Torres Novas/Alcanena | Moradores querem terminal de camionagem fora de Valhelhas

Comissão de Moradores da Aldeia de Valhelhas na reunião de câmara de Torres Novas de 14 de março de 2017. Foto: mediotejo.net

Um grupo de representantes da Comissão de Moradores da Aldeia de Valhelhas deslocou-se à reunião camarária de Torres Novas de terça-feira, 14 de março, para pedir o ponto de situação sobre o terminal de camionagem que, há 12 anos, funciona na aldeia. A instalação, alegam, seria provisória, mas a empresa tem aparentemente realizado obras de ampliação, mesmo tendo o alvará caducado há um ano.

PUB

Numa declaração da Comissão de Moradores, lida por um dos presentes para o executivo municipal, foi realizado um breve resumo histórico do caso. A empresa “Faria Rodrigues & Filhos, Lda” tem sede em Alcanena, mas há 12 começou a estacionar, “provisoriamente”, alguns camiões num terreno em Valhelhas, uma aldeia na freguesia torrejana de Olaia e Paço. Inicialmente eram poucos veículos pesados, mas “nesta altura têm entre 30 a 40 camiões e continuam a crescer dia após dia”.

“Como é de prever cada camião tem o seu motorista e estes deslocam-se para o local de trabalho em viaturas próprias, assim sendo as ruas de Valhelhas passaram a ser o local de estacionamento das viaturas dos motoristas e ajudantes, seis dias consecutivos por semana”, continua a declaração.

PUB

“Valhelhas deixou de ser uma aldeia para ser um sítio caótico, onde não se pode viver, com degradação dos imóveis/fissuras nas paredes, como por exemplo o muro da Igreja, a poluição dos terrenos envolventes, a poluição sonora e outros incómodos à população”, explicaram os moradores no mesmo texto.

Adiantou-se de seguida que a “empresa adquiriu um terreno com aproximadamente dois hectares a entrada de Valhelhas na rua de S.Bartolomeu junto ao 13, cuja atuação é indicadora de que quer transferir para lá o terminal de camionagem”. A empresa também terá iniciado obras de alargamento da entrada, suspensas devido a uma denúncia.

PUB

Os moradores terminaram a sua intervenção questionando sobre a licença de obras para este último terreno e se a empresa obteve a devida licença de utilização do seu parqueamento, já que o alvará de construção caducou em março de 2016. “Nós achamos que esta empresa não pode continuar a funcionar numa pequena aldeia e tem de ser transferida para uma área industrial, que à semelhança de outras Câmaras, assim procedem apoiando com incentivos à mudança”, concluíram.

Apesar das queixas dos moradores já serem conhecidas há pelo menos três anos, o pedido de ponto de situação apanhou o executivo socialista de surpresa, que não tinha as informações necessárias para esclarecer os moradores. O vice-presidente Luís Silva explicou que não havia processos de licenciamento a decorrer para a empresa de camionagem e que esta tinha inclusive comprado um terreno na zona industrial para transferir o seu parqueamento. Desconhecia no entanto os desenvolvimentos desse processo.

A situação gerou algum debate, com intervenções de toda a oposição, Henrique Reis (PSD), Ana Filipa Rodrigues (CDU) e Helena Pinto (BE). Luís Silva frisaria que se tratava de uma questão de fiscalização e não de urbanismo, apelando à denúncia destes casos. Os moradores comentaram os transtornos que a circulação contínua de camiões traz para a aldeia, referindo que chega-se ao ponto das pessoas não terem como entrar em suas casas, dado o grande número de veículos ligeiros estacionados nas ruas. A aldeia é pequena, constataram, o terminal continua a crescer e deveria ser deslocado para uma zona industrial.

O presidente da Câmara, Pedro Ferreira, terminaria a discussão a sugerir uma reunião no local, juntando população, executivo municipal e a própria empresa de camionagem, ideia que foi aceite por todos.

 

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

- publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here