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Sábado, Setembro 18, 2021

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Tramagal | Cada ninho de vespas asiáticas abatido evita a criação de 150 novos vespeiros (C/VIDEO)

A vespa asiática chegou à região do Médio Tejo e veio para ficar. O problema é “impossível” de erradicar e já não é apenas dos apicultores e das pessoas em geral, trata-se de um caso de saúde pública e de proteção de ecossistemas. Esta sexta-feira foi eliminado um ninho na vila de Tramagal e o técnico Mário Lourenço lembrou durante a operação ser “essencial” a formação para neutralizar os ninhos, quer primários quer secundários, sendo estes últimos mais perigosos pois podem albergar, cada um, até três mil vespas de onde podem sair 150 novas rainhas e originar a criação de 150 novos vespeiros.

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Erradicar o problema ou exterminar a vespa asiática “é impossível” por isso importa conseguir controlar o aparecimento de mais ninhos desta espécie invasora, que primeiramente (em 2011) chegou ao Norte do País, depressa passou para o Centro e já está no Sul, seja nos campos seja nas cidades, como o atestam os ninhos destruídos esta semana nas zonas urbanas de Abrantes e de Tramagal.

Mário Lourenço lembrou a importância da deteção primária dos mesmos, para atuar antes que as rainhas abandonem o ninho secundário para formar novos ninhos. Cada ninho secundário pode albergar mais de 150 novas rainhas, que originarão novos ninhos, todos os anos. Fazer as contas de multiplicação é, na verdade, uma autêntica dor de cabeça.

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Uma vez nas cidades, o facto desta espécie fazer ninho próximo de habitações (telhados, alpendres, garagens, churrasqueiras) leva a que as pessoas tentem eliminá-las sem recurso às autoridades competentes, o que além de perigoso “é errado”, frisou, uma vez que uma deficiente gestão de controlo pode aumentar a proliferação dos ninhos.

Mário Lourenço já destruiu dezenas de ninhos recorrendo a inseticida que injeta dentro dos vespeiros. Foto: mediotejo.net

A razão, explica, deve-se à destruição dos ninhos mas não das vespas que abandonam o ninho destruído para criar outros. Por isso, a importância da eliminação dos vespeiros ficar reservada à Proteção Civil e aos bombeiros, sendo o primeiro passo, ao avistar um ninho de vespa asiática (que difere do ninho da vespa crabro por ter entradas laterais e não no fundo do vespeiro) dar conta do mesmo na plataforma online SOS Vespa do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas. De seguida a Proteção Civil do município será informada. Caso não tenha acesso à Internet basta contactar um agente da Proteção Civil.

Só no concelho de Abrantes, a Proteção Civil Municipal, através dos serviços de Mário Lourenço, já injetou inseticida em quase 50 ninhos desde o início do ano, em todas as freguesias do concelho, mas os relatos de avistamentos de vespas asiáticas são diários e às centenas.

Significa isto que “os ninhos poderão estar perto ou nem por isso, porque uma vespa asiática afasta-se do vespeiro na procura de alimento até três, quatro quilómetros”, explicou o especialista. E a grande dificuldade é precisamente encontrar os ninhos da vespa, notou.

A vespa velutina apresenta-se com patas amarelas e tórax negro, sendo diferente da nativa vespa crabro que é ligeiramente maior que a asiática mas causadora de danos “muito inferiores”, seja na saúde pública, seja na economia, não só dos produtos resultantes da colmeia mas porque “a asiática também se alimenta de fruta”. Estima-se que 75% das culturas de vegetais dependem da polinização e existe atualmente “um decréscimo claro de polinizadores”.

