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Sábado, Novembro 27, 2021

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Tramagal | Mais de 60 mil pombos-correios voaram de Espanha para Portugal na maior solta da Europa (C/VIDEO)

Quase 61 mil pombos-correios de competição integraram no sábado a maior solta da Europa, numa prova de fundo da Federação Portuguesa de Columbofilia, cruzando os céus ibéricos sem perderem fidelidade ao próprio ninho. O primeiro pombo-correio a chegar ao distrito de Santarém foi do criador José Jacinto, tendo demorado quase 10 horas a chegar ao seu pombal, em Riachos. O mediotejo.net acompanhou a espera de um grupo de columbófilos em Tramagal que enviaram 15 pombos para esta prova de fundo, com cerca de 680 km.

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O dia da prova e as horas que antecedem a chegada dos pombos-correios é sempre de grande expectativa, mesmo para criadores experimentados e com muitos títulos de campeão nas provas de velocidade, fundo e meio fundo. “Nesta prova tenho fé na ‘24’”, dizia Luís Grácio ‘Tablú’, referindo-se a uma fêmea com dois anos, antecipando a chegada dos 15 pombos que, em conjunto com o parceiro Silvestre Alarico, enviaram para Cheste, em Valência (Espanha).

“É muito nova mas acho que temos ali campeã”, comentou Luís ‘Tablú’, enquanto olhava para o céu nublado, na espectativa de ver chegar os seus pombos. A alcunha ganhou-a pelas vitaminas dadas aos pombos, as Vitablú. Hoje é também apelidado de ´Fabio Capelo’ dos pombos-correios, numa comparação com o conhecido treinador de futebol italiano.

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Com 102 pombos correio de competição, muitos deles campeões regionais de fundo, meio-fundo e velocidade, criados e cruzados no seu pombal, Silvestre Alarico partilha esta paixão pelos pombos de forma diária com o apoio do seu inseparável amigo Luís Grácio Ferreira. Enquanto Luís olhava para os céus, Silvestre Alarico, com 78 anos, seguia as informações pelo telemóvel e dava conta da chegada do primeiro pombo a Riachos às 16:22.

Silvestre Alarico partilha esta paixão pelos pombos de forma diária com o apoio do seu inseparável amigo Luís ´Tablú’. Foto: mediotejo.net

“Olha, já entraram dois em Riachos”, lia em voz alta, acompanhando a informação online. A diferença entre um pombo e outro, ambos do mesmo criador, terá sido de 3 segundos. No céu passavam alguns pombos, mas rumo a outras paragens. O nervosismo era evidente, com a ansiedade a aumentar à medida que o tempo passava. No quintal, junto ao pombal de Alarico, juntam-se outros amigos na espera, também eles adeptos da columbofilia.

Fernando Pires, reformado, deixou os pombais mas não a admiração pelo sentido de orientação destas aves. “É extraordinário. Ainda hoje a comunidade científica se questiona como se conseguem eles orientar”, observa.

Fernando Pires, reformado, deixou os pombais mas não a admiração pelo sentido de orientação destas aves. Foto: mediotejo.net

No pombal aguardava-se desde as 15:30 pela chegada dos pombos-correios criados em Tramagal. O grupo de amigos socializa, conversa, brinca, mas o foco está nos pombos. “Está muito nublado, isto não é bom para os pombos”, diz um. “Aves de rapina também são uma ameaça”, atira outro. No céu, um milhafre sobrevoa de forma insistente o pombal de Alarico e outros das redondezas, que só a ave de rapina avista lá do alto.   

A espera pelo primeiro pombo é compensada às 17:30. Foi mesmo a fêmea ‘24’ a primeira a chegar ao pombal de Silvestre Alarico, como previam os criadores experimentados. A solta decorreu às 06:45, cerca de 15 minutos depois do previsto, e a ave demorou 10 horas e 45 minutos a percorrer os 680 km entre Cheste (Valência) e Tramagal (Abrantes).

“Nesta prova tenho fé na ‘24’”, dizia Luís Grácio ‘Tablú’, referindo-se a uma fêmea com dois anos que acabaria mesmo por ser a primeira a chegar ao pombal. Foto: mediotejo.net

Também com provas dadas, os pombos dos columbófilos de Riachos (Torres Novas) foram hoje os mais rápidos. Um pombo-correio de José Luís Jacinto foi o mais rápido a entrar no distrito de Santarém, mas também o mais regular na prova de fundo, tendo percorrido os cerca de 680 km em 9 horas e 37 minutos a uma velocidade de 70 km/hora.

“Em primeira instância, está sempre o pombo. Temos de o proteger. Para quem não conhece a columbofilia, é um pássaro. Para nós, é muito mais do que isso. Não digo que seja como um filho, mas é um animal que faz parte de nós. Afinal, são 365 dias por ano a tratar deles”, partilhou à agência Lusa o diretor desportivo federativo Almerindo Mota.

Os pombos foram soltos em simultâneo às 06:45 (hora de Lisboa), junto ao autódromo Ricardo Tormo, em Cheste, perto da cidade espanhola de Valência, para regressarem em voo a Portugal, onde chegaram aos respetivos pombais, dispersos por vários distritos do país.

“Há algumas teorias, mas ainda não temos uma explicação concreta para que estas espécies se orientem e venham embora. Sabemos é que têm uma inteligência tremenda, sabendo que chegam ao local de partida num camião completamente fechado. Por exemplo, se me deixassem em Valência, não chegava a casa sem tabuletas”, ilustrou.

O pombo correio ’33’ , da dupla Silvestre Alarico e Luís Tablú, venceu a prova de fundo de 700 km em 2018, perante cinco mil pombos de competição. Foto arquivo: mediotejo.net

Para a costa leste de Espanha viajaram 61.003 aves inscritas, em representação de 14 associações distritais, 400 clubes e 8.000 columbófilos, capazes de percorrer uma distância média de 750 quilómetros e completar os seus voos entre oito e 10 horas.

“Como é uma solta desde Viana do Castelo até Faro, tentámos enquadrá-la num local central, com distâncias mais ou menos idênticas para todas as associações. Em situação normal, regressam todos a casa. Contudo, pode haver cabos de alta tensão ou aves de rapinas, que, neste momento, são um flagelo da columbofilia”, frisou Almerindo Mota.

O transporte decorreu na madrugada de quinta-feira por 14 camiões TIR, equipados com os cuidados necessários para o bem-estar das aves, ao nível do abeberamento, controlo da temperatura interior e alimentação, sendo autênticos atletas de alta competição.

“Temos apoio meteorológico, cuja antevisão pode ser essencial, e o columbófilo soma a pontuação com a chegada dos dois primeiros pombos. É um desporto caro, consoante a dimensão que se quer atingir. Não cresce, mas tem estabilizado nos oito mil federados”, concluiu Almerindo Mota, ciente de que as asas também servem para ganhar medalhas.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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