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Segunda-feira, Dezembro 6, 2021
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Torres Novas | Situação financeira dos Bombeiros Voluntários “começa a ser preocupante”

Com cada vez menos voluntários, para manter o socorro operacional 24 horas por dia foram aumentando os custos com contratações para reforço do quadro de pessoal permanente.

Na última reunião do executivo camarário de Torres Novas, Pedro Ferreira (PS), presidente da autarquia, indicou que a situação financeira dos Bombeiros torrejanos “começa a ser preocupante” e que o número de voluntários está a decrescer. Esta situação motivou uma reunião, na segunda-feira, dia 8 de novembro, entre o executivo municipal e a direção da Associação Humanitária Bombeiros Voluntários Torrejanos (AHBVT).

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Na reunião da Câmara Municipal, Pedro Ferreira indicou a preocupação com a situação financeira dos Bombeiros Voluntários torrejanos, por variados motivos, relembrando que tem existido um aumento gradual do apoio municipal a esta entidade, cuja verba já subiu de 7.500 euros para o valor atual de 10 mil euros por mês.

Na sessão foram depois aprovadas (por unanimidade) duas comparticipações no valor de 52.900 euros (para despesas com reparação de viaturas e aquisição de material) e 1.088,48 euros (para pagamento de refeições aos bombeiros que integraram o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais) a atribuir à AHBVT, ao abrigo do protocolo de colaboração entre a esta associação e o município torrejano.

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Ao mediotejo.net, o vereador Tiago Ferreira (PSD), que é também membro do Conselho Fiscal da AHBVT, explicou que atualmente as exigências do socorro são muito grandes e com muitas responsabilidades, “pelo que para se conseguir manter o socorro, a AHBVT tem de recorrer a bombeiros que no fundo fazem um trabalho de profissional”, sendo que é bastante difícil para a AHBVT, com os voluntários que tem, manter o socorro operacional 24 horas por dia.

“Daí a necessidade de ter de haver um reforço nos quadro do pessoal dos bombeiros e ter equipas permanentes, e isso gera um custo a nível de pessoal muito alto. Estamos a falar de quarenta profissionais a quem é preciso conseguir garantir os ordenados”, explica Tiago Ferreira.

Uma vez que a Câmara Municipal tem algumas competências na área da proteção civil, a AHBVT recorre aos apoios que a Câmara pode conceder. Para manter esta atividade, Tiago Ferreira diz que é realmente necessário o apoio da Câmara, assim como que as empresas e as pessoas se envolvam com a associação e a continuem a apoiar, pois “cada vez mais as exigências são maiores”.

Os Bombeiros Voluntários Torrejanos contam com um total de 207 bombeiros, mas apenas 76 se encontram no quadro ativo. Foto: DR

O presidente da Câmara mostrou-se igualmente preocupado com o decrescente número de voluntários a integrar a corporação. Segundo uma recente publicação da AHBVT, que celebrou em outubro 90 anos de existência, a corporação conta com um total de 207 bombeiros, sendo que 4 constam do quadro de comando, 25 do quadro de honra e 78 do quadro de reserva, e existem ainda 24 bombeiros que se encontram noutras situações.

Assim sendo, dos 207 bombeiros da corporação apenas 76 figuram no quadro ativo de voluntariado (dos quais 40 são igualmente assalariados). Geograficamente, 71 destes bombeiros são do concelho de Torres Novas, distribuindo-se pelas freguesias de Assentis (4), Brogueira, Parceiros de Igreja e Alcorochel (3), Chancelaria (2), Pedrógão (1), Riachos (6), Santa Maria, Salvador e Santiago (15), São Pedro, Lapas e Ribeira Branca (39) e Zibreira (1). Cinco bombeiros do quadro ativo são de outros concelhos.

Em 2020, os Bombeiros Voluntários Torrejanos realizaram 11.552 serviços e apoio em 4.021 emergências hospitalares, 118 acidentes e 231 incêndios. O número de associados era de 8 mil.

Após a reunião camarária, e na sequência da publicação de algumas notícias, o presidente da Câmara Municipal de Torres Novas emitiu um comunicado onde reforça que, independentemente dos problemas, “o socorro à população não está em causa, uma vez que o mesmo é garantido pelo Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro (SIOPS), um instrumento global e centralizado de coordenação e comando de operações de socorro”.

O autarca sublinhou que “este sistema permite que, em caso de indisponibilidade temporária ou permanente dos bombeiros locais, o socorro à população seja prestado por corporações vizinhas, como já acontece atualmente em casos esporádicos, nomeadamente quando sucedem ocorrências em simultâneo num determinado território”.

*notícia atualizada a 11 de novembro, com informação adicional enviada em comunicado pela Câmara para todas as redações.

Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo. Ávido leitor, não dispensa no entanto um bom filme e um bom serão na companhia dos amigos.

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2 COMENTÁRIOS

    • O comunicado da Câmara não é uma “resposta” à nossa notícia, que foi escrita de forma rigorosa, ouvindo todas as partes e enquadrando o problema. Há outros jornais na região, procure os títulos e verifique… Além disso, depois de termos recebido na redação (como todos os jornais) esse comunicado, acrescentámos ainda uma citação do presidente aí contida, precisamente sobre a forma como o socorro urgente é assegurado a nível distrital, independentemente dos problemas que possam surgir pontualmente a nível concelhio. É uma evidência que decorre do sistema de emergência nacional, mas acrescentámos a informação, ainda assim, porque criar medo e atrair leitores ao engano não faz parte do ADN deste jornal.

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