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Sábado, Janeiro 22, 2022
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Torres Novas | Pedrógão avança com queixa-crime devido a morte de rebanho da Serra de Aire

O presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira (PS), leu na reunião camarária de terça-feira, 18 de agosto, uma declaração do presidente da Junta de Freguesia do Pedrógão, Paulo Simões, sobre a morte e desaparecimento do rebanho de cabras de que era responsável. Segundo o documento, a autarquia vai avançar com uma queixa-crime no Ministério Público devido ao sucedido, deixando também críticas ao Bloco de Esquerda (BE) por ter sugerido um encobrimento do caso por parte da junta de freguesia. A vereadora Helena Pinto considerou o texto um ataque pessoal.

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As intervenções nas reuniões de Câmara passaram a carecer de inscrição prévia e com o devido tempo de antecedência. Segundo foi explicado, devido à tardia apresentação de intenção de falar na reunião da parte do presidente do Pedrógão, e não querendo abrir exceções, o presidente da Câmara, Pedro Ferreira, assumiu a função de ler um esclarecimento sobre o caso do desaparecimento e morte do rebanho de cabras da serra.

Segundo o documento, foi o SEPNA da GNR o primeiro a entrar no estábulo da junta de freguesia, onde foram identificados oito animais mortos e os restantes desaparecidos. O pastor permaneceu bastante tempo incontactável e a autarquia tem tentado chegar a consenso quanto a um acerto de responsabilidades. Ao todo, o prejuízo é de 40 animais, um depósito para transporte de água e respetiva bomba.

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A Junta de Freguesia não coloca a hipótese de retomar a pastorícia e, face à ausência de acordo com o pastor, vai avançar com uma queixa-crime no Ministério Público.

Paulo Simões nega assim ter ocultado os factos das autoridades, repudiando o comportamento da vereadora Helena Pinto no decorrer da última reunião pública, quando o tema da morte das cabras “sapadoras” da serra foi tornado público.

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“O assunto está longe de estar resolvido”, comentou a vereadora, considerando que estava a ser atacada pessoalmente. Afinal, salientou, não ficou claro porque se levou nove meses a tornar o caso público.

O rebanho da Serra de Aire contemplava inicialmente dois rebanhos de cabras entregues à gestão da junta de Fátima, em Ourém, e da junta do Pedrógão, em Torres Novas. Resultou do projeto “Habitats Conservation – Conservation of natural and semi natural habitats in the Serra D’aire e Candeeiros, co-financiando pelo Programa Life + e dinamizado pela QUERCUS.

Para além da preservação dos habitats da serra, procurou-se com este rebanho fazer um trabalho de prevenção aos incêndios. Tendo já parte das condições, a Junta de Freguesia de Fátima começou logo em 2012 a desenvolver as potencialidades do rebanho, comercializando inclusive o queijo resultante do seu leite. Pedrógão viu-se envolvido na burocracia e só em 2017 viu concluído o estábulo, que foi financiado também pelo município torrejano.

Em ambas as autarquias, um dos problemas estruturais foram os pastores. A freguesia de Fátima teve imensas dificuldades em manter os pastores ao serviço, os quais mudavam com frequência, até que em março de 2017 a autarquia abateu todo o rebanho, na sequência de uma infeção geral com CAEV (Artrite Encefalite Caprina), “uma doença crónica que debilita os animais, impedindo a sua função zootécnica e levando-os ao sofrimento ao longo do seu desenvolvimento”, referiu na época um comunicado de imprensa. A autarquia não retomou o projeto.

No Pedrógão, soube-se em julho que o rebanho fora encontrado morto, possivelmente por desidratação, no estábulo, depois de vários dias sem que a Junta de Freguesia conseguisse contactar com o pastor. Cerca de 30 animais tinham desaparecido.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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