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Sexta-feira, Setembro 24, 2021

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Torres Novas | Sinalização horizontal da nova ciclovia divide opiniões na cidade (c/áudio)

A primeira fase da construção da nova ciclovia de Torres Novas, uma obra que ronda os 250 mil euros, apoiada a 85% por fundos europeus, está a gerar controvérsia na cidade torrejana. A parte mais visível da empreitada atual é a sinalização horizontal, a qual, em cores fortes e com liberdade criativa, levantou fortes críticas sobre o impacto que terá na circulação de trânsito.

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Desde que começou a ser pintada a nova ciclovia de Torres Novas, na sua primeira fase de seis quilómetros (terá 18 quilómetros no final do projeto) que as críticas têm dominado as redes sociais e alguma comunicação social local. O facto desta fase da obra ter custado cerca de 250 mil euros e não parecer trazer nada de novo além da marcação das estradas foi a primeira questão a surgir. Mas, entretanto, o que tem gerado ruído é a própria liberdade criativa nas pinturas rodoviárias.

Para o presidente da Câmara, Pedro Ferreira, a ideia é organizar a circulação de ciclistas e dar-lhes mais segurança, frisando que tudo está a ser feito dentro das normas. 

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ÁUDIO | PEDRO FERREIRA, PRESIDENTE CM TORRES NOVAS

Numa nota informativa do município é mencionado que estão a ser sinalizadas as áreas de coexistência, com tráfego partilhado entre bicicletas e automóveis, que contemplam a aplicação de chapas metálicas identificativas, ‘Shared Lane Arrows’ ou ‘Sharrows’ (pinturas no pavimento).

Esta fase da obra contempla também a implementação de quatro docas de bicicletas elétricas em sistema de partilha, com 20 bicicletas eletricamente assistidas e estacionamentos para bicicletas convencionais.

“Trata-se de uma sinalética que indica que nos encontramos numa zona onde é de esperar encontrar pessoas a circular de bicicleta. Identificam áreas da rede ciclável que não são exclusivas para a bicicleta e são colocadas para indicar que automóveis e bicicletas partilham o espaço da via”, esclarece.

Conforme continua a mesma informação, “em todo o lado é suposto haver essa partilha da estrada e haver cumprimento da lei e respeito mútuo, mas esta sinalética vem lembrar e reforçar essa ideia. O Sharrow aplicado foi concebido com alusão à identidade territorial, com referência às torres do Castelo de Torres Novas e as cores identificam trajetos do grafo da rede, ou seja, são referentes a diferentes circuitos”.
 
Projeto para a ciclovia da cidade de Torres Novas. Foto: CM Torres Novas
Segundo informação do portal de contratação pública Base.gov, esta obra foi contratualizada em janeiro à empresa Construções António Leal, uma sociedade anónima, por 257.985,07 euros, acrescido do IVA à taxa legal em vigor. O prazo de execução da obra é de 180 dias.
 
Em declarações ao mediotejo.net, Pedro Ferreira explicou que a sinalização horizontal contempla apenas 16 mil euros de todo o orçamento e foi feita segundo as normas da sinalização de trânsito, não obstante se tenha aproveitado a liberdade criativa possível. “Estamos a cumprir todas as normas em relação a isso”, sublinhou.
 
Os riscos aos ziguezagues representam as torres, símbolo de Torres Novas, mas também pretendem remeter para a questão da saúde, numa alusão ao ritmo cardíaco. “Alguém lhe chamou arte urbana”, refletiu, admitindo que a ideia de fusão das torres com o ritmo cardíaco lhe agradou. “É bom fazer pensar as pessoas”, defendeu.
 
De uma forma geral, o objetivo é promover práticas saudáveis, nomeadamente a circulação de bicicleta, preservando também a questão da segurança. Assim, quem circula de carro ficará mais alerta para o facto de partilhar a via com ciclistas. “Isto é uma aposta para o futuro, uma aposta para os jovens”, frisou.
 
Numa segunda fase da obra, adiantou, serão criadas efetivamente ciclovias nas avenidas principais da cidade e circundantes, inclusive no sentido do Entroncamento. 
 
Desenhos e cores chamaram a atenção da população e as opiniões dividem-se. Foto: CM Torres Novas
Mesmo que esteja dentro das normas, nem toda a gente concorda com o modelo escolhido. Na página de Facebook do município é possível ler alguns comentários de crítica, como por exemplo: “Lamento informar o município de Torres Novas mas qualquer sinalética fora do estabelecido no regulamento de Sinalização e Trânsito não só é completamente inútil como causadora de confusão aos condutores e utentes da via assim como se torna um completo desperdício de dinheiros públicos. Esse dinheiro bem aplicado a resolver a sinalética da responsabilidade da Câmara, a resolver os locais de acidente na área de responsabilidade da Câmara (acidentes que só se dão por ausência de ou deficiente sinalética – por exemplo EN243 junto à fabrica do álcool em Riachos, situação que se arrasta desde 2004) seria mais bem empregue. Faz falta em todas as Câmaras Municipais alguém que assuma o pelouro do Trânsito mas que realmente saiba o que está a fazer inclusive no IEP pois algumas das nossas Estradas Nacionais também deixam muito a desejar”.
 
Noutro comentário pode ler-se: “Na realidade, por uma ação ser repetida várias vezes e, em diversos locais, não a torna mais ou menos correta. Esquecem os entendidos nesta ação e/ou nas pinturas que, a tinta que colocam no asfalto retira aderência ao pneu do veículo do motociclista e, se ele tiver que travar em cima dessa tinta, cai ao chão. E depois, de quem é a responsabilidade? Seria ótimo precaver esta situação!”.
 
Ou ainda: “Faltam as medidas de acalmia de tráfego. Os desenhos na estrada são insuficientes. Uma boa forma de medir a segurança das rodovias é pedir a quem as desenhou/construiu mandar o seu/sua filho/filha ou neto/neta de 12 anos utilizar, sozinho/a a ciclovia durante uma semana em diferentes horas do dia. Se a pessoa que desenhou/construiu aceitar fazer isso, então é provável que a ciclovia seja segura.”

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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2 COMENTÁRIOS

  1. Sou torrejana e acho que é um projeto sem pés nem cabeça.
    A cidade e o concelho precisa de intervenção em muitas áreas e o que se vê aqui é dinheiro deitado fora. Não apoio e sou contra

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