Tramagal | Fotógrafo capta imagem única de Garajau Real no rio Tejo

Para os apaixonados pelo mundo das aves esta é a fotografia do momento, pela sua raridade. Pela primeira vez um fotógrafo português [Jorge Santiago] registou uma imagem de um Garajau no rio Tejo, na zona de Tramagal (Abrantes) uma ave que, pelas fotos, tanto pode ser um Garajau-real-africano ou um Garajau-elegante, dúvida que está a gerar animada discussão entre os especialistas. Uma coisa é certa. Uma ou outra espécie são raríssimas em Portugal e nunca haviam sido fotografadas no rio Tejo.

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Quem o diz é Paulo Alves, membro do Comité Português de Raridades (CPR), entidade responsável pela homologação de registos de aves raras em Portugal, dando conta que existem opiniões divergentes em relação a esta ave ser de facto um Garajau-real-africano (Thalasseus albididorsalis) ou um Garajau-elegante (Thalasseus elegans), tema que vai ser levado à apreciação dos vários membros do CPR. “Uma ou outra espécie são raríssimas em Portugal, podendo ser confundidas caso a observação/fotos não sejam conclusivas”, notou.

Estas aves, notou, “não são de todo regulares em Portugal. O Thalasseus albididorsalis é uma ave que ocorre ao longo da costa oeste africana, grosso modo entre Marrocos e Angola, ao passo que o Thalasseus elegans é reprodutor na costa oeste da América Central, sendo espécies que têm como habitat a costa, preferindo água salgada. Esta ave no meio do Tejo no Tramagal estava bem perdida”, notou.

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O mediotejo.net falou com o fotógrafo Jorge Santiago, colaborador deste jornal, e que nos contou como conseguiu este registo fotográfico “inusitado” junto ao rio Tejo.

“Em tempo de confinamento, respeitando um ritual já bem antigo, faço habitualmente um passeio higiénico pelas margens do Tejo. No dia 12, terça-feira, pelas 15:45, no Porto da Barca, estava a fotografar um raro, para a nossa região, pato-de-bico-vermelho (Netta rufina) que já por cá está há uns dias socializando com os bem mais comuns patos-reais (Anas platyrhynchos).

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Vindo do meu lado direito, nascente do rio, a leste vejo uma ave que pela cadência de batimentos de asa e ângulos das mesmas não me era nada familiar. Apesar da distância, 100 a 150 metros, desatei a fotografar com as definições que tinha na câmara porque tinha a noção de que era algo raro e precioso. Não me enganei…

Após desaparecer na curva do rio perto de Rio de Moinhos recorri ao site das “Aves de Portugal” no telemóvel e tirei as dúvidas: era um rarissímo Garajau-real, apenas com três registo em Portugal, todos no Algarve.

Já em casa registei o avistamento na SPEA-Comité de Raridades e partilhei nas redes sociais em grupos de amantes (e entendidos) de aves gerando um enorme desassossego.
Fiquei radiante por ter sido o primeiro português a registar uma espécie tão rara.
Já em maio de 2015, no Jamor, tinha feito a observação e registo doutra espécie rara no nosso País: a Franga-d’agua-bastarda (Porzana parva).

Respondendo à pergunta acerca da “relevância do registo e da ave fotografada”, Paulo Alves refere ser “bastante subjetivo”, ou seja, notou, “uma ave rara mais não é que uma ave comum no local de origem mas que aparece num sítio onde não é esperada, isto é, é uma divagante”.

“Comparada com as aves locais tem pouca relevância do ponto de vista ecológico e ou conservacionista, no entanto, quanto à observação em si, é de facto um registo inusitado e uma adição interessante à lista de aves observadas no concelho de Abrantes, seja esta ave um Garajau-real-africano ou um Garajau-elegante”, afirmou.

Ou seja, “uma raridade deste calibre terá relevância para um pequeno grupo de observadores de aves em Portugal, os chamados “twitchers” que praticam o “twitching”. Estes observadores destacam-se dos demais por se deslocarem de sua casa buscando ver uma ave rara. É uma atividade relativamente recente em Portugal, sendo bastante expressiva em países como o Reino Unido ou os Estados Unidos da América. Em Portugal está ainda a dar os primeiros passos”, observa Paulo Alves.

 

Jorge Santiago já saía de casa habitualmente para o seu passeio higiénico no meio da natureza, levando a máquina a tiracolo para um dos seus passatempos preferidos. Meio sem querer, apanhou com a sua objetiva uma ave rara no rio Tejo e é o mais recente alvo da curiosidade  da comunidade de “twitchers” em Portugal.

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