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Tramagal | Grupo Daimler divide-se em dois, dona da Mercedes separa-se dos camiões

O Grupo Daimler vai dividir-se em dois. A unidade de automóveis ligeiros e comerciais vai chamar-se Mercedes-Benz, e a unidade de camiões e autocarros, que detém a fábrica da Mitsubishi Fuso Truck Europe (MFTE) no Tramagal, será cotada em bolsa. Jorge Rosa, presidente e CEO da MFTE, acredita que o “aumento do foco vai-se traduzir em maior robustez, estruturas mais leves e maior especialização”.

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O grupo Daimler vai alterar a sua estrutura no terceiro trimestre deste ano, segundo o anúncio feito este mês, numa operação que tem vários impactos em Portugal. A unidade de automóveis ligeiros de passageiros e comerciais do grupo Daimler vai passar a designar-se Mercedes-Benz. A unidade de camiões e de autocarros do grupo estará numa empresa à parte, que será cotada na Bolsa de Frankfurt no final de 2021 mas que terá os principais acionistas da Daimler como os maiores representantes no capital social.

A alteração afeta a fábrica de camiões da Mitsubishi Fuso Truck Europe (MFTE), controlada desde 2005 pela Daimler e que passará a estar na nova empresa dedicada aos veículos pesados, uma medida que Jorge Rosa, presidente da MFTE, fábrica instalada no concelho de Abrantes, considera positiva para a atividade da empresa instalada na zona industrial do Tramagal.

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“Acreditamos que este spin off resulte no reforço de ambas as entidades, camiões e automóveis. O aumento do foco vai-se traduzir em maior robustez, estruturas mais leves e maior especialização. Desta forma iremos beneficiar, assim como a nossa atividade”, disse o gestor ao mediotejo.net.

O Secretário de Estado da Internacionalização visitou em 2020 a fábrica da Mitsubishi Fuso (MFTE) em Tramagal (Abrantes) no sentido de promover o relançamento da atividade económica nacional e “relançar as bases” para a dinâmica exportadora verificada em 2019. Foto: mediotejo.net

Ola Källenius, presidente do conselho de administração do grupo, disse, por sua vez, que “este é um momento histórico para a Daimler. Isto representa o início de uma profunda remodelação da empresa”, assinalou, citado em comunicado de imprensa.

“A Mercedes-Benz Cars & Vans e a Daimler Trucks & Buses são negócios diferentes, com grupos específicos de consumidores e diferentes necessidades de investimento e de tecnologia. As duas empresas estão em indústrias que enfrentam mudanças estruturais e tecnológicas. Neste contexto, acreditamos que poderão funcionar de forma mais eficiente como entidades independentes”, acrescentou.

O processo de separação da Daimler deverá ser aprovado pelos acionistas no terceiro trimestre de 2021. Nessa altura, serão conhecidos todos os detalhes sobre o futuro do grupo de Estugarda.

A Daimler Truck é considerada a maior fabricante de camiões e de autocarros do mundo. Conta com mais de 100 mil trabalhadores em 35 unidades da Europa, América do Norte e Ásia, tendo obtido receitas totais de 44,9 mil milhões de euros em 2019.

A fábrica do Tramagal, a cerca de 150 quilómetros a nordeste de Lisboa, foi fundada em 1964 como uma sociedade entre o negócio da família Duarte Ferreira e o antigo fabricante de camiões Francês Berliet.

Fábrica da Mitsubishi Fuso Truck Europe SA, em Tramagal. Foto: DR

Em 1980 a fábrica começou com a montagem de CKD (completely knocked down) para a Mitsubishi Fuso e nos anos que se seguiram montou o comercial ligeiro de mercadorias e outros veículos da Mitsubishi Fuso para o mercado nacional.

Uma década depois foi adquirida pela Mitsubishi Motors Portugal e em 1996, a Mitsubishi Motors Corporation adquiriu a unidade fabril. A fábrica tornou-se parte da Daimler AG em 2003 altura em que este fabricante de automóveis adquiriu a maioria Mitsubishi Fuso.

A fábrica estende-se por cerca de 160.000 metros quadrados, contando no final de 2020 com 383 colaboradores a produzir a Fuso Canter, nos seus modelos e versões, incluindo os camiões elétricos, tendo como principais mercados a União Europeia, Reino Unido e Suíça.

Desde 2012, os colaboradores do Tramagal produzem também a Fuso Canter Eco Hybrid, a versão híbrida da Canter.

Fábrica da Mitsubishi Fuso Truck Europe, em Tramagal. Foto: DR

No final de 2020, a DB Schenker anunciou que vai expandir a sua frota elétrica com 36 FUSO eCanter a produzir na fábrica da Mitsubishi Fuso Truck Europe (MFTE), em Tramagal.  A encomenda, a maior de eCanter já recebida na MFTE, vai servir para a empresa reforçar as operações de distribuição em 11 países europeus. A DB Schenker, líder no transporte terrestre europeu, utiliza o FUSO eCanter desde 2018, operando atualmente nas cidades de Berlim, Paris, Frankfurt e Stuttgart.

Jorge Rosa, presidente e CEO da fábrica FUSO no Tramagal, citado em m nota de imprensa, destacou na ocasião a importância do negócio para a unidade de produção que lidera: “estamos num momento-chave da descarbonização e de um novo paradigma na indústria automóvel, e estas 36 viaturas indiciam qual o caminho a seguir”.

Em 2020, “tivemos uma produção do modelo eCanter que foi de três dígitos, e para 2021 esperamos um aumento da produção deste tipo de veículo e estamos preparados para responder ao crescimento da procura”, afirmou. A Europa constitui o maior mercado do eCanter, sendo a fábrica do Tramagal responsável por toda a produção da marca para o mercado europeu.

A MFTE já produziu na fábrica do Tramagal mais de 200.000 veículos, dos quais 95% para exportação.

A MFTE já produziu na fábrica do Tramagal mais de 200.000 veículos, dos quais 95% para exportação. Foto: MFTE

A fábrica da MFTE em Tramagal é o centro de produção da FUSO na Europa e emprega 383 trabalhadores diretos, integrando a Daimler Truck, a maior construtora mundial de veículos pesados.

Em 2019, fabricou 11.036 veículos Canter, sendo mais de 90% para exportação para o mercado europeu e também para os Estados Unidos, Israel, Turquia e Marrocos.

A empresa instalada no concelho de Abrantes, maior exportadora do distrito do Santarém, faturou cerca de 222 milhões de euros em 2019.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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