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Quinta-feira, Outubro 21, 2021

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Tramagal | Silvestre Alarico, o criador de pombos correio campeões (C/VIDEO)

O columbófilo tramagalense Silvestre Alarico, 76 anos, sagrou-se campeão distrital de fundo de Santarém com o pombo correio ‘33’, depois deste ter ficado em 1º lugar entre cerca de 5 mil pombos que percorreram uma distância de 700 quilómetros, entre Valência del Cid e Portugal. O pombo foi criado no seu pombal, em Tramagal, e voou em linha reta durante mais de nove horas a uma velocidade média de quase 90 km/h.

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Os prémios da época desportiva da Associação de Columbofilia do distrito de Santarém são entregues este domingo, no pavilhão municipal de exposições de Coruche. Silvestre Alarico recebe o troféu de campeão distrital de fundo, numa cerimónia em que serão distinguidos ainda os vencedores das zonas norte e sul em velocidade, fundo e meio fundo, como António Ferreira Branco, de Minde (velocidade/zona norte), Luciano Conceição Martins, de Abrantes (meio fundo/zona norte) e José Luís Jacinto, de Riachos, campeão distrital geral, entre outros columbófilos do distrito.

Luís Grácio e Silvestre Alarico exibem o pombo ’33’, que venceu a prova de fundo de 700 km. Foto: mediotejo.net

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Com 108 pombos correio de competição, muitos deles campeões regionais de fundo, meio-fundo e velocidade, criados e cruzados no seu pombal, Silvestre Alarico partilha esta paixão pelos pombos de forma diária com o apoio do seu inseparável amigo Luís Grácio Ferreira, 59 anos, mais conhecido por Luís ‘Tablú’, alcunha ganha pelas vitaminas dadas aos pombos, as Vitablú.

De visita ao berço da fábrica de pombos campeões, Silvestre Alarico não escondia o seu orgulho pelo prémio conquistado, tendo feito notar que há muitos pombos bons mas que a prova de fundo é a mais importante de todas. “Há bons columbófilos em Abrantes, Tramagal, Torres Novas, Meia Via, e outros locais, mas Riachos é que é a Bélgica portuguesa dos pombos correio”, elogiou, não escondendo a sua admiração pelo pombo ‘33’, um pombo platina de cinco anos que fez 700 quilómetros em linha reta de Espanha até ao pombal em Tramagal, sendo o 1º de entre cerca de 5 mil pombos correio em competição.

’33’, o pombo correio made in Tramagal que venceu a prova de fundo de 700 km perante cinco mil pombos de competição. Foto: mediotejo.net

O columbófilo, que é campeão dos criadores de Tramagal há 12 épocas consecutivas e compete pelo Grupo Columbófilo de Tramagal e que faz questão de afirmar que não é negociante de pombos, começou em 1954 nas lides da columbofilia e desde aí nunca mais parou, colecionando prémios, faixas, troféus e medalhas que ocupam boa parte de estantes, cómodas e gavetas da sua habitação, para além de muitas amizades criadas no mundo da columbofilia.

“Comecei aos 12 anos, depois de ter entrada para a MDF [Metalúrgica Duarte Ferreira], e na altura corria-se à zona [agora marcam-se os tempos de forma eletrónica] e eu fui como estafeta de um primo meu, o Fernando Alarico, do Crucifixo. Quando o pombo entrava, eu tinha de ir a correr com a anilha para marcar os tempos. É uma maneira de conviver e passar o tempo com os animais, e nunca mais deixei isto, embora seja necessária muita dedicação diária, muitas vezes à custa da presença familiar”, observou.

Na fábrica de pombos campeões, os borrachos são anilhados com 8 a 10 dias de vida e estão prontos a competir com seis meses de vida. Foto: mediotejo.net

Alarico destaca ainda o gosto em fazer criação dos pombos, através de cruzamentos entre campeões e potenciais vencedores. “Gosto da criação de borrachos, vê-los a crescer e perceber se temos ali futuros campeões ou não. E temos tido muitos”, disse o experiente columbófilo, que não compra nem vende pombos. “Já me ofereceram 5 mil euros por uma pomba campeã. Mas depois disseram que queriam pagar a prestações e eu não fiz negócio. Fiquei com a pomba e ele com o dinheiro”.

