- Publicidade -

Tramagal | Ana Gomes, uma mulher massagista no mundo do futebol (C/VIDEO)

Ana Isabel Gomes, 36 anos, concretizou o sonho de ser massagista já depois de ter casado e de ter dois filhos. O trabalho numa gráfica não a preenchia profissionalmente e fez-se ao curso, com o apoio da família. Com um gabinete em Abrantes, estreou-se este ano como massagista numa equipa de futebol de juniores do Tramagal Sport União onde diz que evoluiu profissionalmente e foi respeitada e acarinhada, num ambiente de grupo familiar.

- Publicidade -

Ana Gomes quer continuar a trabalhar num mundo quase exclusivo de homens e propostas de trabalho não lhe faltam. A massagista terapeuta foi lançada no mundo do futebol pelo fisioterapeuta António Chora Barroso, que leva mais de 50 anos ligado ao desporto e que nela viu potencial para evoluir e trabalhar nos melhores clubes da região.

O mediotejo.net esteve a acompanhar um dos últimos treinos dos juniores do TSU no campo de jogos Comendador Eduardo Duarte Ferreira, em Tramagal, onde se desenrolou esta entrevista.

- Publicidade -

Ana Isabel Gomes, 36 anos, concretizou o sonho de ser massagista já depois de ter casado e de ter dois filhos. Foto: mediotejo.net

mediotejo.net – É a primeira época que está a orientar como massagista uma equipa de futebol? Neste caso uma equipa masculina. Que balanço é que se faz? Uma mulher entre homens, como é que foi recebida e como é que desenvolveu o seu trabalho?

Ana Gomes – Olhe, fui recebida muito bem, fui bem acolhida. É uma terra com pessoas humildes, trabalhadoras, amigas do seu amigo, sabem acolher. Eu vinha na expectativa e foi boa a experiência, vinha com algumas duvidas, alguns receios, como é a primeira vez que estou neste trabalho. Mas tem corrido bem, eles têm-me apoiado imenso, têm-me ajudado e eu também tenho feito o que posso e o que consigo. Tem sido uma experiência muito gratificante para o meu trabalho, é aqui no mundo do futebol que nós vamos aprendendo e desenvolvendo a nossa profissão como massagista porque nos aparecem muitas lesões, no futebol, são muitas lesões mesmo.

Nos juniores já não é tanto como nos seniores, onde existem mais lesões, mas eles têm-se portado bem. Às vezes eles não fazem o que nós mandamos fazer, o trabalho de casa e eles não fazem, depois dizem que não estão melhor, não põem gelo, não descansam, não elevam a perna, aqueles procedimentos que eles têm também de fazer um pouco em casa. A alimentação também é muito importante e às vezes não fazem. A alimentação cuidada conta muito num atleta.

Com um gabinete em Abrantes, estreou-se este ano como massagista numa equipa de futebol de juniores do Tramagal Sport União. Foto: mediotejo.net

E são esses conselhos também que vai dando no dia a dia, ao longo da semana e depois dos jogos?

Sim, claro. Alguns também têm de tomar suplementos, para os ajudar também um pouco porque isto é uma atividade com algum nível de desgaste e têm de ser acompanhados desta forma. Tenho aqui o meu colega, o Chora Barroso, também a apoiar-me nesse aspeto e ele também me aconselha nessa área, também me tem aqui ajudado um pouco a nível de lesões. Também é a primeira vez que estou num clube e ele já tem uma maior bagagem, um maior à vontade do que eu. Ele têm-me ajudado imenso nessa parte também.

As massagistas podem ter um papel importante a entrar no relvado, numa lesão a meio de um jogo, mas não fazem milagres. Como é que se atua?

Temos de analisar bem qual é a lesão, depois ver o procedimento a fazer. O jogador também tem de ajudar nessa tarefa, em casa, naqueles procedimentos que já disse, fazer gelo, elevar a perna, descanso, também têm de nos ajudar. Se não for de ambas as partes as coisas não correm bem.

Quando à uma lesão a meio de um jogo, a Ana tem de entrar a correr, para chegar o mais depressa possível ao jogador…

Sim. Entro, abordo o jogador, para saber o que é que lhe aconteceu. O que é que lhe dói, faço logo o gelo imediatamente, é um dos procedimentos que tem logo de se fazer, é o gelo. Depois ver principalmente se ele está em condições de continuar o jogo ou não. Se eu vir que ele não está em condições de entrar no campo, digo ao treinador que ele não está em condições e é substituído.

Ana Isabel Gomes, 36 anos, concretizou o sonho de ser massagista já depois de ter casado e de ter dois filhos. Foto: DR

Portanto, tem de haver aqui uma leitura e uma análise muito rápida da situação do jogador…

Sim, isso. Se eu vir que ele está só muito cansado isso é o treinador que tem de avaliar um pouco, mas nas lesões ao abordá-lo no campo tenho de ver realmente o que é que se passou, se ele está em condições ou não e se ele tem o que precisa para continuar a ter um bom desempenho no campo.

Depreendemos que algumas lesões podem ser tratadas porque foi alguma pancada. Há algum spray?

