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Quinta-feira, Maio 13, 2021

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Tramagal festeja Dia do Trabalhador há 120 anos e só por duas vezes não celebrou o 1 de maio (C/VIDEO)

O dia 1 de maio é uma data que se confunde com a própria história do Tramagal e que se comemora há 120 anos nesta vila, pela então Metalúrgica Duarte Ferreira (MDF) e pelos seus trabalhadores, que chegaram a ser mais de 2.600. Desde 1901 e até ao dia de hoje, 1 de maio de 2021, apenas por duas ocasiões o Dia do Trabalhador não foi celebrado na vila metalúrgica. Em 1951, devido ao luto nacional pela morte do então Presidente da República, Óscar Carmona, e no dia 1 de maio de 1956, devido a um trágico acidente que ocorreu na véspera, a 30 de abril, com granadas no forno da fundição a provocarem duas violentas explosões e a causarem duas mortes e muitos feridos.

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O episódio das duas explosões que abalaram o Tramagal nos fornos da fundição, devido a granadas que iam no metal a fundir, são hoje lembrados no mediotejo.net por várias testemunhas, ex-administradores da empresa e estudiosos da Metalúrgica Duarte Ferreira. No dia 1 de maio de 1956, o dia que seria de festa foi transformado em luto, com mais de cinco mil pessoas a acompanharem o funeral dos malogrados trabalhadores da MDF.  

O Dia do Trabalhador celebra-se no Tramagal desde 1901, ano em que os operários festejaram pela primeira vez a data, colhendo flores nos campos para enfeitar as máquinas. É um caso único no país e nem as ameaças da ditadura fizeram recuar os Duarte Ferreira, que assumiram o 1º de Maio como um grande dia de festa na empresa.

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O Ministério do Interior chegou mesmo a proibir a manifestação por duas vezes, como se conta no livro “Metalúrgica Duarte Ferreira 1879-1997 – Uma história em constante metamorfose”, de Patrícia Fonseca (Ed. CM Abrantes, 2017).

Na primeira ocasião, no início dos anos 40, Eduardo Duarte Ferreira enviou o filho mais novo a Lisboa para falar expressamente com o ministro, tentando que este revogasse a decisão. Mas o governante mostrou-se irredutível, insistindo que não poderiam realizar a festa. “Estão rigorosamente proibidos!”, terão sido as suas palavras finais.

Eduardo Cordeiro ter-lhe-á respondido, segundo ficou registado num documento da empresa, de forma muito corajosa: “Pois saiba V. Exa. que nós vamos mesmo fazer a festa, porque a nossa comemoração nada tem de subversivo. Pode preparar a polícia para ir ao Tramagal prender mais de mil trabalhadores e os três administradores.” A festa fez-se, e ninguém foi preso.

Museu MDF foi inaugurado há 4 anos e um visitante pediu que não se esquecesse o dia 30 de abril de 1956. Foto: mediotejo.net

Há 65 anos, o 1º de maio foi um dia de luto e de muitas lágrimas em Tramagal. Em vez da festa tradicional realizaram-se os funerais das vítimas (Assis Januário e Joaquim da Silva Manana), num cortejo fúnebre com mais de cinco mil pessoas, segundo a imprensa da época.

A tragédia de 30 de abril de 1956 na Fundição do Tramagal foi descrita pelo Diário de Lisboa em 4 páginas do jornal. Foto: DR

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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