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Terça-feira, Outubro 26, 2021

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Torres Novas | Um prémio para o “poeta maior” que o país nunca reconheceu (c/vídeo)

Figura reconhecida no circulo literário e do teatro torrejano, foi uma surpresa “sem surpresa” a notícia de que António Lúcio Vieira fora escolhido como o vencedor do Prémio Literário Médio Tejo Edições, na categoria de poesia. Disso deram conta os seus amigos aquando a apresentação da obra vencedora “25 poemas de dores e amores”, no sábado, 16 de dezembro, lançada a nível nacional através da nova chancela da Médio Tejo Edições, a Origami.

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“longa e insana noite dos desassossegos

que cruz esta minha porquê estes pregos

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que silêncio é este que me cava a sorte

porque me és eterna bem mais do que a morte”

in 25 Poemas de dores e amores, pp.41

O cravo é a imagem de marca do livro de António Lúcio Vieira. É um símbolo de liberdade mas também do amor, em alguns países. Na foto, o poeta com a editora Patrícia Fonseca. Foto: mediotejo.net

“Isto é da melhor poesia que já li”, afirmaria António Matias Coelho, presidente da Associação Casa-Memória de Camões e membro do júri, ao ler o poema da página 41, o que mais o marcou, e ditaria a sua predilecção pela obra, então anónima, que venceria o Prémio Literário Médio Tejo Edições, uma iniciativa com o apoio do TorreShopping que visa revelar talentos regionais. “Eu não conhecia o António Lúcio Vieira, nunca tinha lido nada dele”, reconheceu, frisando que o que conheceu dele durante todo o processo de análise das obras de poesia a concurso foram apenas as suas palavras. “Havia outros trabalhos igualmente merecedores” da vitória, mas a obra de António Lúcio Vieira alcançaria a unanimidade.

Na apresentação do livro, António Matias Coelho descreveu o vencedor como “um poeta maior”, um “mestre da palavra”. “Não é um poeta regional, é um poeta nacional”, salientou, mas que nunca teve o devido reconhecimento.

Prémio Literário Médio Tejo edições | António Lúcio Vieira, vencedor em poesia, apresenta "25 poemas de dores e amores"

Publicado por mediotejo.net em Sábado, 16 de Dezembro de 2017

A mesma opinião foi partilhada pelo músico Pedro Barroso, presente na apresentação e autor do prefácio da obra, que o consideraria “um caso enorme de injustiça no tecido cultural” literário. “Fiz tertúlia com muitos poetas famosos que não têm a profundidade deste homem”, afirmou. “O António Lúcio Vieira é uma figura maior, é um poeta maior da poesia portuguesa”, com um “domínio da língua que não é vulgar”.

“O António Lúcio Vieira não precisava de ser descoberto. Mas precisava de ser acarinhado e precisa, com toda a certeza, de ser mais promovido, para que o seu talento possa ser reconhecido a nível nacional”, salientou Patrícia Fonseca, editora da Médio Tejo Edições, admitindo que o nome do poeta era desconhecido de três de quatro membros do júri.

Também presente na ocasião, o presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira, recordaria um amigo que é “como um irmão” e que possui um “dom” há muito reconhecido pelos que o rodeiam.

António Lúcio Vieira descreveria o livro como a sua “melhor poesia” e “a mais madura”, sendo que os poemas desta obra foram todos escritos nos últimos dois anos. Na sua intervenção lembrou que esteve às portas da morte, não tendo ido receber o prémio no Torreshoping quando este foi anunciado, em setembro passado, e que chegou a pensar que esta acabaria por ser uma obra póstuma. Não foi e encontrou um auditório composto no sábado, na Biblioteca Municipal de Torres Novas, onde vários amigos declamaram alguns dos seus poemas.

O poeta é conhecido em Torres Novas sobretudo pelo seu trabalho como dramaturgo, tendo ainda trabalhado como jornalista no jornal local O Almonda. O seu primeiro livro de poesia data de 1974, publicando várias outras obras ao longo da vida. Natural de Alcanena, vive em Torres Novas desde a juventude. E é nesta cidade que, promete, continuará a escrever, fintando a solidão das noites e as agruras dos dias.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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