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Sábado, Setembro 18, 2021

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Tramagal | Junta elimina lixeira a céu aberto mas alerta para problema de fundo (c/áudio)

A Junta de Freguesia de Tramagal conseguiu eliminar uma das duas lixeiras a céu aberto identificadas na vila, junto ao parque industrial, mas a deposição ilegal de resíduos continua a merecer preocupação por parte dos responsáveis.

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As lixeiras a céu aberto na freguesia de Tramagal, devido à depósitos ilegais, são fonte de preocupação partilhada por todos os eleitos da Assembleia de Freguesia. A situação é visível em vários pontos da localidade, como o pinhal, pulmão da freguesia, ou ainda, agora na situação mais evidente, junto ao antigo cemitério da vila, onde estão depositados entulhos, monstros domésticos e todo o tipo de resíduos.

Vitor Hugo Cardoso (PS) defende que no futuro sejam criados pontos de recolha para resolver o problema. “A seguir a estas eleições os autarcas têm de uma vez de tomar uma atitude sobre isto”, afirmou. Os eleitos do MIFT, através de António José Carvalho, consideram a atual situação “insustentável”, tendo sugerido que se equacione a criação de um ecocentro na zona industrial de Tramagal.

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ÁUDIO: VITOR HUGO CARDOSO, PRESIDENTE JF TRAMAGAL:

Em declarações ao mediotejo.net, o presidente da Junta de Freguesia de Tramagal abordou o problema ambiental e apontou às preocupações do presente e soluções de futuro.

As lixeiras a céu aberto tem sido uma preocupação do executivo, sendo que uma das duas identificadas já foi eliminada pela junta de freguesia. Qual a solução para este problema?

Tanto faz ao nível dos municípios como das freguesias, a questão do ambiente será no futuro uma questão muito importante para a qual terá de se olhar. A Junta de Freguesia deparou-se com uma situação grave na parte da zona industrial, onde se começou a criar uma lixeira a céu aberto há alguns anos, onde havia, por exemplo, lixos e restos de obras. Nós, junta de freguesia e município, fomos obrigados a fazer a limpeza daquilo, a reciclar aquele lixo, custou ao erário público algum dinheiro e força humana. Temos também outra lixeira junto ao cemitério velho do Tramagal e o Ministério do Ambiente devia aqui ter uma abertura maior. Temos feito um esforço enorme, ao contrário do que as pessoas pensam, e até privados estão interessados em fazer este esforço de disponibilizar zonas para, pelo menos, receber os entulhos das obras para depois ser levado para a reciclagem. A Junta de Freguesia faz um trabalho muito importante, todas as quartas-feiras, recolhe desde os verdes e ramagens e até tudo o que é monos domésticos, televisões, frigoríficos etc. O município vem também a pontos estratégicos fazer a recolha e leva essas coisas, e penso que fazemos um trabalho muito importante, só que cada vez temos mais dificuldades, em termos de gente, pois isto é um esforço humano muito grande, muitas vezes temos de deixar outros trabalhos para trás para fazer este, mas acho que todos nós, enquanto fregueses e munícipes, e os próximos autarcas, até porque vêm aí eleições, têm de olhar para isto no futuro. E deparamo-nos com situações como a do pinhal do Tramagal, que é um pulmão da freguesia e também do concelho, em que temos de andar dias inteiros a fazer a sua limpeza, quando muitas vezes quem lá vai despejar podia simplesmente contactar a junta de freguesia para fazer a recolha.

Portanto há ainda uma lixeira a céu aberto junto do cemitério. Por outro lado é preciso uma sensibilização e consciencialização. E a Junta já teve um espaço onde recolhia e depositava materiais como os monos, um serviço gratuito que a junta assegurava. E outros tipos de entulhos, como é que as pessoas podem proceder?

