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Trincanela

Domingo, Julho 25, 2021

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“Um adversário desigual só se vence com várias armas”, por Hália Santos

Há umas décadas dizia-se que era “uma coisa má”. Morria-se com “uma coisa má” que o comum mortal não sabia bem o que era. Quando atingia figuras públicas, as notícias diziam que “morreu vítima de doença prolongada”. A palavra foi surgindo a medo, como se pronunciá-la significasse atraí-la. Cancro.

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Cancro é a doença que mata 70 pessoas por dia em Portugal. É a principal causa de morte antes dos 65 anos. Cancro é a doença que nos próximos tempos ameaça atingir metade da população, mais do que atinge atualmente. Estes são os dados que nos são dados hoje através dos Média, neste Dia Mundial de Luta Contra o Cancro.

Perante um adversário que é desigual, que tem uma força que os Homens ainda não conseguiram aniquilar, a batalha só poderá ser vencida com uma conjugação de armas, ao nível da prevenção, da investigação, do tratamento e do acompanhamento.

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Sendo difícil garantir que o Cancro possa ser uma doença hereditária e que possa também resultar de hábitos de vida, é certo que muitos médicos e muitos investigadores apontam para estas possíveis causas. Por alguma razão será, por muitas exceções que existam para confirmar esta eventual regra.

Então, não só por esta doença, mas tudo o resto, importa mudar aquilo que podemos mudar, deixando que a sorte fique apenas do lado da herança genética. Optar por ter uma vida mais saudável, ao nível da alimentação e do exercício físico só depende de cada um… Não há políticas nem leis que o consigam fazer. E também já nem será o caso de se dizer que falta informação, porque ela está por todo o lado. Esse trabalho de divulgação tem vindo a ser feito, como tem vindo a ser feito outro trabalho fantástico de apoio aos doentes, pelas mãos e corações da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

As políticas podem e devem atuar noutras frentes. Nos últimos anos, desinvestiu-se em investigação, como se de um luxo estivéssemos a falar. As condições dadas à maioria dos laboratórios e investigadores chegam a ser vergonhosas. Boa parte dos financiamentos são alcançados pelos próprios investigadores e muitas dessas verbas são obtidas no estrangeiro. O que prova que somos muito bons nesta área. Só não sabemos é aproveitar.

Havendo mais prevenção e mais investigação, as coisas podem mudar. Porque se evita o que se puder evitar e porque se combate de forma mais eficaz e mais atempada quando o Cancro surge. Claro que os meios de diagnóstico precoce também são um elemento determinante nesta equação. E aqui, por muita informação que haja, é fundamental continuar a alertar para a importância de cada um vigiar o seu próprio corpo. Como também é importante que os meios de tratamento estejam ao alcance de todos.

Finalmente, os profissionais. Numa era em que tanto se fala de afetos, o Cancro, pelo impacto que causa, é daquelas doenças que precisa de um enquadramento especial. Cada pessoa reage de forma diferente. As famílias têm as suas próprias formas de lidar com o Cancro. Mas todas precisam de profissionais que saibam não só dos procedimentos médicos, mas que também tenham outras competências que não se ensinam na faculdade. Não precisam de chorar com os doentes (até porque é humanamente impossível pedir-lhes que se envolvam emocionalmente). Basta que saibam o que dizer e como dizer. Como em tudo na vida, uma má notícia, mal transmitida, tem efeitos imprevisíveis.

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

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