Quarta-feira, Março 3, 2021
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“Ukiyo-e”, por Massimo Esposito

Ukiyo-e ? Uki… o quê? Pois, é uma palavra incomum, e também entre quem se interessa pela arte pouco as conhecem. Mas vamos falar um pouco dela. Ukiyo-e, que em Japonês quer dizer “imagens do mundo flutuante”, é um tipo de estampa ou técnica de reprodução tipo xilogravura, nascida no século XVII.

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Temos de entender que nesta altura o império Japonês era muito avançado em técnicas e tinha um certo grau de liberdade de expressão, por esta razão alguns artistas, como Hishikawa Moronobu e depois Hozumi Harunobu, desenvolveram a possibilidade de reproduzir em muitas cópias, com um grau elevado de qualidade, os desenhos que a maioria das pessoas não podia obter.

Assim nasceram as “imagens do mundo triste”, como também se podem traduzir as Ukiyo-e, que nada mais representavam: retratos de actores do Kabuky, lutadores de Sumo, actividades e cenas da área do entretenimento, vida urbana, paisagens e as vezes visões surrealistas ou de crítica social.

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No início os artistas usavam tintas de goma-laca provenientes da Índia, mas depois desenvolveram a técnica de impressão policromática Nishiki-ê (imagem furada, em japonês), dando o aspecto definitivo do Ukiyo-e, de cores vivas, delineadas e marcantes.

Mas como todos sabem, as coisas não ficam guardadas num período de tempo ou limite geográfico e, quando o Japão começou a ter contactos com o Ocidente, a fotografia influenciou a queda no uso das imagens Ukiyo-e, mas também elas próprias foram um elemento essencial na viragem de estilo da Academia Francesa e no nascimento dos impressionistas. E é curioso saber que estas imagens, no início, chegaram à Europa não como obras de arte ou estampas de valor mas como… papel de embrulho de encomendas de outros objectos, como vasos ou pratos de porcelana.

Van Gogh, Monet e outros artistas da segunda metade do séc. XIX ficaram impressionados pela pureza do desenho, a simplicidade das cores e como os orientais viam o mesmo mundo que eles viam mas com outro olhar, e começaram a famosa revolução impressionista que tanto ajudou a arte a “refrescar” as ideias já calejadas há tempo.

Mas não só, estas imagens Ukiyo-e também foram apreciadas pelos artistas da Pop-art dos anos 60 do séc. XX e os desenhadores de banda desenhada Japonesa, o que demonstra claramente que nada se inventa na arte mas sim se desenvolve. Um factor importantíssimo é… a cultura! Temos sempre de aprender, de conhecer, de aprofundar para poder entender e criar. A ignorância mata, a mente como a vontade.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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