Torres Novas | Rambouillet, a orgulhosa geminação de um abrantino

No caminho para as cerimónias da Batalha de La Lys, a comitiva torrejana estaciona em Rambouillet, município da região de Paris (Íle-de-France), com cerca de 27 mil habitantes, que se encontra geminado com Torres Novas desde 2011. O responsável por esta ligação é um natural de Abrantes, Carlos Parreira, que vem receber com alegria os conterrâneos de Portugal. Elemento dinâmico do associativismo de Rambouillet, Carlos Parreira tem orgulho em afirmar que os portugueses são elementos ativos e muito bem vistos entre a comunidade.

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O edifício da Câmara Municipal de Rambouillet foi mandado construir no século XVIII pelo rei guilhotinado Luis XVI, com a primeira função de Palácio da Justiça. A estrutura foi ocupada no período revolucionário, mas seria Napoleão Bonaparte a entregá-la oficialmente à população para fins municipais. O estilo neo-clássico confere-lhe solenidade e elegância, reconhecendo-se de imediato na já pitoresca “ville” de Rambouillet, pequena cidade tão característica que parece saída de um conto dos Irmãos Grimm.

“E ali à frente, a bandeira de Portugal”, aponta Carlos Parreira ao explicar os primeiros pontos de interesse locais. Efetivamente, um conjunto de bandeiras perfilam-se frente à Câmara, fechando a disposição a bandeira de Portugal.

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Poucos metros mais à frente encontra-se o Castelo de Rambouillet. Diz a história que se trata de um solar do século XIV transformado num grande Castelo dentro dos bosques locais. No século XVIII o rei Luis XVI comprou a propriedade, tendo mandado construir para a rainha Maria Antonieta uma leitaria. Napoleão passou por estas paragens a caminho do exílio. Hoje é um edifício do governo francês, mas possível de ser visitado, com um extenso parque púbico.

Castelo de Rambouillet Foto: mediotejo.net

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Todos estes aspetos – a dimensão do território, o Castelo, a vida rural – contribuíram para que Carlos Parreira, então presidente do Comité de Geminação local, na impossibilidade de estabelecer uma parceria com Abrantes devido a geminações já existentes, procurasse um outro município para estabelecer esta ligação. No distrito de Santarém descobriu em Torres Novas o parceiro ideal, ao qual se juntava a sua boa localização.

Carlos Parreira chegou a França em 1970. Natural de São Vicente, Abrantes, estivera “dois anos e dois meses” em Angola e sentia na época o “espírito da aventura”. Nas vésperas de um grupo partir para França, decidiu integrá-lo. Não pensava tornar-se emigrante. “O passador prometera-nos trabalho, mas chegámos e não havia nada”, recordou ao mediotejo.net.

O grupo andou inicialmente por Paris, tratando dos papéis para poder trabalhar. Como Carlos Parreira tinha familiares já em França, acabou por ir parar a Rambouillet, onde arranjou trabalho como mecânico, a sua profissão. Inicialmente trabalhou 20 anos numa transportadora de mármore. Ao longo do tempo acabaria por se tornar condutor internacional noutras empresas, sendo a sua última ocupação o transporte de carros da marca Renault. Reformou-se em 2010.

Com ocupação desde o início da Idade Média, Rambouillet é uma cidade típica francesa Foto: mediotejo.net

Entretanto, começara a experimentar a vida associativa. Em 1988 tornou-se presidente da associação Amicale Franco-Portuguesa. No Comité de Geminação, associação que funciona de forma independente da Câmara Municipal e do qual é atualmente presidente honorário, criou a parceria com Torres Novas. Envolve-se nas festas e bailes locais, tendo sugerido várias candidatas luso-descendentes a “Rainha” da cidade, tendo muitas obtido já esta vitória.

Conforme relatou ao mediotejo.net, a comunidade portuguesa em Rambouillet é extensa, espalhada também pelos arredores. “Nunca imaginei estar ligado à vida associativa”, admitiu, mas quando as oportunidades surgiram avançou. “Tenho muito orgulho na presença que os portugueses têm cá: somos muito bem considerado”, salienta, destacando a boa integração na vida local.

Hoje com 71 anos, continua a afirmar-se português. Nunca se naturalizou, pelo que não pode votar em França. Porém, salienta, a condição de emigrante “não me impede de participar”.

Geminação tem criado intercâmbios culturais e projetos futuros

Rambouillet possui atualmente cinco geminações, algumas com décadas, sendo Torres Novas a mais recente. Para o presidente desta Câmara, Marc Robert, as potencialidades de intercâmbio com o município português são imensas. “É uma geminação que funciona naturalmente bem, porque temos muitos portugueses” no concelho, constatou ao mediotejo.net.

Presidente de Rambouillet, Marc Robert, e Elvira Sequeira protagonizaram a cerimónia de receção da comitiva torrejana, reiterando as vontades comuns de intercâmbio Foto: mediotejo.net

Marc Robert frisou o bom acolhimento que recebeu quando esteve em Torres Novas. “A cultura é muito próxima”, salientou, partilhando-se os mesmos valores. “Temos as mesmas vontades de intercâmbio”, passando este até ao momento sobretudo pela vida cultural, mas com várias outras potencialidades a ser desenvolvidas.

Desta mesma vontade nos deu conta Jean Yves, atual presidente do Comité de Geminações. Há o objetivo futuro de criar interligações entre as corporações de Bombeiros e já houve um contacto para que um de liceu de Rambouillet possa visitar o seu congénere de Torres Novas em 2019, num espírito de intercâmbio. A nível musical já houve visitas de associações de Torres Novas ao município francês.

No futuro, “queremos também apostar no intercâmbio desportivo”, adiantou Jean Yves.

Comitiva torrejana recebida na Câmara de Rambouillet. Presidente Marc Robert e vereadora Elvira Sequeira. Presidente Pedro Ferreira não conseguiu chegar a tempo

Publicado por mediotejo.net em Sábado, 7 de Abril de 2018

No sábado, 7 de abril, a comitiva torrejana foi recebida na Câmara de Rambouillet, numa receção organizada para o momento. O presidente Marc Robert deu as boas vindas aos portugueses, lembrando a partilha de objetivos comuns e o percurso que este fazem no objetivo de homenagear os mortos de La Lys.

Na ausência do presidente de Torres Novas, Pedro Ferreira, cujo avião chegava a uma hora mais tardia, a vereadora Elvira Sequeira agradeceu o acolhimento. Os torrejanos encontram-se hospedados na casa de habitantes locais.

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Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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