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Sexta-feira, Outubro 22, 2021

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“Um Governo desorientado desorienta um país”, por Duarte Marques

Portugal perdeu o controlo da pandemia e a 3ª vaga trouxe o caos a Portugal. Os primeiros dias do ano têm cerca de 10 mil infetados e mais de 100 mortos por dia devido ao Covid19.  O Governo perdeu claramente o pé após um conjunto de decisões e sinais contraditórios que deram um péssimo exemplo à população.

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É verdade que cada um de nós tem a sua responsabilidade no cumprimento das recomendações, na utilização de máscara ou no distanciamento social. Mas os sinais contraditórios, as exceções, os números de propaganda cheios de gente, jornalistas, fotógrafos e membros do Governo e da Administração Pública em cada momento são claramente maus exemplos quando se pede aos portugueses que respeitem o distanciamento social.

Os erros do Governo são recorrentes nesta matéria. A fragilidade política da maioria parlamentar tem permitido um conjunto de exceções que os portugueses não percebem e o melhor exemplo disso são as festas do Avante, o Congresso ou os Comícios do PCP. Se estes exemplos são apenas maus exemplos cujas consequências todos desconhecemos, já as exceções e o aligeirar das restrições no Natal têm tido resultados catastróficos.

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O problema da comunicação política utilizada na pandemia tem sempre consequência e o que o Governo tem feito contribuiu, na minha opinião, para o relaxamento e para o excesso de confiança das pessoas. Foi a operação vacina, foi a operação salvar o Natal e mais um conjunto de iniciativas que levaram a desfocar a preocupação dos portugueses relativamente ao COVID19. O resultado está à vista de todos e as lideranças políticas do país têm as suas responsabilidades. E neste capítulo assumo que o Primeiro-Ministro não ficou sozinho na decisão, teve o respaldo da maioria dos líderes partidários.

Em devido tempo escrevi que os portugueses, mais do que preocupados em salvar o Natal, queriam era livrar-se desta pandemia o mais rápido possível, mesmo que isso nos custasse não festejar o natal como habitualmente. Suspender o confinamento deu um sinal errado às pessoas.

As medidas que ontem conhecemos são duras, mas muitas delas necessárias e algumas absurdas.

Um dado que devo salientar é o facto de as escolas continuarem a funcionar pois o risco de doença e complicações graves para os mais jovens é manifestamente baixo perante as consequências pedagógicas do seu encerramento para uma geração. Mas quanto às escolas não podemos ignorar o facto de o Governo ter falhado redondamente na criação de condições para o acesso de todos os alunos a meios tecnológicos. Feliz ou infelizmente, as escolas vão ficar abertas porque se fechassem os alunos com mais dificuldades não teriam possibilidades de assistir às aulas porque o Governo não fez mais uma vez o trabalho de casa pois dos 400 mil computadores prometidos nem 100 mil estão entregues.

Outro facto que não posso ignorar e de lamentar é o atraso, mais uma vez, no planeamento desta 3ª fase e em particular a coordenação entre o SNS e os sectores sociais e privados da saúde. É nesse preconceito ideológico que há responsabilidades políticas do Governo nas mortes de muitas pessoas que viram as suas consultas e cirurgias adiadas. Como disse o candidato Tino de Rãs “eu prefiro ser tratado no SNS, mas se não houver essa possibilidade eu quero é ser tratado”. Infelizmente muita gente não tem possibilidades de fazer esta opção.

O mal está feito, agora resta-nos confinar mais uma vez para tentar reduzir os danos de uma política que falhou. As medidas que ontem ficámos a conhecer são também demasiado contraditórias e noutros casos injustas. Há pequenos negócios e comércios cuja taxa de risco é bastante baixa, que atendem um cliente de cada vez e que são obrigados a encerrar. Falo das pequenas lojas cujos proprietários são praticamente os seus únicos funcionários e que sem essa receita ficam com a sua vida em suspenso. É preciso mais bom senso e menos gestão política.

Duarte Marques, 39 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros.
Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. É ainda membro da Assembleia Municipal de Mação.
Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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