Sim, é um spray de frio que nós costumamos pôr para aliviar a dor da queda ou da pancada, faz-se o gelo. Cãibras tem de se elevar a perna, fazer uma ligeira massagem em campo se for necessário, que já o fiz. Deve fazer-se de tudo para o jogador continuar o seu jogo, fazer o possível e o impossível, naqueles 5 minutos que eu entro em campo tem de se fazer o possível e o impossível para o jogador continuar bem até ao fim. É esse o meu trabalho.

E há trabalhos que são mais prolongados no tempo, há aqueles que requerem acompanhamento semanal e há outros que procuram a massagista na sua clinica?

Sim, depois durante a semana faço aqui a massagem, acompanho-os, duas vezes por semana aqui no campo e já se têm deslocado também ao meu gabinete, no ginásio Always Fitness, em Abrantes. Já se têm lá deslocado alguns jogadores, porque precisam e é um acompanhamento mais personalizado.

Esta é a sua praia portanto, ser massagista era aquilo que sempre ambicionou.

Sim, sem dúvida.

E esta experiência no mundo do futebol, sendo a primeira época desportiva, apanhou algum caso mais complicado e do qual tivesse conseguido ter sucesso na recuperação do jogador?

Não, não apanhei caso nenhum complicado. Foram casos muito idênticos, lesões no gémeos, é mais assim do que eles se queixam, isquiotibiais, nas coxas, é mais ou menos nessas zonas que eles se queixam e principalmente nos joelhos. Eles têm tido algumas lesões nos joelhos, devido também ao sintético, também não ajuda nesse aspeto, porque é impacto e nesse impacto depois o que sofre é as articulações. Se não houver um cuidado depois do treino ou depois dos jogos da parte deles, de pôr gelo, estou sempre a avisá-los depois dos jogos para pôr gelo, porque é um anti-inflamatório que se deve fazer sempre depois de uma queda, de uma pancada, de um trauma, deve fazer-se sempre. E eu estou sempre a avisá-los nesse aspeto, depois de um jogo, eu até deixo os sacos de gelo nos balneários, para poderem depois fazer, quem sofreu lesões. Não apareceu nenhum caso assim muito complicado. Até ver.

Para outras massagistas mulheres que nos estejam a ouvir ou a ver, que conselho é que pode dar ? Tendo em conta esta sua experiência.

É uma experiência muito gratificante, só está neste mundo quem gosta mesmo. Eu gosto desta área, gosto deste trabalho, mas no fundo tem de se ter amor a ser massagista, porque não é toda a gente que tem esta vocação e tem de se gostar imenso do que se faz, porque só assim é possível fazer um bom trabalho, e, provavelmente todas que se formam como massagistas, gostam daquilo que fazem, umas estão vocacionadas mais para outras áreas, terapêutica, relaxamento. Eu estou vocacionada para essas áreas todas, esta foi uma experiência que me proporcionaram e eu estou a adorar. O futebol, estou a adorar mesmo.

A massagista terapeuta foi lançada no mundo do futebol pelo fisioterapeuta António Chora Barroso, que leva mais de 50 anos ligado ao desporto e que nela viu potencial para evoluir e trabalhar nos melhores clubes da região. Foto: mediotejo.net

E porque é que não há mais mulheres no mundo do futebol masculino?

Provavelmente devido há falta de tempo, porque isto é uma profissão que exige um pouco de nós, muito tempo despendido, até de casa, deixamos os filhos, eu tenho dois filhos, tenho um marido, que me têm ajudado imenso. Se não fosse ele eu não estaria aqui agora, porque ele está com os meus filhos, estão em casa para eu estar aqui. Nos jogos, ao fim de semana, a mesma coisa, eu tenho de os deixar, infelizmente, mas é como eu lhes explico, eu vou porque é uma profissão que eu gosto, e estou a adorar aquilo que estou a fazer, e que está a ser muito gratificante para comigo e eles querem ver-me feliz. Por isso, eles ajudam-me nesse aspeto, mas não é fácil porque despende-se muito tempo, para uma mulher. Deixa-se muita coisa para fazer para vir para o mundo do futebol.

O trabalho e dedicação de Ana Gomes foi elogiado por toda a equipa de juniores do TSU. Foto: mediotejo.net

Ana, falou há pouco da família…foi bem acolhida e encontrou aqui uma outra família? 

Sim. Muito mesmo. Fui muito bem acolhida e sinto mesmo aqui uma grande família, tanto que eu trato-os a eles como `meus meninos´. Estão no meu coração mesmo, senti um grande apego, a eles e ao TSU também. A todos, a todos os elementos, não só os jogadores como os treinadores,  equipa técnica, presidentes. Receberam-me todos muito bem e têm-me acolhido muito bem e estão todos no meu coração. Foi uma excelente oportunidade que me deram e eu estou muito grata por isso.

E agora pode renovar por um clube, seja o TSU ou outro. Vai continuar esta experiência no futebol?

Vamos ver. Vamos ver se vou continuar, e gostava muito de continuar mas vamos ver. Tenho algumas propostas, vamos ver se vou continuar aqui ou não.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
O seu nome

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

- Publicidade -