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Quinta-feira, Julho 29, 2021

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Turismo Rural: Empresários queixam-se de falta de comunicação e pouca divulgação do território

Numa reunião informal que juntou o Turismo do Centro e a Secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, discutiu-se esta terça-feira, 21 de junho, em Torres Novas, quais os problemas que enfrenta o Turismo em Espaço Rural, nomeadamente o apoiado pela ADIRN- Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Norte. A visita do Papa a Fátima promete casa cheia a vários hoteleiros torrejanos, mas apenas a 12 e 13 de maio. Excesso de burocracia, falta de promoção da região além de Fátima e falhas de comunicação com as entidades do Turismo foram algumas das queixas mencionadas.

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A visita de Ana Mendes Godinho a Torres Novas começou com a inauguração do Hotel Aires da Serra, freguesia de São Pedro, pequeno estabelecimento de turismo rural, com 11 quartos, construído em dois anos sem recurso a créditos ou fundos comunitários, explicou orgulhosamente o proprietário, João Lopes. Inaugurado há cerca de um mês, João Lopes foi o empresário que destacou a falta de ligação entre as entidades que licenciam os empreendimentos, o que torna problemático e cansativo conseguir abrir um negócio. Propôs assim uma plataforma eletrónica onde se possam inserir os projetos, consultada por meio de palavras chave pelas entidades a quem competem os licenciamentos.

João Lopes também destacou que muitos dos turistas que vão a Lisboa têm dificuldades em visitar outras partes do país, pelo que propôs que se criassem protocolos com a CP ou a Rodoviária para trazer turistas ao interior do país. Outros dos presentes na plateia da Alcaidaria do Castelo de Torres Novas comentaram que o site do Turismo do Centro é muito pesado e tem informação confusa, além de que os folhetos promocionais nos Postos de Turismo são insuficientes. Falhas na comunicação com as entidades de Turismo ou discursos já datados e sem nenhuma concretização ao longo dos anos foram outros dos reparos aos dirigentes.

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Ana Mendes Godinho apelou à participação dos empresários, com dúvidas que possam ajudar a simplificar e resolver problemas. Adiantou estar a trabalhar com a CP exatamente num projeto para trazer turistas ao interior, mas informou que já existe um passe próprio para visitantes, embora desconhecido da maioria. “Os produtos existem, mas não há integração”.

Secretária de Estado do Turismo discute com João Lopes, proprietário do Hotel Aires da Serra, sobre o excesso de burocracia no licenciamento de empreendimentos hoteleiros. foto mediotejo.net
Secretária de Estado do Turismo discute com João Lopes, proprietário do Hotel Aires da Serra, sobre o excesso de burocracia no licenciamento de empreendimentos hoteleiros. foto mediotejo.net

A secretária de Estado referiria posteriormente que não pensa mexer novamente nas entidades de Turismo e que acredita que devem existir políticas públicas ativas que, conjugadas com os privados, promovam o turismo. “Temos que conseguir mais para que o turismo seja um motor de desenvolvimento”, nomeadamente no que toca ao melhoramento das acessibilidades para o interior do país.

Já o presidente do Turismo do Centro, Pedro Machado, fez um ponto de situação sobre o mercado do turismo na região, que integra 100 municípios. Sobre a sazonalidade e a falta de rendimento, o responsável destacou que embora Fátima tenha sido visitada por 6,7 milhões de pessoas em 2015, apenas 400 mil dormiram na cidade e apenas uma noite. “Nem Fátima tem o problema resolvido”, frisou. Aguardam-se 8 milhões de pessoas em Fátima para 2017, mas o país em si não vai sentir este reflexo. “O problema é o rendimento” efetivo deste fluxo de pessoas e “o turismo em espaço rural nem sempre está em primeira linha”.

Pedro Machado salientou que há uma mudança na tendência do turismo “sol e praia” e que a mais valia do turismo rural é a sua diversidade e características particulares, que contrariam o turismo massificado. Apostar numa estratégia integrada para o mercado interno, o turismo de congressos ou o turismo militar são algumas das potencialidades da região. Referiu ainda que o Turismo do Centro é uma estrutura recente que está a estabilizar, admitindo que o site precisa de ser melhorado.

O presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira, afirmou que “o Médio Tejo é uma região a explorar”, comentando que já não existe a rivalidade entre municípios que existia há 22 anos, quando iniciou a carreira de autarca (esteve presente inclusive o presidente da Câmara da Barquinha). Admitiu porém que há duas décadas que ouve dizer que se têm que trazer para o resto da região os turistas de Fátima. “Mas também já sei que os operadores turísticos têm que os trazer”, além de que o turista religioso vai muito focado apenas no Santuário de Fátima, não estando interessado em visitar a envolvente.

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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