Torres Novas | TorreShopping reabre com satisfação dos consumidores mas receios dos lojistas (c/vídeos)

Na segunda-feira, 1 de junho, o centro comercial de Torres Novas, o TorreShopping, abriu portas ao público depois de meses de confinamento. Com uma lotação prevista de 770 pessoas e várias medidas de segurança aplicadas, com uso obrigatório de máscara no interior e dispositivos de álcool-gel espalhados um pouco por todo o espaço, a estrutura encontra-se equipada para enfrentar o novo normal do pós-Covid. No primeiro dia o movimento foi significativo, com os clientes a acorrerem ao espaço sem grandes receios e atraídos pela abertura da FNAC. Da parte dos lojistas teme-se, porém, um resto de ano ainda bastante incerto.

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Foi a primeira vez que Catarina Neves saiu do Entroncamento em quase três meses. A nova loja FNAC, que abriu também na segunda-feira no TorreShopping, fê-la ganhar iniciativa de ir ao espaço na segunda-feira. Embora com algum receio, o uso de máscaras e as restantes medidas de prevenção do centro comercial pareciam deixá-la mais tranquila. “Está tudo bem”, acabou por comentar.

Reabertura do TorreShopping, Torres Novas. Responsável Joaquina Romão

Publicado por mediotejo.net em Segunda-feira, 1 de junho de 2020

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Já Luísa, residente em Torres Novas, precisou de ir ao AKI e circulava pelo centro comercial na manhã de reabertura. “Está tudo ótimo, não tenho receio”, comentou ao mediotejo.net, quando interpelada sobre as medidas se segurança.

Não obstante toda a gente entrasse de máscara, o ambiente era de relativa descontração no TorreShopping, com os clientes a circularem por núcleos familiares e mantendo, dentro do possível, o distanciamento social. Na zona de restauração as mesas foram marcadas e distanciadas, por forma a que haja distâncias de segurança. O próprio centro comercial possui controlo de entradas, para que se limite o acesso em caso de enchente (a lotação é de cerca de 770 pessoas). Os comerciantes também tomaram as suas medidas de precaução, como a instalação de máquinas de pagamento e troco automático, nomeadamente no café do hall de entrada, limitando a interação mesmo com dinheiro.

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Mas a reabertura das lojas não trouxe total tranquilidade aos lojistas, que ainda se debatem com as incertezas provocadas pela crise pandémica. Na Decenio, Elisa Gouveia vive “um dia de cada vez”. A loja adaptou-se às medidas de prevenção, possuindo um desinfetante para a roupa que for experimentada sem ser comprada. Apesar do movimento na manhã de segunda-feria, a loja estava vazia. “Já não somos uma marca de muita afluência, mas preocupa-nos um pouco” o futuro, refletiu ao mediotejo.net. A retoma, acredita, será lenta e “possivelmente já não vamos recuperar” o ano.

Loja FNAC abriu esta segunda-feira em Torres Novas. Gerente de loja, Paulo Alves

Publicado por mediotejo.net em Segunda-feira, 1 de junho de 2020

A mesma preocupação era partilhada por Paulo Oliveira, da Nutrifrescos, constatando que o negócio vai mal e as pessoas continuam muito assustadas. “Tenho uma loja em Alcanena que abriu há 15 dias”, adiantou, e o negócio está muito fraco. “Isto da retoma vai ser muito devagar”, refletiu.

Para o gerente de loja, as medidas de prevenção do Covid-19 são bem vindas, mas considerava que se estava a cair no exagero e havia até ações sem qualquer sentido. “Há medo”, frisou.

O cenário de Lisboa, onde vários centros comerciais acabaram por não reabrir na segunda-feira devido ao aumento de casos de Covid-19, preocupa a responsável do TorreShopping, Joaquina Romão, razão pela qual toda a estrutura fez os possíveis por responder às medidas de segurança. Entra-se de máscara e mesmo nas casas de banho foram reforçados os mecanismos de limpeza. Botões, corrimãos, multibancos, casas de banho estarão continuamente a ser limpos e desinfetados, adiantou.

Na área da restauração as mesas estão marcadas e afastadas Foto: mediotejo.net

“Se tivermos em conta que hoje é uma segunda-feira e a maior parte das pessoas já puderam ir trabalhar, está a correr muito bem”, refletiu sobre a afluência de segunda-feira. “Havia muita vontade e muita expetativa em relação à abertura da FNAC”, constatou, referindo porém que os picos de afluência são sobretudo ao fim do dia. “Nessa altura será o grande desafio” de gerir entradas e saídas.

Em relação ao resto do ano, Joaquina Romão considera que, dada a localização do TorreShopping, este poderá beneficiar com o turismo ao interior do país que se poderá vir a verificar. “Obviamente vivemos tempos de incertezas, é gerir um dia de cada vez”, considerou, reconhecendo que a grande preocupação dos lojistas é a lenta retoma económica.

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Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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