele votou. Porque, em vez de pretender sobrepor-se ao Governo, um Presidente da República deve ter uma conduta exemplar a todos os níveis. Espera-se que tome decisões ponderadas e equilibradas, olhando para uma determinada situação sob diferentes pontos de vista. Nunca olhando para o que quer que seja a partir da sua perspetiva única e pessoal. Esta forma de fazer o que bem  apetece e de dizer o que bem se entende será, necessariamente, um péssimo exemplo.

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Como explicar a uma criança que o senhor professor, reconhecidamente inteligente, titular de uma carreira preenchida, capaz de movimentar massas, estratega da opinião pública é, também, alguém que não cuida de ser um cidadão exemplar? Mais do que reunir um conjunto de admiradores por aquilo que dizemos e pela forma como o dizemos, uma personalidade notável deve ser seguida por aquilo que faz. A não ser que Marcelo Rebelo de Sousa seja adepto do enviesado provérbio “Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço”.

O Presidente da República eleito fez um percurso estudado, pensado ao pormenor, para chegar a esta altura com os objetivos alcançados. Os meios terão justificado os fins.

A ambição maior de ser Chefe de Estado foi efetivamente conquistada por um único homem. Tire-se-lhe o chapéu por isso. Um homem que teve esta capacidade de gizar e concretizar um plano único de ascensão, usando todas as suas capacidades e todos os meios ao seu alcance, não pode ser criticado por isso.

Conseguiu o que dificilmente outro português conseguiria. Mas isso não o protege de todas as críticas porque o cargo que ambicionou é o que é. Bastaria ser cidadão responsável para não fazer o que fez ao estacionar num lugar reservado a deficientes vindo a conduzir sem cinto de segurança e a falar ao telemóvel. Recorde-se que estamos a falar do ex-comentador que um dia criticou a sua companheira de ascensão mediática, Judite de Sousa, por ter tido um dia infeliz quando entrevistou o jovem Lorenzo Lamas.

Mal ele imaginava que teria o seu momento (muito) infeliz horas depois de ser eleito para Chefe de Estado. Exige-se que não venha a ter mais destes momentos e que assuma, terminada a festa, a pose, a atitude e a conduta exemplar inerentes ao cargo que vai ocupar.

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

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