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Terça-feira, Maio 11, 2021

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Torres Novas | Parto Humanizado abre Jornadas de Enfermagem do CHMT

O trabalho na área da obstetrícia do Centro Hospitalar Póvoa do Varzim/Vila do Conde, instituição que tem apostado na última década em criar alternativas ao tradicional trabalho de parto, apoio parental e amamentação, abriu as I Jornadas de Enfermagem do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) esta sexta-feira, 11 de maio. Numa sessão dedicada à grávida e à maternidade, o esforço dos profissionais de saúde parece encaminhar-se para as práticas do “parto humanizado”, em que o papel da mãe não seja secundarizado.

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As Jornadas abriram com a intervenção de Irene Cerejeira, enfermeira chefe do Serviço de Obstetrícia do Centro Hospital Póvoa do Varzim/Vila do Conde, abordando “A valorização de uma maternidade investindo em dinâmicas inovadoras nos cuidados de enfermagem”.

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A responsável recordou que o Hospital tinha cada vez menos partos e que a equipa decidiu, a partir de 2002, adaptar as metodologias. Mudou-se a linguagem (“casal grávido” e não “mulher grávida”) e começou-se a investir na preparação para o parto.

A partir de 2008, referiu, a equipa começou a perceber que era necessário prestar mais atenção à evidência científica (em relação a práticas médicas já convencionadas), havendo também uma página online onde muitas mães partilhavam queixas sobre amamentação.

Seguiu-se em 2013 o parto aquático, oferta pela qual a instituição tem ganho fama, e em 2016 adotou-se a política do plano de parto adaptado a cada casal. Neste momento está a ser implementado um novo programa de amamentação.

A responsável deu a conhecer aos enfermeiros que acorreram à Biblioteca de Torres Novas as mudanças efetuadas na prática médica, como a possibilidade da parturiente escolher a posição de parto e a aposta em estratégias não farmacológicas de alívio das dores.

“O paradigma mudou em relação ao parto”, referiu, com um modelo de assistência mediante a fisiologia do parto e centrado na experiência do casal.

Seguiu-se a intervenção do médico Diogo Ayres de Campos, do Hospital de Santa Maria, que defendeu a diminuição da intervenção no trabalho de parto. O responsável recordou que há 80 anos morria uma em cada 200 mulheres, mas que esses números diminuíram significativamente a partir dos anos 40. A descida da mortalidade deveu-se à melhoria dos cuidados de saúde, com mais ênfase na segurança, nos resultados e na eficácia, mas centrado na doença e com muito paternalismo.

Ayres de Campos considerou que a saúde também passa pelo “bem estar”, sendo que a tendência atual nos partos é a medicação excessiva, intervenções de rotina que não têm base científica, o jejum das mães e a mobilidade reduzida, as cesarianas em excesso e desnecessárias e o papel secundário da parturiente, com o foco nos profissionais de saúde que por vezes nem se apresentam nem explicam devidamente as intervenções.

O responsável apresentou aos presentes novos estudos que contrariam algumas das práticas convencionadas nos hospitais. “Temos que alterar as práticas no bloco de parto para alternativas mais baseadas na evidência científica”, constatou, porém admitiu que é difícil mudar hábitos enraizados na cultura hospitalar.

Defendeu assim mais empatia e atenção na grávida e não no profissional de saúde. “O desafio atual é manter os avanços em termos de segurança, mas proporcionar uma experiência positiva no parto”, concluiu.

Entre os primeiros intervenientes esteve também a pediatra Graça Gonçalves, que defendeu a perspetiva do bebé.

“Temos que nos lembrar que os bebés são pessoas”, afirmou, numa exposição em que argumentou que o bem estar da mãe durante a gravidez e o parto afeta para toda a vida a própria criança, inclusive ao nível do desenvolvimento cerebral.

Defenderia assim uma menor intervenção médica e uma maior aposta na ligação mãe-bebé nos hospitais.

As Jornadas de Enfermagem abordaram ainda na sexta-feira os cuidados a queimados. Este sábado, dia 12, depois de uma caminhada do Dia do Enfermeiro durante a manhã, discutiram-se os cuidados respiratórios. As conferências encerram com as novas metodologias de internamento hospitalar.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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