Torres Novas | “Viver Almonda” quer mostrar que há um rio desconhecido no concelho

Ao todo são nove elementos que constituem a formalizada associação "Viver Almonda", com sede na Ribeira Ruiva. FOTO: mediotejo.net

Há mais Almonda para além da cidade de Torres Novas ou da poluição da ribeira da Boa Água! Há seis anos que um grupo de populares já limpa e promove atividades no rio Almonda, da nascente até a Ribeira Ruiva (cerca de sete quilómetros), mas só agora está a oficializar a sua estrutura.

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A associação “Viver Almonda” quer mostrar aos torrejanos e interessados dos desportos na natureza que há todo um potencial que o rio tem para oferecer, consciencializando também para a importância da limpeza das margens e da preservação dos recursos hídricos.

As descidas de canoa pelo rio Almonda são a atividade mais famosa do “Viver Almonda”, realizadas durante um fim-de-semana na Primavera, mas a associação quer oferecer muito mais que isso. Caminhadas, corridas, trail, cross, iniciativas de limpeza do rio e consciencialização ambiental foram já outras atividades desenvolvidas e que agora se pretende promover de forma mais oficial e regular. O rosto desta associação é Sérgio Formiga, ex-presidente da extinta freguesia de Ribeira Branca, que com uma equipa de mais oito pessoas quer mostrar um outro Almonda, mais rural, mais selvagem, e afastado da imagem da poluição.

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Afastado da poluição da ribeira da Boa Água, há um rio Almonda propício a várias atividades desportivas. FOTO: mediotejo.net
Afastado da poluição da ribeira da Boa Água, há um rio Almonda propício a várias atividades desportivas. FOTO: mediotejo.net

Encontramo-nos com a equipa do “Viver Almonda” no decorrer dos trabalhos de preparação para um Corrida/Caminhada pelas margens do rio, marcada para 20 de novembro. O grupo palmilha o terreno verificando a colocação de fitas e estacas, com informações do percurso para os cerca de 150 participantes já inscritos. Foi necessário avisar proprietários, limpar as obstruções dos terrenos, o que levou alguns dias de preparação prévia. Um trabalho nem sempre fácil, nem sempre bem recebido da parte dos proprietários, mas que mostra um percurso junto ao rio surpreendente e natural para quem desconhece o rio Almonda além do circulo urbano de Torres Novas. Apesar de alguma sujidade, canas e outros detritos que se verificam no rio, os casos de poluição são pontuais, garante a equipa.

“Há 30 anos o rio não era assim”, recorda Pedro Neves, um dos membros do “Viver Almonda”, explicando que a resolução dos problemas do rio muito se deveu ao trabalho ambiental desenvolvido ao longo das últimas décadas, em particular da empresa Renova, que está localizada junto à nascente. Hoje o rio recuperou, há peixe e só não há mais água porque pouco tem chovido até ao momento.

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O “Viver Almonda” nasceu durante o mandato de Sérgio Formiga, numa altura em que se requalificou o açude que une Ribeira Ruiva e Ribeira Branca. O mandato terminou em 2013, mas a equipa criada foi ficando e continuou o trabalho já iniciado, promovendo as descidas de canoa pelo Almonda. “Vivemos todos fora”, explica Pedro Neves, e a autarquia está agora mais longe, com a fusão de freguesias (São Pedro, Lapas e Ribeira Branca).  “Com 5/6 atividades por ano conseguimos mover a aldeia”. Promover o rio, mostrando o seu potencial, limpando-o e, se possível, chegar até Torres Novas com estas atividades.

Antes das atividades desportivas a equipa do "Viver Almonda" corre cerca de sete quilómetros do rio a verificar a limpeza e desobstrução. FOTO: mediotejo.net
Antes das atividades desportivas a equipa do “Viver Almonda” corre as margens do rio a verificar a limpeza e desobstrução. FOTO: mediotejo.net

As descidas de canoa já chegaram a reunir 200 pessoas, as limpezas das margens 80. “É um rio diferente, com outras dificuldades”, compara Pedro Neves ao Zêzere. Mais estreito, mais embrenhado na natureza, com alguns açudes que criam descidas a pique e permitem um desporto mais radical. A paisagem também é característica. “Queremos fazer uma verdadeira corrida do Almonda, saindo da nascente” e percorrendo o curso do rio, adianta.

Há ambição e projetos nesta equipa, mas é necessário também, reconhecem os vários elementos à medida que os acompanhamos na preparação do terreno para a prova, promover a consciencialização, sobretudo para a limpeza das margens. A associação fez a sua escritura dia 21 de outubro e está a terminar agora a parte burocrática. Sabe que conta com o apoio do município, mas reconhece que a autarquia tem limitações e não pode obrigar os proprietários a limpar. Neste aspeto, Pedro Neves sugere que se recupere a figura do guarda-rios. “A Câmara Municipal pode não ter poder sobre o rio, mas pode fazer esse trabalho mediador”, constata, lembrando o trabalho outrora desenvolvido por estes profissionais.

Já fora das lides autárquicas, Sérgio Formiga vai destacando o trabalho do coletivo que se formou após a sua presidência e que tem permite a sobrevivência da associação.  Salienta assim a importância de criar parcerias, nomeadamente com outras associações ligadas à natureza. “Neste momento faz todo o sentido”, defende, criando-se assim atividades que reúnam as populações e os apaixonados pelo rio.

Terminada a ronda pelos 20 quilómetros de percurso, o mediotejo.net é convidado para uma descida de canoa na Primavera. A equipa do “Viver Almonda” deixa o aviso: há um rio desconhecido que muitos não esperarão encontrar…

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