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Sexta-feira, Dezembro 3, 2021
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Tramagal | Falta de médicos e futuro da escola mobilizam população (c/video)

O auditório da Junta de Freguesia de Tramagal acolheu na segunda-feira uma sessão extraordinária da Assembleia de Freguesia convocada pelo Movimento Independentes Freguesia de Tramagal (MIFT), o único movimento representado naquele órgão (com 4 elementos) para além da força política mais votada, o PS (com 5 elementos). Em cima da mesa, e perante um auditório que encheu por completo e por onde passaram cerca de uma centena de populares, estavam assuntos que preocupam a comunidade da vila metalúrgica, como sejam a falta de médicos de família no centro de saúde local e o futuro da escola secundária Octávio Duarte Ferreira, sendo que a comunidade teme o seu encerramento caso não se defina uma estratégia para o futuro daquele estabelecimento escolar que este ano celebra o seu cinquentenário.

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António José Carvalho, líder do MIFT. Foto: mediotejo.net

António José Carvalho, porta-voz do MIFT, pegou na palavra ao longo das três horas que durou a sessão que solicitou, ao abrigo da Lei, e, além dos dois temas da saúde e educação, que gerou esclarecimentos e alguma discussão com elevação política, levou ainda 15 propostas que apresentou à Assembleia e ao executivo liderado por Vitor Hugo Cardoso no sentido de serem votadas e, eventualmente, incluídas e implementadas já no orçamento da junta de freguesia para 2018.

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Tal não chegou a suceder por Sandra Dias, presidente da Mesa da Assembleia, o não ter permitido, tendo alegado que as propostas chegaram apenas ao seu conhecimento na noite anterior à sessão e que os seus conteúdos necessitavam de mais tempo para serem apreciados por parte dos membros do plenário de maioria socialista, situação que surpreendeu os Independentes. Todavia, as propostas serão alvo de discussão e votação em próximas sessões de trabalho político, seja em Assembleia seja em reunião de executivo.

Sandra Dias (PS), presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia de Tramagal. Foto: mediotejo.net

Sobre a saúde e a falta de médicos de família em Tramagal, o MIFT propôs que a Assembleia de Freguesia dirija ofício à Administração de Saúde e à Câmara Municipal de Abrantes a requerer “informação esclarecedora do programa de desenvolvimento da rede de cuidados de saúde na região para os próximos anos”, e que a Junta de Freguesia “realize campanha de promoção do Centro de Saúde para incentivar à inscrição da população no médico de família, programe ações de rastreio médico e de educação para a saúde, e trabalhe no sentido de desenvolver valências como a de fisioterapia e psicologia”.

Neste ponto, a resposta e esclarecimentos, oportunos, foram dados por Helena Raquel Olhicas, da bancada do PS, enfermeira de profissão, tendo dado conta que duas médicas, uma de Valongo e uma outra de Coimbra, estariam já alocadas a Tramagal e que entrariam ao serviço na terça-feira. Lembrou que, numa população de cerca de 3600 habitantes, Tramagal tem apenas 2210 utentes inscritos, tendo apelado a que a população se inscreva no centro de saúde para que os ficheiros possam aumentar, a par do número de horas a atribuir às profissionais de saúde.

Raquel Olhicas, eleita socialista na Assembleia de Freguesia. Foto: mediotejo.net

“Hoje em dia, a um médico é atribuído um ficheiro com 1900 utentes. Neste caso, conseguimos, (com a apoio do ACES, Câmara Municipal e demais autoridades na matéria), que uma médica ficasse com um ficheiro de 1700 utentes e outra com um de 500 utentes num total de 60 horas semanais. O que precisamos agora é de atrair mais utentes, porque assim estas profissionais poderão ficar aqui a tempo inteiro”, apelou.

Na sua intervenção, e ainda relativamente ao esclarecimento aos presentes sobre a questão da saúde, “temos recursos escassos mas são valiosíssimos, afirmaria Raquel Olhicas, que destacou a importância da futura Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) que terá integrada uma Equipa de Cuidados Continuados Integrados (ECCI) para o concelho de Abrantes.

A UCC “vai ser dinamizada por uma enfermeira de Tramagal e vai também permitir dinamizar o polo de saúde” da vila. “É uma mais valia fundamental para serviços domiciliários”, destacou Olhicas.

Vitor Hugo Cardoso, presidente da Junta de Freguesia de Tramagal. Foto: mediotejo.net

Vitor Hugo Cardoso, presidente da junta de freguesia, também interviria neste ponto tendo afirmado que “tudo foi feito e tudo será feito para que não faltem médicos em Tramagal”, tendo observado, no entanto, que a questão da saúde “extravasa as competências” da junta de freguesia. Mais referiu que não concordava com o apelo aos tramagalenses para se inscreverem em Tramagal (deixando os seus atuais médicos de família, seja em Santa Margarida, Abrantes, ou Alferrarede) por, frisou, faltar estabilidade no setor da saúde e ninguém poder garantir que os médicos fiquem na região. Uma postura de cautela, tendo em conta a incerteza que o passado recente tem revelado nesta matéria, com profissionais a chegarem mas a não estabilizarem e fixarem-se na região.

