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Terça-feira, Julho 27, 2021

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“Tramagal | Viagem no tempo”, por José Martinho Gaspar

Há uma dúzia de anos, logo no arranque do projeto que é o CEHLA – Centro de Estudos de História Local de Abrantes, o n.º 3 da revista de História Local Zahara deu uma atenção especial ao Tramagal, a propósito dos 250 anos da sua elevação a freguesia.

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Para além da temática da ascensão a freguesia em 1754, esse número publica as Memórias Paroquiais de 1758 respeitantes a Tramagal, onde é possível encontrar informação muito interessante sobre a freguesia e traz ainda um artigo sobre a Metalúrgica Duarte Ferreira, tudo isto para além de um trabalho sobre a Ribeira de Alcolobre.

MDF

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Essa Zahara n.º 3 é o recurso onde recolhemos grande parte da informação para esta viagem no tempo e quem quiser saber mais tem aí uma excelente fonte de informação.

A presença humana em Tramagal ocorre desde tempos ancestrais, o que é confirmado através de múltiplos testemunhos arqueológicos. Em termos de toponímia, é conhecida a referência a Tramagal, ou mais exatamente “tarmagal”, num documento do séc. XIII. Tal nome, não parecem persistir quaisquer dúvidas, deriva das inúmeras tramagas que abundavam na região.

Nas Cortes de 1439, em Lisboa, diziam os representantes de Abrantes que “Uma das melhores coisas de Abrantes é um campo da parte além do Tejo em que mais pão e vinho se colhem; e porque el-Rei D. João proibiu que matassem porcos ou veados num tamargal que está junto com esse campo, deixou este de ser aproveitado como deveria […]”.

Como já aqui se disse, o lugar do Tramagal ascendeu à condição de freguesia/paróquia em 1754, no dia de S. João, ou seja, a 24 de junho. Terá desempenhado papel determinante neste processo o Pe. Luís António Ferreira Bairrão, nascido em 1719 e que veio a falecer em 1804, ao fim de 58 anos de vida sacerdotal. A resposta aos inquéritos ordenados pelo Marquês de Pombal, vulgarmente conhecidos como Memórias Paroquiais (1758), saíram do seu punho e dão informação muito preciosa, bem estruturada e redigida com excelente caligrafia.

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Muro do Barulho_Tramagal (Foto EME)

Para além de muitas outras informações, as Memórias Paroquiais contam que viviam no Tramagal, a uma légua de Abrantes, 436 pessoas e que a padroeira é a Senhora da Oliveira. Também são dados a conhecer elementos interessantes relativamente à agricultura local e às suas colheitas, em que abundavam o milho grosso e miúdo, acompanhados de algum centeio, trigo, feijão e azeite.

Fica-se a saber que o Rio Tejo era, à época, caracterizado pelas suas “caudalosas enchentes” e que no inverno nele progrediam “embarcações de água acima”, enquanto no verão a navegação se limitava a batéis. E este rio proporcionava aos tramagalenses a oportunidade de pescar múltiplas espécies, a saber: barbos, bogas, salmões, muges, sáveis e sabogas. O rio, com as suas cheias, deixava terras ribeirinhas inundadas de estercos e areais grossos, “a que chamam nateiros”, excelentes para a produção agrícola, onde se semeavam cereais, especialmente milho grosso.


 

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O século XX, no Tramagal, ficou marcado pelo fenómeno Metalúrgica Duarte Ferreira. O ferreiro Eduardo Duarte Ferreira transformou a sua forja numa fábrica metalúrgica de grandes dimensões, capaz de dar emprego a vários milhares de pessoas e de contribuir para o crescimento significativo da freguesia.

Em 1930, o Tramagal tinha 2469 habitantes e quarenta anos depois, em 1970, a população da freguesia havia aumentado quase para o dobro, isto é, atingira os 4440 habitantes.

Para além do desenvolvimento económico e do crescimento demográfico, a MDF também desencadeou localmente novos espaços de associativismo, cujos exemplos maiores são, na área cultural, a Sociedade Artística Tramagalense e, no setor desportivo, o Tramagal Sport União.

SAT

Há 30 anos, o dia 3 de julho de 1986 ficou marcado pela elevação da aldeia a Tramagal à condição de vila, a única do concelho de Abrantes. Era uma proposta já antiga, porém, como noticia a imprensa local da época, os tramagalenses não deixaram de revelar o entusiasmo quando a sua terra atingiu a condição de vila, materializado em foguetes, aplausos, vivas e festejos diversos.

MedalhaVilaTramagalCedo o Tramagal começou a ser conhecido como “Vila Convívio”, epíteto ligado ao bairrismo, recreio e associativismo que são apanágio dos Tramagalenses.

Os últimos Censos dizem-nos que também o Tramagal vive o problema da perda de população e que a freguesia tem atualmente 3500 habitantes, aproximadamente. É este um dos muitos desafios que se coloca atualmente aos tramagalenses e que eles, com a dinâmica e talento que os caracterizam, saberão por certo superar.

*Artigo publicado em julho de 2016, por ocasião dos 30 anos de elevação a Vila

José Martinho Gaspar nasceu em Água das Casas (Abrantes), na década de 60 do século XX, e vive em Abrantes. É Professor de História e Mestre em História Contemporânea. Desenvolve a sua ação entre aulas, atividades associativas (Palha de Abrantes e CEHLA/Zahara, mas também CSCRD de Água das Casas), leitura e escrita, tanto de História como de ficção, sendo autor de vários artigos e livros. Apaixonado por desporto, já não vai em futebóis, mas continua a dar as suas voltas de bicicleta. Afinal, diz, "viver é como andar de bicicleta: não se pode deixar de pedalar e quando surge um cruzamento escolhe-se o nosso caminho".

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