Populares detetaram o vespeiro de Tramagal numa amoreira, perto das suas hortas. Foto: mediotejo.net

No caso do vespeiro encontrado por populares numa amoreira, o contacto para as autoridades estava à distância de um telefone e a Proteção Civil de Abrantes esteve na quarta-feira no local a certificar que se tratava efetivamente de um ninho de vespa asiática. Confirmada a situação, aa Proteção Civil assumiu a aniquilação do ninho e das vespas num processo que decorreu esta sexta-feira e que o mediotejo.net acompanhou.

Com uma cana impregnada de inseticida, o técnico Mário Lourenço furou o ninho e inseriu o veneno, sendo necessárias 24 a 48 horas para matar as vespas residentes, que se estima poderem chegar aos dois a três milhares. Sendo carnívoras, uma só colónia de vespas asiáticas pode comer cerca de meio quilo de abelhas por dia. Se se sentirem ameaçadas podem atacar as pessoas para defenderem o seu ninho.

Na operação importa usar fatos especiais tendo em conta que o ferrão da vespa é “extremamente fininho e tem três centímetros”, usar óculos de proteção “porque a vespa cospe e o veneno é corrosivo”, e botas altas grossas. Num adulto saudável não alérgico “20 a 25 picadas pode matar”, referiu, sendo que “cada vespa pode matar cerca de 20 abelhas por minuto” ou seja, com “alimentação voraz em apiário”.

Recorde-se que a vespa velutina entra em hibernação no outono, saindo as rainhas na primavera para formarem novos ninhos. Contudo, os especialistas alertam para a rápida adaptação desta espécie ao nosso clima, temendo que o processo de hibernação possa já não passar por todas.

Ninho de vespa asiática em Tramagal. Foto:
Décio Dias – Photography

A vespa velutina é uma espécie não-indígena, predadora da abelha europeia (Apis mellifera), encontrando-se, até há pouco tempo, circunscrita a concelhos do Norte e Centro do País. Esta vespa asiática, proveniente de regiões tropicais e subtropicais do norte da India, do leste da China, da Indochina e do arquipélago da Indonésia, ocorre nas zonas montanhosas e mais frescas da sua área de distribuição.

A sua introdução involuntária na Europa ocorreu em 2004 no território francês, tendo a sua presença sido confirmada em Espanha em 2010, em Portugal e Bélgica em 2011 e em Itália em finais de 2012.

Tramagal l Destruicao de ninho de vespa asiatica

Publicado por mediotejo.net em Sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Na época da primavera constroem ninhos de grandes dimensões, preferencialmente em pontos altos e isolados. Esta espécie distingue-se da espécie europeia vespa crabro por ser ligeiramente mais pequena, pela coloração do tórax (negro na vespa asiática) e das patas (cor amarela na vespa asiática). A vespa crabro por norma faz o ninho dentro dos buracos das árvores e nos alpendres, entre outros locais, mas a entrada para o ninho é por baixo, enquanto as entradas nos ninhos da vespa asiática são laterais.

O que fazer se encontrar ninhos ou vespas, incluindo vespa-asiática?

Se descobrir um ninho de vespa que não seja de vespa-asiática, e se este não estiver num lugar que ameace a sua segurança, pode aproveitar para observar, com calma e cuidado, o comportamento fascinante destes insetos sociais. As vespas são muito úteis na regulação dos ecossistemas e de muitas pragas, até o final do seu ciclo, nos bons tempos do outono, e poderá comprovar que não são agressivas nestas circunstâncias.

No entanto, no caso do ninho ser de vespa velutina deve avisar os serviços competentes (“contactos” no final do documento) do seu município e/ou registá-lo na plataforma internet www.sosvespa.pt. Não deve, em qualquer circunstância, tentar destruir o ninho pelos seus próprios meios. Uma vez registado no site da ICNF, a Proteção Civil Municipal terá acesso aos dados e à localização. Se não tiver acesso à Internet contacte qualquer agente de Proteção Civil daquela área, incluindo a Junta de Freguesia.

Um problema que a todos importa consciencializar sendo que todos os ninhos detetados devem ser participados ao bombeiros da sua área de residência.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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