Muito público presente na sessão extraordinária da Assembleia de Freguesia. Foto: mediotejo.net

António José Carvalho congratulou-se com as notícias dadas por Raquel Olhicas e questionou se a vinda das duas médicas seria uma situação que garantiria estabilidade. Obteve de Raquel Olhicas a resposta de que a questão da mobilidade interna era uma questão pertinente e importante, e que está definido superiormente que uma eventual saída destas profissionais só ocorrerá com substituição imediata por outro médico de família.

A intervenção de Raquel Olhicas revelou dados positivos que satisfizeram os eleitos do MIFT e deram esperança à população presente. Raquel haveria mesmo de apelar a que a população não fosse de madrugada para o posto de saúde à procura de uma vaga médica para atendimento porque, afirmou, a partir das 9:00 todos terão oportunidade de serem atendidos ou de marcar uma consulta.

O vereador do BE na CM Abrantes, Armindo Silveira, acompanhou a sessão de trabalhos e tomou muitas notas dos temas abordados. Foto: mediotejo.net

Escola EB 2,3/S Octávio Duarte Ferreira, que futuro?

“Considerando a urgência em preparar o futuro da escola ODF assente num novo projeto educativo a implementar já no próximo ano letivo, considerando recentes declarações do senhor diretor do Agrupamento de Escolas n.º 2 de Abrantes e da senhora presidente da Câmara Municipal de Abrantes, bem como o processo de Revisão da Carta Educativa do Concelho, propomos que a Assembleia de Freguesia constitua uma comissão com o objetivo de até ao final do presente ano civil apresentar um diagnóstico pormenorizado dos problemas existentes na escola e identificar as oportunidades de desenvolvimento da atividade do estabelecimento, em ordem a garantir a qualificação dos seus serviços”, pode ler-se na proposta apresentada e lida aos presentes por António José Carvalho, líder do MIFT.

Membros do MIFT, movimento que tem 4 eleitos contra 5 do PS. Foto: mediotejo.net

Não foi votada esta proposta, a exemplo das demais, pelos motivos já referidos e explicados pela presidente da Mesa, remetendo para uma votação posterior uma posição conjunta de criação da dita Comissão e já com ‘corpo’, leia-se, com membros definidos para convidar a integrar a mesma.

Vitor Hugo Cardoso concordou com a “necessidade de se fazer alguma coisa”, tendo lembrado que o estabelecimento de ensino “já teve cerca de 800 alunos e hoje terá cerca de 180”.

O atual executivo da Junta de Freguesia de Tramagal. Foto: mediotejo.net

Sandra Dias disse que a votação da criação de uma Comissão neste dia “não era exequível”, e que tal “carece de amadurecimento e discussão”. Por outro lado, defendeu, “definir um plano de reuniões, conversado com o presidente do Agrupamento Escolar, e concluir até ao final do presente ano é pouco rigoroso”. Nesse sentido, a presidente da Mesa assumiu o compromisso de “dar conta dos contactos feitos e a curto prazo avaliaremos a questão da criação da Comissão, o envolvimento da comunidade e como tal poderá ser feito, para depois apresentar um documento ao Ministério da Educação”.

António Carvalho insistiu na “urgência” de “encontrar um rumo, uma ideia do que a nossa escola pretende para o futuro em termos educativos”, tendo afirmado ser “arriscado esperar meses”. Sandra Dias pediu “umas semanas apenas” para “consubstanciar uma proposta que seja sólida e fundamentada”, tendo defendido a elaboração de uma “proposta conjunta a apresentar na próxima sessão”, cuja data não está definida.

Eleitos do PS na Assembleia de Freguesia de Tramagal. Foto: mediotejo.net

A sessão levaria ainda o MIFT a propor a inclusão de propostas para desenvolver em Tramagal e que sejam votadas a tempo de serem incluídas no Plano de Atividades e Investimento da Câmara de Abrantes. Vitor Hugo Cardoso (PS) diria que os projetos prioritários de investimento para a freguesia “estão a ser negociados” e que “a seu tempo” dará conta dos mesmos, afirmação que não satisfez a oposição que reclamou que “Tramagal precisa de mais e melhor investimento”. Vitor Hugo referiu que o orçamento anual da junta de freguesia é de 130 mil euros, numa localidade com cerca de 3600 habitantes, e que nem todos os projetos de investimento vêm escritos no orçamento municipal, tendo exemplificado com os 60 mil euros que a autarquia disponibilizou ao TSU para o arrelvamento do campo de futebol. António Carvalho retorquiu, pedindo mais exigência a favor do Tramagal, tendo lembrado, a título comparativo, que “a autarquia investiu mais de 500 mil euros num campo de basebol”.

