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Terça-feira, Dezembro 7, 2021
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Tramagal | Histórico ‘Café Faria’ fecha portas e é mais uma vítima da pandemia

O empresário José Rosa fechou o histórico ‘Café Faria’ na terça-feira, último dia do mês de junho, e com ele encerra décadas de histórias e de encontros de gerações em Tramagal. Situado no centro da vila metalúrgica, o popular espaço gerido em tempos por ‘Zé Faria’, que deu nome a um café que ficou famoso, entre outros motivos, pela sua célebre imperial, foi gerido nos últimos 24 anos por outro José, mas Rosa de apelido. O nome de ‘Café Faria’ manteve-se mas a gerência já não vendia a famosa cerveja à pressão assim como não aguentou a crise provocada pela covid-19.

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É com algum orgulho que José Rosa nos fala de 24 anos à frente dos destinos do Café Faria, data que completaria a 18 de dezembro próximo, e é com mágoa que deixa o espaço, pela fraca afluência dos últimos meses e que imputa, em boa medida, à pandemia e à notória redução de clientela.

Na véspera de encerrar portas, José Rosa, 75 anos, lamentava-se que “a renda já não dava para pagar” e que havia “menos gente devido a este problema da pandemia”. Antes da covid-19, notou, “já se trabalhava para ‘aquecer’ mas agora não chega para a renda”. Sem acordo com a proprietária do espaço para diminuir o valor da prestação mensal, José Rosa não teve outra opção e decidiu concluir um ciclo de 24 anos e que havia dado seguimento ao mítico ‘Zé Faria’.

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José Rosa manteve o nome de Faria ao café que explorava mas a gerência não aguentou a crise provocada pela covid-19. Foto: mediotejo.net

“Deixar isto custa sempre um bocadinho”, confessa Rosa, dando conta que “sempre foram 24 anos a lidar e a conviver com as pessoas no dia a dia” e onde fez “muitas amizades”.

No casco histórico de Tramagal está hoje um espaço de memórias encerrado, qual museu geracional e cujas paredes muitas conversas e acesos debates presenciaram ao longo de muitas gerações. O café está para alugar, para quem quiser dar continuidade ao trabalho dos dois Zés, o Faria e o Rosa. O Café será sempre o ‘Zé Faria’ e o José Rosa, que não tem feitio para ficar em casa, já decidiu onde se entreter na sua reforma e sem se meter em grandes ajuntamentos: “vou-me dedicar a uma horta que ali tenho”.

O vírus continua a fazer mossa na saúde e na economia nacional, resta saber se algum empreendedor mais corajoso se atreve a fazer-lhe frente em Tramagal apostando contra a corrente e reabrindo o histórico espaço de encontros e memórias da Vila Convívio.

 

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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