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Segunda-feira, Setembro 20, 2021

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Torres Novas: População da Ribeira da Boa Água pediu soluções à Assembleia Municipal

Um largo conjunto de moradores da envolvente da Ribeira da Boa Água e da fábrica Fabrióleo foi à assembleia municipal de Torres Novas de 30 de setembro, sexta-feira, pedir soluções para os problemas de mau cheiro e poluição de que tem sofrido desde os inícios do verão. Do elenco municipal obteve palavras de apoio, mas não soluções imediatas. O presidente da Câmara, Pedro Ferreira, salientou a importância de agir com bom senso, afirmando que “o problema tem que ser resolvido com pressão”.

O grupo de moradores foi parte do mesmo que participou na reunião de câmara de 27 de setembro e que revelou o medo das ameaças dos proprietários da Fabrióleo e de repercussões graves para a saúde em resultado dos maus cheiros e poluição provenientes da Ribeira da Boa Água. A este juntaram-se outros populares e ambientalistas que têm lutado pela limpeza do rio Almonda.

De novo se ouviram as mesmas queixas: mau cheiro tóxico que provoca vómitos e mal estar, mesmo dentro das casas, morte das hortas próximas à fábrica e à ribeira, medo de doenças graves. Uma moradora acabaria por refletir que “não peço para fechar seja A, seja B, seja C. Nós queremos é alguém que diga Basta!, mas um Basta mesmo, não é só nas t-shirts! Alguém tem que ter mão firme e dizer que isto não pode continuar”. A população quer que a poluição pare e que se evite ter que recorrer a medidas mais drásticas, que iriam colocar em causa postos de trabalho.

Já Luís Santos e Pedro Triguinho, dois dos mentores da manifestação “Basta”, pediram medidas práticas e efetivas contra a poluição, questionando porque não está a Câmara de Torres Novas a fazer mais. Perguntaram também o que tem sido feito em termos ambientais desde que o Secretário de Estado do Ambiente esteve em Torres Novas.

As bancadas do PSD, PS, CDU e BE manifestaram o seu apoio aos moradores, questionando-se porque é a Câmara Municipal a limpar a Ribeira em vez da Fabrióleo e porque o embargo municipal à fábrica não foi respeitado pela mesma. Alguma partidarização dos discursos gerou discussão e vozes exaltadas do público, frisando-se que não se estavam a apresentar soluções mas a cair-se no discurso político. A intervenção do deputado José Luís Jacinto (PSD) –  “Somos ou não capazes de resolver este problema?” – foi então aplaudida.

Recordando o trabalho que tem sido feito pela Comissão de Acompanhamento do Rio Almonda, o presidente da assembleia, José Manuel Trincão Marques, adiantou que o Secretário de Estado do Ambiente tem manifestado por correspondência preocupação com o problema e que está para breve nova visita do representante.

Já Pedro Ferreira sublinhou que há regras a cumprir, devendo-se evitar cair em soluções radicais (fechar a fábrica chegou a ser proposto por membros da assembleia). Lamentando que o processo burocrática seja lento, frisou que a própria GNR e a Agência Portuguesa do Ambiente têm limitações de recursos na sua ação contra os poluidores. “Temos um país coxo nesta matéria”, comentou.

“O problema tem que ser resolvido com pressão”, defendeu. Pedro Ferreira referiu que será o município a limpar a ribeira para resolver rapidamente o problema, sendo limpos 4,5 quilómetros, num empreendimento que rondará os 25 mil euros.

Não foram debatidas mais soluções. Após um curto intervalo, avançou-se para a Ordem de Trabalhos e o público retirou-se. Segundo Luís Santos, estavam presentes membros da Fabrióleo.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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