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Quarta-feira, Janeiro 26, 2022
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Torres Novas | Vale a pena ter um veículo elétrico de deservagem sem químicos?

A questão ocupou um período significativo do debate na reunião de câmara de Torres Novas de 14 de março, terça-feira. O BE havia apresentado uma proposta de “aquisição de carro eléctrico para deservagem de espaços públicos, sem recurso a produtos químicos”, semelhante ao adquirido recentemente por Tomar. O executivo socialista até mostrou concordar com a ideia, mas a viabilidade do investimento deixou dúvidas. A proposta acabaria por ser retirada para posterior decisão.

O município de Tomar adquiriu um veículo eléctrico destinado à deservagem de ruas e praças da cidade sem a utilização de produtos químicos e fitossanitários. Segundo uma informação daquela autarquia, “trata-se de um equipamento que utiliza água quente, a 180 graus, temperatura à qual é possível matar as ervas pela raiz impedindo que voltem a crescer. O veículo tem um depósito de água e uma caldeira a que está acoplada uma mangueira que termina num sistema com rodados que aplica a água nas zonas de intervenção”.

Já mencionada noutra reunião, a proposta do BE para aquisição de veículo semelhante foi finalmente a votação na terça-feira. Tanto o presidente, Pedro Ferreira, como os restantes elementos do PS consideraram a proposta “interessante”, mas colocou-se em dúvida a viabilidade prática do investimento, estimado em 40 mil euros.

“É interessante, mas não é utilizado pelos serviços para este fim”, comentaria a vereadora Elvira Sequeira (PS), explicando que apenas se faz a deservagem no cemitério e na Vila Cardílio, ficando o restante trabalho a cargo da empresa Ferrovial. Neste sentido, seria um investimento que acabaria por não ser aproveitado.

Na discussão, o vereador Henrique Reis (PSD) informaria que se havia deslocado a Tomar para conhecer a máquina, tendo falado com os trabalhadores. Comentaria que, além de já existirem máquinas novas e melhores que aquele modelo, são necessárias cerca de quatro horas de aquecimento para a máquina trabalhar apenas duas horas. Mostrava assim também algumas dúvidas quanto à viabilidade do investimento.

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Já Helena Pinto (BE) defendeu que o veículo estaria ao dispor de todos os serviços municipais, inclusive de escolas, pelo que a questão da Ferrovial não se colocava. “Era a Câmara a dar um sinal de modernidade”, defendeu.

Questionaria ainda se o município havia concorrido aos fundos europeus para aquisição de veículos elétricos. O vice-presidente, Luís Silva (PS), referiu que sim, mas não para os de deservagem, o que mereceu uma forte crítica da vereadora da oposição.

O debate alongou-se, com Luís Silva a defender a prudência na aquisição deste novos equipamentos, que nem sempre viabilizam os investimentos e as expetativas neles colocados. “É um processo novo, pouco ou nada conhecido dos nossos colegas”, tendo que ser ponderado, frisaria. O vice-presidente informou assim que os serviços municipais vão participar a 30 de março numa conferência promovida pela Quercus sobre alternativas a herbicidas e que se deveria deixar a decisão final sobre esta proposta para depois dessa data.

Após o debate, Helena Pinto acabou por concordar em retirar o tópico, deixando no entanto críticas ao facto de não se ter aproveitado os fundos comunitários para este efeito.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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