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Torres Novas | Riachos tem 20 alunos em ensino presencial por falhas na internet e na aprendizagem

As deputadas da Assembleia da República pelo Bloco de Esquerda, Catarina Martins e Fabíola Santos, visitaram na quarta-feira, 17 de fevereiro, o Centro Escolar de Riachos, em Torres Novas, escola que é a referência no distrito de Santarém no ensino bilingue. A instituição mantém os alunos com surdez mais severa com aulas presenciais e tem recebido alunos que não conseguem aceder à internet. A escola iniciou entretanto um plano de intervenção, dada a identificação de um conjunto de estudantes que estão a mostrar muitas dificuldades com o ensino à distância. No total são 20 crianças, entre pré-escolar e 2º ano, que continuam a ir à escola.

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No início houve resistência, “mas gradualmente muitos pais foram ligando para a escola a perguntar se havia possibilidade de receber o filho”, explicaram às deputadas vários elementos da equipa de coordenação do Centro Escolar de Riachos e da direção do Agrupamento de Escolas Artur Gonçalves. O impacto é muito maior agora que no primeiro confinamento, referiram, na medida em que também as empresas fazem mais pressão sobre os trabalhadores.

Neste centro escolar, que alberga 215 alunos do pré-escolar ao 4º ano, o ensino à distância deste segundo confinamento tem-se pautado sobretudo por falhas de rede de internet, com alunos cuja transmissão cai continuamente. Sobretudo nas zonas de Brogueira e Alcorochel, comentam as professoras, estes problemas são mais evidentes. Noutros casos, as crianças andam a saltar entre as casas de tios e primos para conseguir assistir às aulas. Há pelo menos dois alunos que, devido à falta de internet, vão ter aulas à escola, foi mencionado.

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Durante a visita, a internet também caiu. A escola tem o mesmo problema de sobrecarga na rede que os alunos. “Nas aulas síncronas está sempre a cair”, comentou uma docente.

Sendo uma escola bilingue, há ainda três alunos surdos do pré-escolar que continuam a ir assistir às aulas presenciais. Vêm de táxi de Abrantes e Entroncamento, havendo também um de Torres Novas. Nestes casos de surdez severa (há mais três, mas mais moderados, que estão em casa), constata a coordenadora do Centro Escolar, Ana Paula Santana, ao mediotejo.net, a aprendizagem só funciona sendo presencial, uma vez que as crianças estão a aprender as bases da língua gestual portuguesa. Há apenas um caso a tentar as aulas à distância, mas por motivos familiares.

Fora estas situações, a escola decidiu ainda apostar num “plano de intervenção”, focado em crianças que estão a ficar com atrasos na aprendizagem devido às aulas à distância, nomeadamente na leitura e escrita. “São crianças que já apanharam o primeiro confinamento e agora estão com problemas. Foi feita uma análise e abordámos os pais. Eles aceitaram, compreenderam e até agradeceram”, adianta a responsável.

Neste caso, as crianças foram divididas em dois grupos, de 1º e 2º anos, e vão à escola três vezes por semana, das 09h00 às 12h30.

BE pede investimento para que ensino presencial seja possível com segurança. Foto: mediotejo.net

Todas estas situações foram abordadas às duas deputadas, que quiseram conhecer as dificuldades sentidas pela comunidade escolar neste novo confinamento, sobretudo numa instituição com um foco particular em alunos com necessidades especiais. Catarina Martins frisou a necessidade do regresso do ensino presencial, apelando ao Governo para que se criem as condições para esse efeito, dado que o processo de vacinação contra a Covid-19 ainda vai demorar.

BE pede investimento para que ensino presencial seja possível com segurança

A coordenadora do BE, Catarina Martins, desafiou hoje o Governo a fazer o investimento que possibilite adaptar a escola para que o ensino presencial seja possível com segurança, ou seja, com mais recursos, mais espaços e desdobramento de turmas.

Catarina Martins visitou esta tarde o Centro Escolar dos Riachos, em Torres Novas, uma escola de referência para alunos surdos, com o objetivo de “chamar à atenção para as dificuldades do ensino à distância”.

Um dos problemas prende-se com a falta de internet ou sinal muito fraco da mesma em muitos pontos do país, considerando a coordenadora bloquista “preocupante que não tenha sido feito nada de estrutural” para resolver o problema durante esta fase da pandemia e classificando de “absurdo” o silêncio da ANACOM e do Ministério da Economia.

Em relação ao funcionamento das escolas, na perspetiva de Catarina Martins, “a escolha não pode ser entre uma escola como acontecia há dois anos antes da pandemia ou fechar a escola” e a solução passa por “reinventar o espaço e a experiência da escola para permitir com segurança que as escolas estejam abertas quanto antes” com turmas mais pequenas, mais pessoal docente e não docente e capacidade de ter espaços para as crianças.

“É possível adaptar a escola para que haja ensino presencial todo o ano com condições de segurança e esse apelo para que o investimento não fique esquecido que fazemos agora”, desafiou.

Segundo a coordenadora do BE, “o que o Governo devia ter feito”, tal como prometeu, é “precisamente preparar as escolas para esse modelo de ensino que pudesse ser mais seguro mesmo em período pandémico”.

Catarina Martins esteve hoje em Riachos onde disse esperar que não haja mais atrasos nos apoios aos pais. Foto: mediotejo.net

“O apelo que nós fazemos é para que esse investimento seja feito agora. Não é tarde demais. As escolas não têm de estar de abertas como noutra altura qualquer, precisam sim de mais recursos, mais espaços, de poder desdobrar as turmas”, explicou.

Catarina Martins deixou claro que seria inaceitável “que se perdesse mais um ano letivo com esta falsa dicotomia” que descreveu como “ou a escola como se nada fosse ou a escola encerrada”.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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