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Sábado, Outubro 23, 2021

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Túnel com 50 km pode ser solução para regularizar caudais do Tejo – Ministro (C/ÁUDIO)

O ministro do Ambiente entende que a solução para regularizar os caudais no Tejo no troço entre Belver e Constância não passa pela revisão da Convenção da Albufeira, tendo defendido a ideia de construção de um túnel com 50 quilómetros para transportar água da barragem do Cabril para Belver. O proTEJO insiste na revisão dos acordos com Espanha.

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Em entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo, o ministro do Ambiente e da Transição Energética defendeu que a ideia da revisão da Convenção da Albufeira, documento que regula a gestão da água dos rios entre os dois países ibéricos, é o mesmo que “ir à lã e ser tosquiado”, dando conta que “hoje existe menos 25% da disponibilidade hídrica no rio que é mais crítico, o Tejo, do que quando a Convenção de Albufeira foi assinada”.

Questionado sobre quando é que será revista a Convenção de Albufeira, o governante foi taxativo: “Comigo não vai ser. É ir à lã e ser tosquiado (…) Espanha gasta menos água por habitante do que Portugal, tem menos água, quem quiser ir rever a Convenção faz um disparate de todo o tamanho”, afirmou.

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Na entrevista concedida à parceria entre a TSF e o Dinheiro Vivo – A Vida do Dinheiro, Matos Fernandes disse que a construção de um túnel de 50 km do Cabril para Belver pode ser a solução para resolver a falta de água num troço do Tejo, nomeadamente entre Belver (Gavião) e Constância. O referido troço abarca os concelhos ribeirinhos de Gavião, Mação, Abrantes, Constância e Vila Nova da Barquinha.

Ministro do Ambiente tem acompanhado a situação do Tejo de perto. Foto arquivo: Paulo Cunha/Lusa

ÁUDIO | JOÃO MATOS FERNANDES, MINISTRO DO AMBIENTE:

“Temos um problema de falta de água no Tejo, num troço: entre a barragem de Alge e Constância. Isto é a afluência do rio Zêzere, em que não temos forma de reservar água. Mas estamos a estudar uma solução, muito interessante, que é poder fazer uma ligação entre a barragem do Cabril, no Zêzere, que é o rio de maior disponibilidade hídrica em Portugal, e Belver”, disse o ministro, tendo defendido ainda a mais-valia ambiental do projeto.

“É uma obra de engenharia de 100 milhões numa extensão superior a 50 quilómetros, num túnel para poder fazer esse transporte de água. Não é nenhum transvase, a água deixa de fazer uma hipotenusa para passar a fazer dois catetos, mas volta a chegar a Constância. É uma solução com impactos ambientais baixíssimos. Pensar Belver, Cabril e este túnel como um processo num concurso para a concessão será muito económico para o Estado e para garantir caudais ecológicos no Tejo”, afirmou.

Quem já reagiu a esta posição pública do ministro do Ambiente foi o proTEJO – Movimento pelo Tejo, com o seu porta-voz, Paulo Constantino, a criticar a ideia de construção de um túnel ao invés de se negociar com Espanha a revisão dos caudais através da Convenção assinada entre os dois países.

“O ministro do Ambiente e Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, não pode deitar a toalha ao chão na negociação de caudais ecológicos vindos de Espanha e optar pela via mais fácil de gastar os dinheiros públicos dos contribuintes em canais desde o rio Zêzere, no Cabril, até ao rio Tejo, em Belver, e em novas barragens no rio Ocresa”, refere o movimento.

Paulo Constantino, fundador e porta-voz do proTEJO – Movimento Pelo Tejo. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | PAULO CONSTANTINO, MOVIMENTO PELO TEJO:

Em comunicado, o proTEJO afirma que “a solução mais simples, e que é exequível, é a negociação de caudais ecológicos regulares com Espanha e não inventar custos adicionais para os contribuintes portugueses”, tendo acrescentado que “esta atitude é um assumir do fracasso de uma boa gestão da água da bacia do Tejo pelos Governos de Portugal e Espanha, bem como de um fracasso da cooperação transfronteiriça da gestão da bacia do Tejo face à incapacidade de renegociar uma Convenção de Albufeira que constituiu uma perda para o rio Tejo desde a sua assinatura em 1998”.

“Este claudicar de responsabilidade apenas acontece para garantir a gestão flexível da água às empresas hidroelétricas espanholas de modo a que estas maximizem o lucro obtido enquanto se causam danos à biodiversidade e se prejudicam os usos da água para a agricultura, turismo de natureza, pesca, entre outros, em Portugal”, conclui o movimento ambientalista.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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