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Domingo, Agosto 1, 2021

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Torres Novas: Paulo Ribeiro convida para dançar n’A Festa (da Insignificância)

O Teatro Virgínia recebe este sábado, dia 5, “A Festa (da Insignificância)” pela Companhia Paulo Ribeiro. Um espetáculo que, segundo o bailarino e coreógrafo, contraria a ideia da dança para as elites e se faz tanto no palco, como na plateia. Conversámos com Paulo Ribeiro para saber mais sobre os movimentos da sua vida, da companhia que fundou há 20 anos e da obra que traz a Torres Novas.

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A descoberta de Paulo Ribeiro pela área da dança contemporânea é um daqueles momentos fortuitos do destino. Algo surgido do nada, cuja insignificância aparente acaba por se revelar um modo de vida. Hoje, com mais de trinta anos de carreira, relembra esse “passo orgânico” dado durante uma viagem à Bélgica com 19 anos e a forma como se apaixonou pela dança durante os espetáculos a que foi levado por uma amiga bailarina.

Na altura, a prioridade era o curso de Filosofia no Brasil e o corpo estava habituado ao judo desde os nove anos. A dança acabou por unir os dois numa “fisicalidade mais completa” ao integrar o pensamento a exigência do conhecimento na competitividade do desporto. Os primeiros passos foram dados em Bruxelas, na Escola do Ballet Contemporâneo de Bruxelas (1978) e na Escola Mudra de Maurice Béjart (1980).

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Pouco tempo depois o acaso voltava a marcar a vida de Paulo Ribeiro durante a sua passagem pela Ópera de Lyon. Em 1982, o bailarino estreava-se na coreografia com alguns colegas, mas salienta que o fazia “como um hobbie”. O Prémio de Humor conquistado no concurso Violinine (Paris) no ano de 1984 e os muitos que foi somando a nível nacional e internacional comprovaram que a diversão era algo mais sério, um facto que justifica “não fui eu que me fiz coreógrafo, fizeram-me coreógrafo”.

Voltou distinguir-se na edição seguinte do Concurso Violinine, no Concurso Mudanças 96 e nos V Rencontres Choréographiques Internationales de Seine Saint-Denis, França (1996). Pelo meio recebeu o Prémio Acarte/Maria Madalena de Azeredo Perdigão (1994) e depois do regresso a Portugal, em 1988, foi premiado pelo Jornal Sete (1998), pelo Instituto Português das Artes do Espetáculo (1999), pela Casa da Imprensa (2000), no Portugal Dance Awards (2009), no Dance Week Festival’09 (Croácia) e pela Sociedade Portuguesa de Autores (2011).

A carreira iniciada como intérprete foi dando dando lugar à coreografia sem a substituir por completo e a escolha entre ambas não é pacífica. Paulo Ribeiro salienta que a missão do coreógrafo é “muito maior” e implica “servir afetos”. A direção artística do Teatro Viriato, em Viseu, e do Ballet Gulbenkian, em Lisboa, são outros pontos altos do seu percurso, assim como a fundação da sua própria companhia, que este ano assinala 21 anos de existência.

Os espetáculos sucessivos e estas experiências deram-lhe uma noção do panorama nacional da dança contemporânea ao longo das últimas décadas. O destaque do teatro e da música nas agendas culturais portuguesas é lamentado pelo coreógrafo que carateriza a dança como “o parente pobre das artes, sobretudo em Portugal”, onde existe “um trabalho enorme a fazer” ao nível da sensibilização.

A abertura da escola Lugar Presente, em 2006, aproximou-o de outra realidade nacional, a ameaça dos cortes no financiamento ao ensino artístico especializado. Num país em que “o orçamento para a cultura é menor do que a Ópera de Paris” as contas multiplicam-se, em especial as de subtrair. A falta de procura não é desculpa viável se considerarmos que este espaço autónomo do Teatro Viriato tem mais de 200 alunos nas aulas especializadas e para amadores dirigidas a crianças, adultos e seniores.

O espetáculo que traz ao Teatro Virgínia, em Torres Novas, é uma coprodução do Teatro Viriato, Théâtre National de Challiot (Paris), Scène Nationale de Besançon (França), Culturgest (Lisboa) e Teatro Nacional São João (Porto). Segundo Paulo Ribeiro, sem estas parcerias “A Festa (da Insignificância)” dificilmente teria existido.

A obra resultou da vontade do coreógrafo em “trabalhar uma peça mais luminosa” que contrastasse com o solo “Sem um tu não pode haver um eu”, inspirado em 2013 pelo universo de Ernst Ingmar Bergman. A densidade do escritor, dramaturgo e cineasta sueco conhecido por filmes como “Fanny e Alexander” (1982) e obras literárias como “A Lanterna Mágica” (1988) deu lugar, em 2015, a um espetáculo “muito comunicativo” com o nome do último livro de Milan Kundera, editado em 2014 pela Dom Quixote.

O movimento, o tempo e o coletivo são conceitos importantes nesta festa com início marcado para as 21h30. O coreógrafo sublinha que “a festa é algo que antecipa ou prolonga um movimento” e se foca na “forma como as coisas se vivem”. Além disso, o momento não é dirigido a VIPs pois, nas palavras do encenador, “a ideia da dança para as elites” foi contrariada com a criação de “algo feito para o público e não para o umbigo do criador”.

Em suma, a guest-list da “A Festa (da Insignificância)” não é exclusiva. Todos estão convidados para assistir e participar no espetáculo em que Paulo Ribeiro quer “receber as pessoas em casa” e se faz “tanto no palco, como na plateia”.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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