Luís ‘Tablú’ e Silvestre Alarico dedicam várias horas ao dia na criação e tratamentos dos pombos. Foto: mediotejo.net

E o ‘33’ é um “puro sangue”, sendo filho de pombo correio ‘Herbotts’, que já não entra em competição, e de mãe campeã, entretanto falecida.

Luís Grácio ‘Tablú’, por sua vez, disse ao mediotejo.net que desde os 12 anos começou a andar com pombos, encaminhado por amigos, como José Maria Salgado Alves Jesus, já falecido. “Foi com ele que comecei a aprender, nos anos 80, e também no Centro Agrícola”, recorda. Hoje faz dupla com Silvestre Alarico, na criação e acompanhamento diário dos 108 pombos correio que estão prontos a competir, mostrando-nos os borrachos recém-nascidos, e de onde se espera venham novos títulos e motivos de orgulho para os columbófilos de Tramagal e da região.

Silvestre Alarico e Luís ‘Tablú’, a dupla de criadores de pombos campeões. Foto: mediotejo.net

Silvestre Alarico e Luís ‘Tablú’ – Os criadores de campeões

Como é que um animal tão frágil como este consegue orientar-se fazer 700 km de Valência até ao pombal em Tramagal?

Olhe, se eu soubesse…. Então os cientistas não sabem como é que eles se orientam… como é que a gente há-de saber? Sei que eles vêm cá ter. São treinados também para chegarem, embora sejam todos treinados iguais… há uns melhores que outros, é como os ciclistas. E depois há uns dias sim e outros em que estão em dia não…

E como faz esses treinos e prepara os pombos para uma prova de fundo?

Treina-se à volta do pombal, são preparados para isso. Vai-se dando uma alimentação regular, água boa, nos últimos dias do mês a alimentação pode ter algumas vitaminas, depois é mandá-los… desde que eles estejam com boa saúde, voam seja de onde for e vêm cá ter…

Mas os treinos não são com esta dimensão… cerca de 700 km…

Não! Voam uma hora e voltam ao pombal. E na véspera da prova nunca treinam.

Luís Grácio e Silvestre Alarico, uma dupla de amigos que partilha a paixão pelos pombos. Foto: mediotejo.net

Então é como é que explica…. O segredo do sucesso?

O segredo do sucesso é pela forma como a gente faz os nossos cruzamentos e… uns saem bons outros não saem. Mas normalmente estes saem bons. Este ‘33’, tenho aqui os dados da prova em que foi campeão de fundo [mostra-nos os registos de dezenas de anos de provas em que participa]: Valência del Cid: hora de solta – 7:00. Hora de chegada do pombo: 16h08,49’’. Média: 1244.309. Veio a voar desde as 7 da manhã até à 4 da tarde sem parar.

Então explique lá, senhor Silvestre, não é o primeiro título de campeão que tem… já tem muitos troféus… como se fabrica aqui neste pombal, com a sua experiência, estes campeões?

Eu nunca gastei dinheiro em pombos e é por isso que os meus pombos não são divulgados por aí… porque os meus pombos não têm ‘pedigree’. O ‘pedigree’ deles é o ‘filho do asa partida’, o ‘filho do perna torta’… enquanto os outros têm nomes pomposos. Mas depois vamos aqui à pauta, aqui nas classificações, e é que se vê. Lá o pedigree para mim não conta. Os nossos pombos é tudo de pessoas amigos columbófilos que eu tenho, por exemplo, Álvaro Bexiga, o Dr. Jacinto, o Francisco Zé… cruzamos os pombos uns com os outros e não se gasta dinheiro em pombos.

Para já tem aqui este jovem pombo que é de 2013 e deve ter muitas alegrias para lhe dar…

Espero que sim, que no próximo campeonato, em 2019, ganhe mais uma. Se ganhar mais uma prova distrital já não é mau.

Pombal de campeões. Foto: mediotejo.net

Mas há um grande negócio em tornos da columbofilia. Já lhe fizeram alguma proposta para vender pombos campeões?

Não….. é tudo gente que não…. Nós tínhamos aí uma campeã e um gajo de Lisboa telefonou-me a perguntar se eu a queria vender e eu disse que sim. Pedi-lhe 5 mil euros. E ele disse: pronto, está o negócio feito, mas eu vou pagar-lhe em prestações. E eu disse: então primeiro mande o dinheiro. Quando acabar as prestações eu mando-lhe o pombo. Disse que não. Então deixa lá estar o dinheiro e a pomba. Não sou negociante de pombos.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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