Torres Novas: Praça dos Claras reabre como espaço de lazer na celebração do 25 de abril (c/vídeo)

O edifício devoluto da “Garagem dos Claras” foi inaugurado na segunda-feira, 25 de abril, como Praça, destinada ao entretenimento e ao associativismo. Prevê-se que funcione no local um quiosque e uma tabacaria, que estão a concurso, e que sirva outros eventos recreativos. Na cerimónia, que marcou também as celebrações do Dia da Liberdade, esteve presente o Secretário de Estado da Energia, Jorge Sanches.

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As origens desta garagem, que pertencia à empresa da família Claras, remontam a 1854, “quando João Rodrigues da Clara iniciou um serviço de trens de aluguer para passageiros entre Torres Novas e a Ponte da Asseca, em ligação ao canal da Azambuja”, refere informação da Câmara Municipal de Torres Novas. “Em 1866, ano oficial da fundação da empresa, iniciam-se as carreiras de trens entre Torres Novas e as estações ferroviárias de Torres Novas e Entroncamento”.

foto mediotejo.net
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Segundo a mesma nota, “em 1912, a firma tomava o nome de Izidro Rodrigues Clara, filho do fundador, e introduzia os veículos automóveis, mantendo todavia os antigos trens. A empresa João Clara & C.ª Irmãos, designação de 1920, evolui rapidamente e em 1958 vê nascer no seu seio a Claras Turismo, uma aposta estratégica reforçada com a compra, em 1961, da empresa Capristanos, a que se seguiram outras aquisições. Em 1974, já com a designação de Claras Transportes SARL, a empresa torrejana era a maior do país em número de carreiras e de rede concessionada, percorrida por meio milhar de veículos. Em 1975 seria integrada na Rodoviária Nacional, para se transformar, em 1991, em Rodoviária do Tejo”.

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Aproveitando a história e a nostalgia do edifício, o município de Torres Novas marcou para o 25 de abril a reinauguração do espaço, agora reaproveitado como Praça. O evento trouxe largas dezenas de curiosos ao centro histórico de Torres Novas, que puderam constatar as alterações efetuadas à estrutura. O andar superior continuará a ser usado pela “Sógrutas”, mas no rés-do-chão vai abrir um quiosque e uma tabacaria. O edifício pode ainda receber todo o género de iniciativas, estando equipado com wcs masculinos, femininos e fraldário.

Garagem dos Claras antes da recuperação. foto D.R.
Garagem dos Claras antes da recuperação. foto D.R.
Garagem dos Claras em meados do século XX. foto D.R.
Garagem dos Claras em meados do século XX. foto D.R.

Um “novo conceito de praça pública”, comentou a respeito o presidente da Câmara, Pedro Ferreira, e uma obra que vem dar nova vida a um edifício devoluto. O autarca apelou assim à população pela recuperação de outros edifícios em mau estado, com os apoios das Áreas de Reabilitação Urbana e do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano. “Iremos assistir com agrado à recuperação do centro histórico”.

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Na ocasião foi apresentado também o livro “Rodoviária do Tejo, na história e na modernidade da viagem coletiva”, pelo Engenheiro Orlando Ferreira. Esta é uma investigação que reúne vários testemunhos sobre os Claras e toda a narrativa empresarial da família, mas que não estará disponível a nível comercial. “Achei que devia deixar um legado desta história”, frisou, agradecendo o apoio de Margarida Trincão e João Lopes, num trabalho que teve como intuito deixar registos a serem estudados.

Interveio ainda Jorge Sanches, definindo a família Claras como um exemplo de “empreendedorismo”. A cerimónia seguiu depois para os discursos mais focados no 25 de abril, com a participação de todas as forças políticas de Torres Novas.

João "Espanhol" interrompeu a cerimónia cantando a Grândola Vila Morena, sendo acompanhado pelo restante público. foto mediotejo.net
João “Espanhol” interrompeu a cerimónia cantando a Grândola Vila Morena, sendo acompanhado pelo restante público. foto mediotejo.net

Mas o momento que acabaria por marcar a tarde foi o protagonizado por João “Espanhol”, conhecido cantor de Torres Novas, que no final dos discursos pegou na letra da música “Grândola Vila Morena” e iniciou um canto apaixonado que iria contagiar todo o público. De cravos nas mãos e alguma emoção, encerrou assim a memória dos 42 anos da revolução.

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