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Domingo, Maio 16, 2021

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Torres Novas | Quando o blues se revela uma experiência alegre

O blues sente-se, tem alma própria desde os anos em que apareceu do outro lado do Atlântico e essa alma nem sempre é melancólica. Um concerto pode revelar-se numa ode ao lado positivo da vida, um forte antidepressivo para os tempos que correm, e foi isso que descobrimos na conversa que tivemos com Budda Guedes sobre o espetáculo “The Blues Experience”, que junta os Budda Power Blues e Maria João no palco do Teatro Virgínia, de Torres Novas, este sábado, dia 4.

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O que começou por ser um convite pontual de Budda Guedes, vocalista e guitarrista dos Budda Power Blues, a Maria João para um concerto num festival de Lisboa acabou por se transformar noutros concertos pelo país e, mais recentemente, no trabalho discográfico “The Blues Experience” que foi lançado oficialmente na sexta-feira, dia 3.

A digressão de apresentação arranca esta quinta-feira no Centro Cultural de Belém (Lisboa) e o segundo espetáculo realiza-se em Torres Novas, no Teatro Virgínia, no próximo sábado, revelando os temas do álbum com a voz de Maria João, ora a solo, ora em dueto com Budda Guedes, que junta a sua guitarra ao baixo de Pedro Ferreira e à bateria de Nico Guedes.

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Conversámos com Budda Guedes para conhecer esta experiência inovadora do blues em Portugal e aquilo que o público pode esperar no próximo fim-de-semana, começando pela motivação do convite feito pelo trio elétrico de blues com “um pé muito forte no british blues e o rock, quase, de Zeppelin e de Hendrix” a um dos nomes grandes do jazz português.

Maria João foi a escolha óbvia, não tinham plano B, devido ao que diz ser a sua forte “capacidade de improvisação e adaptação”, aliada à “loucura” para partilhar o “risco” com a banda que se assume como tudo menos “tradicional” de fazer “algo mais por um estilo que gostamos imenso” ao mesmo tempo que mostram o lado “acolhedor e hospitaleiro” do blues.

O resultado não foi um álbum de fusão entre o blues e jazz, mas uma fusão entre “a Maria João e os Budda Power Blues”, unidos pela cumplicidade descoberta nos ensaios em casa da cantora e que não se prende aos primórdios do blues, no outro lado do Atlântico. Budda Guedes salienta que enquanto “cidadãos do século XXI”, compete-lhes fazer “algo que reflita o século em que vivemos e não tentarmos replicar o que eles fizeram naquela altura, até porque falharíamos sempre”.

No álbum “The Blues Experience”, o blues afasta-se dos moldes iniciais e canta-se sobre “o que é ser português e fazer blues em Portugal e os dias de hoje”, mas não só. A honestidade e a sinceridade que Budda Guedes defende que a música deve ter estão presentes tanto no single promocional “I feel so blessed”, como nas restantes faixas, transparecendo a intimidade que se partilha em cada tema.

A participação de Maria João no novo álbum veio “corrobar” esta postura autobiográfica dos Budda Power Blues em trabalhos anteriores, alimentada pela certeza de que os quatro têm “alguma coisa a dizer em conjunto”. Algo a dizer sobre si próprios e sobre o estilo musical que foi ganhando novas vertentes com o passar dos anos, ainda desconhecidas por muitas pessoas que continuam a associá-lo a Muddy Waters, Robert Johnson ou BB King e só percebem que são “amantes” do blues depois de assistirem a um concerto.

“The Blues Experience” também partilha a forma como se sentem abençoados por fazerem o que gostam, o modo como sentem a música enquanto “aquilo que nos move, a nossa grande paixão, o nosso grande mote de vida” e o prazer de regressar a Portugal, a casa, depois dos concertos no estrangeiro.

Em suma, no concerto deste sábado ninguém se sentirá “blue” pois assistirá a uma ode ao lado positivo da vida marcada pela improvisação. O título “The Blues Experience” reflete isso e o espetáculo, segundo Budda Guedes, confirma que o blues não é um estilo depressivo, mas sim um “exorcizar das coisas negativas”, “um momento de festa e celebração” e mesmo quando é um “lamento” entra no espírito português de “quem canta, seus males espanta”.

A adversidade, complementa, deve ser encarada como um “feitio da vida e não como um defeito”. Um antidepressivo eficaz para os tempos que correm que se recomenda tomar durante a noite do próximo sábado, a partir das 21h30.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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