A zona industrial de Abrantes tem lá um espaço que recolhe esses resíduos todos. Agora eu acho, e foi algo que também já foi falado com o presidente de Abrantes, que no futuro têm de ser criados pontos para a recolha desses resíduos nas freguesias. Junto ao cemitério novo, já não foi comigo na altura, mas o executivo da altura criou um ponto, tinha um horário adequado para receber as coisas, e o que aconteceu foi mais uma vez a negligência das pessoas que continuaram a ir a qualquer hora do dia, até que alguém, penso que o Ministério do Ambiente, chegou lá, e acabámos por ter de fechar aquilo, na altura já comigo como presidente de junta, porque não era viável aquele ponto de recolha, e tínhamos de licenciar aquilo, e eram precisas muitas diligências que nem a junta de freguesia podia fazer. Acabámos por fechar. Temos realmente esse calcanhar de Aquiles, que são os sobrantes da construção civil, e penso que o Presidente da Câmara terá essa preocupação no futuro de criar esses pontos de recolha nas freguesias do concelho, um pouco à luz como acontece com o cartão, o vidro etc.

Espaço junto ao parque industrial foi limpo e colocadas placas proibitivas de posição ilegal de resíduos, situação que tem sido respeitada. Foto: mediotejo.net

Conforme se foi limpo aquele espaço na zona industrial, que era uma lixeira a céu aberto, e que decerto envolveu muitos recursos humanos, dias e maquinaria, agora há uma placa a dizer que agora é proibido vazar entulhos ou lixo. Para a zona do cemitério velho há a ideia de fazer o mesmo, é possível fazer o mesmo?

Aquela lixeira a céu aberto às vezes passa um pouco… nós agora não utilizamos mas houve uma altura que utilizámos alguma daquelas lixeiras, mas metíamos apenas os sobrantes verdes das podas, etc. Mas chegávamos ao Inverno ou ao início da primavera e fazíamos a recolha e até queimávamos e fazíamos a limpeza também com a Câmara de Abrantes que fazia um bom trabalho. Mas agora a questão é que deixámos de usar aquele espaço e acabou por ser usado por toda a população de Tramagal, e não só, mas a nossa questão nem são os verdes que lá põem – que ao fim ao cabo são biodegradáveis ou nós vamos queimando – o problema são os entulhos, loiças sanitárias, tudo. As pessoas sabem que temos essa recolha [dos monos] às quartas-feiras. A questão dos sobrantes de construção civil não é fácil. Temos Abrantes, mas a seguir a estas eleições os autarcas têm de uma vez de tomar uma atitude sobre isto. E depois há que dizer às pessoas qual é o ponto. Como já referi, já tive pessoas particulares a irem à Junta de Freguesia, alguns deles construtores que se vêm com esta dificuldade, que queriam criar pontos de recolha para eles próprios poderem ter um espaço onde deixar os resíduos, mas é uma grande dificuldade licenciar esses espaços.

Atual lixeira a céu aberto junto ao cemitério velho em Tramagal. Foto: mediotejo.net

Questionado sobre o tema, o representante do Movimento Independente Freguesia Tramagal (MIFT) António José Carvalho, disse que “o MIFT tem alertado em diversas ocasiões para a necessidade de resolver os problemas existentes sobre a gestão de resíduos sólidos na freguesia de Tramagal, apresentado propostas para a sua resolução e realizado ações de sensibilização sobre a matéria”.

“A competência da gestão dos resíduos é das entidades concessionárias – Serviços Municipalizados de Abrantes e Valnor, a quem todos pagamos as taxas de resíduos, na fatura da água, para que funcione em Tramagal um sistema moderno, eficiente e nos termos das leis ambientais em vigor”, notou o eleito.

Nesse sentido, e “considerando as dificuldades na operação dos denominados “monos”, dos resíduos verdes de jardins e quintais e outras situações não adequadas à solução dos contentores disponíveis, o MIFT vem sugerindo que se equacione a criação de um ecocentro na zona industrial de Tramagal”, concluiu.

MIFT propõe a criação de um ecocentro na freguesia de Tramagal para resolver o problema dos depósitos ilegais. Foto: DR

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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