Torres Novas | Política públicas geriram a “incerteza” da pandemia e criaram sobretudo medo

Município de Torres Novas promoveu debate sobre apoio psicossocial em tempo de pandemia. Foto: DR

Um sociólogo e um psicólogo foram chamados a dar a sua visão em Torres Novas sobre as políticas públicas e as consequências da pandemia na população. Uma gestão pandémica voltada sobretudo para a “incerteza” e geradora de medo e ansiedade é a conclusão dos especialistas.

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A organização foi do município de Torres Novas que, em conjunto com o ISEC Lisboa – Instituto Superior de Educação e Ciência, dinamizou em videoconferência um webinário subordinado ao tema “Apoio Psicossocial – uma ferramenta de combate à COVID-19”.  Manuel Ribeiro, sociólogo, e Bruno Vaz, psicólogo, ambos com carreira em organismos da Proteção Civil, foram chamados a dar a sua perspetiva sobre a gestão da crise pandémica e respetivos efeitos.

Para Manuel Ribeiro assistiram-se a políticas neoliberais, capitalistas, apostadas na precaução, na gestão da incerteza, e “não houve gestão do risco”. Neste sentido, elaborou, apostou-se no imediato – o confinamento – abordagem que só seria possível de resultar se se tivesse descoberto logo a vacina.

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“Olhou-se para isto como um problema epidemiológico e não social”, refletiu o sociólogo, comentando que foram realizadas ações intempestivas sem que estas viessem acompanhadas de um suporte pedagógico. Assim, as novas normas foram “impositivas e suportadas pelo medo”.

Manuel Ribeiro refletiu que apesar das características do vírus este não afeta a todos, “afeta mais a uns do que outros”, nomeadamente a população idosa. “Não houve o cuidado de olhar para as populações mais vulneráveis e fazer uma estratégia mais focada”, disse.

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Para o especialista, faltou ao país uma cultura técnica de gestão de risco, uma vez que não obstante os esforços da Direção-geral de Saúde, não houve um fio condutor da estratégia. A título de exemplo, notou, em maio apenas 190 dos 308 municípios tinham efetivamente ativados os Planos Municipais de Emergência.

Na sequência desta exposição, Bruno Vaz, psicólogo que é coordenador nacional das equipas de apoio psicossocial da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, constatou que as políticas públicas estão intimamente ligadas à resposta que surgiu.

“É difícil lidar com uma situação que não se sabe quando chegará ao fim”, afirmou, pelo que acabamos por “não conseguir gerir os nossos próprios recursos, porque estes se esgotam”.

O especialista constatou que o medo é uma emoção normal e que apesar de muitos bombeiros aparentemente estarem a lidar bem com toda a incerteza, por dentro estão profundamente assustados.

Deixou assim um conjunto de sugestões para os profissionais de proteção civil lidarem com o seu trabalho em ambiente pandémico, constatando que numa frente de fogo não há espaço à utilização de máscaras cirúrgicas.

Descansar, pedir ajuda e conversar, mantendo o distanciamento social e lavar e desinfetar as mãos com frequências foram alguns dos conselhos deixados.

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1 COMENTÁRIO

  1. Tudo é politica do medo e de forma universal, a pandemia supostamente começou na china, mas muito antes disso já tínhamos o V. de SETUBAL A RECUSAR UM JOGO COM O SPORTING POR ESTAR COM UMA PANDEMIA ENTRE OS SEUS JOGADORES.
    A MEMÓRIA É POUCA, COM OS MEDOS INSTITUIDOS!!!!!!!

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