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Tramagal | Ricardo Ferreira vence Prémio de Melhor Tese de Doutoramento em Química Medicinal

Ricardo Ferreira, 37 anos, natural de Abrantes e com residência e início de percurso académico em Tramagal, doutorado pela Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (FFULisboa), foi distinguido a 18 de janeiro com o Prémio de Melhor Tese de Doutoramento em Química Medicinal.

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Este galardão, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Química (SPQ), visa reconhecer o mérito científico de teses de doutoramento realizadas maioritariamente em instituições nacionais. O prémio destina-se a recém-doutorados que obtiveram o grau em instituições nacionais, sendo atribuído com base no trabalho desenvolvido durante o doutoramento na área da Química Medicinal.

O trabalho de investigação realizado no âmbito da Tese de Doutoramento de Ricardo Ferreira incidiu na identificação e otimização de compostos naturais como reversores da multiresistência e na caracterização estrutural e funcional da glicoproteína-P (P-gp).

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A entrega do Prémio decorreu a 18 de janeiro, em Coimbra, durante o Congresso Nacional de Química Orgânica e Química Terapêutica (12.º ENQO/5.º ENQT) e o mediotejo.net foi conhecer um pouco melhor o Ricardo Ferreira, através de questões enviadas por email.

Ricardo, fala-nos um pouco do teu percurso, onde estudaste, e onde resides:

O meu nome é Ricardo José Ferreira, tenho 37 anos, e sou natural da freguesia de São João, Abrantes. Fiz todo o meu percurso académico no Tramagal, até ao 12º Ano (Escola Primária nº 1 e Escola EB2,3/S (na altura C + S) Octávio Duarte Ferreira.

Tirei a Licenciatura em Ciências Farmacêuticas na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (1998/2004), tendo exercido a profissão de farmacêutico entre 2004 e 2009, ano em que decidi retomar os estudos. Em 2011, concluí o Mestrado em Química Farmacêutica e Terapêutica, tendo posteriormente frequentado o Doutoramento em Farmácia na mesma instituição de 2013 a 2017, com uma bolsa de Doutoramento atribuída pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

Atualmente, apesar da minha residência ser em Tires (São Domingos de Rana, Cascais), encontro-me a residir em Uppsala, Suécia, uma cidade com a universidade mais antiga da Escandinávia, a cerca de 70km a norte da capital Estocolmo.

Em que consiste a tua tese, a melhor do doutoramento em Química Medicinal?

Muito sumariamente, a minha tese de Doutoramento consistiu no estudo e desenvolvimento de moléculas (potenciais fármacos) capazes de reverter a resistência que alguns tumores adquirem aos tratamentos de quimioterapia, sob a orientação da Professora Doutora Maria José U. Ferreira e o Dr. Daniel dos Santos.

No entanto, a inovação introduzida na minha tese consistiu na utilização de técnicas de simulação computacional não só para estudar mais aprofundadamente o funcionamento da proteína em causa, mas também para prever o efeito que as moléculas desenvolvidas teriam no alvo.

Desta forma, o isolamento de novas moléculas de fontes naturais e a modificação química dessas moléculas puderam ser “antecipadas” por forma a desenvolver moléculas mais seletivas e potentes para o alvo em questão.

Adicionalmente, outros alvos (também relacionados com a resistência aos tratamentos quimioterapêuticos) foram também testados, com resultados promissores. No entanto, uma das maiores contribuições consistiu na identificação, pela primeira vez, de como a proteína “expulsa” os fármacos da célula tumoral e de locais para onde se podem tentar desenvolver novos fármacos mais seletivos.

Este é um tema que tem sido estudado hà mais de 40 anos, mas apenas na última década existiram avanços significativos acerca da compreensão de como se processa este fenómeno, tendo os estudos incluídos neste doutoramento um papel importante nessa compreensão.

O que fazes atualmente, onde, e como sentes esse desafio de estar fora do país?

Atualmente, sou Investigador Pós-Doutorado no Departamento de Biologia Celular e Molecular (ICM) na Universidade de Uppsala, e neste momento encontro-me a estudar outros fenómenos de resistência, nomeadamente, estudo a resistência aos antibióticos por parte das bactérias multi-resistentes.

Este estudo insere-se numa linha de pensamento mais abrangente, onde a identificação das propriedades que fazem um antibiótico acumular-se no interior das bactérias são estudadas por forma ao desenvolvimento de novos fármacos anti-bacterianos passíveis de ser utilizados transversalmente em estirpes multi-resistentes.

Infelizmente, em Portugal as oportunidades de progressão na carreira científica são muito escassas, sendo também privilegiado a experiência do investigador além-fronteiras. Desta forma, uma experiência no estrangeiro foi a opção natural para a minha progressão e desenvolvimento cientifico.

Tem sido, até agora, uma experiência bastante gratificante, devido ao facto de ter contactado com uma cultura científica completamente diferente da que se encontra em Portugal e que estimula a ciência promovendo as condições laborais do investigador, algo que nem sempre acontece nas instituições portuguesas. Além disso, o facto de ter trazido a família também ajuda a uma maior integração e adaptação ao país que nos acolhe.

Qual o segredo do sucesso para esta distinção? Que conselhos podes dar?

Acho que o principal segredo é a persistência. Mas, mais importante do que isso, é o facto de se gostar do que se faz, porque encaramos o trabalho com um ânimo completamente diferente. Ao contrário do que se possa pensar, um doutoramento não implica “marrar” ou “queimar as pestanas”: implica sim ser persistente, manter o foco no problema em questão por forma a, quando abordado, seja possível obter respostas mais importantes para a compreensão do fenómeno em questão.

Passa também um pouco por outras coisas: a relação com os orientadores, crucial para uma abordagem decisiva ao problema; sentido crítico, para com os resultados do nosso trabalho; e muita, muita determinação para enfrentar os problemas que, à partida, parecem irresolúveis.

No entanto, em Portugal o acesso aos doutoramentos é dificultada pelo facto de depender quase exclusivamente das bolsas atribuídas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, que tem muito em conta o mérito (e.g. o currículo) do candidato.

Mas, concluindo, a mensagem a passar é simples: para fazer um Doutoramento, não se é preciso ser um génio: basta ser persistente, trabalhador e bastante perseverante.

O que significa este reconhecimento para ti?

É um reconhecimento do trabalho efetuado: um reconhecimento aos meus orientadores, que apostaram em mim para tomar em mãos um projeto de Doutoramento ambicioso; um reconhecimento da instituição, que providenciou todas as condições para que pudesse executar o projeto de Doutoramento; e reconhecimento da linha de pensamento seguido, que tendo-se proposto a identificar os principais mecanismos pelos quais as células tumorais ganhavam resistência aos agentes de quimioterapia, foi bastante mais além através do desenvolvimento de moléculas que também se provaram ser ativas noutras proteínas importantes neste fenómeno.

Este momento importante na tua carreira…queres dedicá-lo a alguém?

Dedico à minha esposa Cátia, cujo apoio foi (e continua a ser) um dos pilares do meu sucesso. À minha filha Leonor, aos meus pais Carolina e João pelo esforço que fizeram para me darem condições para prosseguir os meus objetivos. E a minha restante família (sogros, cunhados, tios, primos, etc) e a todos os que se cruzaram comigo no meu percurso (colegas, professores, auxiliares), porque o reconhecimento através deste prémio é também um pouco de todos eles!

 

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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