Mesa da Assembleia de Freguesia é composta por 4 membros do MIFT e 5 do PS. Foto: mediotejo.net

As demais propostas, já depois de cientes que as mesmas não seriam votadas nesta sessão extraordinária por tal “não fazer parte da Ordem de Trabalhos”, foram apresentadas à Mesa, ao executivo e população presente, para posterior decisão e eventual aprovação da maioria socialista.

São elas: “proposta para que o regimento da Assembleia de Freguesia seja alterado no sentido de passar a permitir dois momentos para a intervenção do público: o primeiro, no início das sessões, para apresentação de questões não consideradas nas respetivas ordens de trabalhos e o segundo, no final das sessões, para intervenções relacionadas com a ordem de trabalhos; Proposta para aquisição de equipamento para gravação das sessões da Assembleia de Freguesia; Proposta para que as informações prestadas pela Junta de Freguesia à Assembleia de Freguesia passem a ser realizadas por escrito e comunicadas aos membros da Assembleia com antecedência relativamente à realização das suas reuniões; Proposta para que a Junta de Freguesia fique incumbida de apresentar à Assembleia, na próxima reunião, um relatório sobre a atividade da Comissão Social da Freguesia e os problemas sociais que afetam a freguesia”.

O MIFT apresentou ainda a proposta para que, “no próximo ano, depois de elaborado e discutido na Assembleia de Freguesia, seja implementado o projeto de requalificação do Largo dos Combatentes da Grande Guerra, para que seja realizada e apresentada pela Junta de Freguesia, na próxima assembleia, cartografia sobre as faixas de gestão de combustível legalmente exigíveis na Freguesia, para que seja solicitado à Câmara Municipal de Abrantes que no mais curto espaço de tempo possível as áreas urbanas da freguesia sejam delimitadas como Áreas de Reabilitação Urbana e aprovadas as respetivas operações de reabilitação”, e ainda uma “proposta para que a Junta de Freguesia reúna ou recolha informação junto dos diversos agentes dinamizadores de eventos na freguesia para elaborar uma programação anual conjunta”.

Por fim, o MIFT apresentou ainda a proposta para que “uma comissão da Assembleia de Freguesia proceda ao inventário do património público existente no território da freguesia e elabore propostas para a sua utilização”, uma outra para que “a Assembleia elabore pedido de informação ao Ministério do Ambiente sobre o estado do Rio Tejo na Freguesia e sobre a programação de ações necessárias para que a massa de água cumpra os objetivos previstos na Diretiva Quadro da Água e demais legislação nacional”, outra para que “a Junta da Freguesia diligencie junto dos SMA e Abrantáqua a obtenção de cadastro das redes e equipamentos de águas, a identificação de problemas existentes ao nível do saneamento básico na Freguesia e informação sobre plano de investimentos a realizar”, que a Junta de Freguesia de Tramagal “solicite à Câmara Municipal que no âmbito das comemorações associadas ao feriado municipal ocorram atividades e espetáculos em Tramagal”, e ainda que a Junta de Freguesia “solicite aos Serviços Municipalizados informação justificativa da opção de abastecimento de água à Freguesia a partir do Castelo do Bode”.

Mais de três horas depois de ter principiado a Assembleia Extraordinária, foi dada voz aos presentes, tendo sido registadas cinco intervenções da parte do público referindo questões diversas, como sejam denúncias de problemas ligados a questões sociais, ambiente, limpeza de árvores, escoamentos, pavimentações património, memória e segurança.

Apesar da hora tardia, a população manteve a sua presença intervindo no final, já num dia novo. Foto: mediotejo.net

Para além da denúncia de um caso de isolamento de um cidadão e com perigo de saúde pública e necessidade de intervenção humanitária, tendo sido pedida a intervenção da Comissão Social da freguesia, foi lembrada que esta foi a primeira Assembleia de Freguesia extraordinária convocada em 43 anos de democracia pela oposição em Tramagal, foi lançada a sugestão para que a autarquia diligenciasse no sentido de adquirir a casa e anexos onde habitou Eduardo Duarte Ferreira, para benefício público, e lembrado que todos os dias passam um comboio com 14 a 15 vagões com produtos químicos em Tramagal, tendo sido defendida a elaboração de um plano de ação para o caso de um acidente ou descarrilamento ali ocorrer.

Tramagal l Escola e falta de médicos em discussão na Assembleia de Freguesia

Publicado por mediotejo.net em Segunda-feira, 6 de Novembro de 2017

Texto: Mário Rui Fonseca

Fotos: Jorge Santiago

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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