Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Domingo, Julho 25, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Trincanela

Torres Novas: O que fazer com o “Cabeço das Pias”? (c/vídeo)

Edifício inaugurado em 1997 pela Ministra do Ambiente, Elisa Ferreira, o Centro de Interpretação da Gruta do Almonda (C.I.G.A.), mais conhecido por “Cabeço das Pias”, continua a aguardar uma alternativa viável de gestão. Atualmente a cargo da Câmara Municipal de Torres Novas, o espaço tem sido alvo de vários assaltos e de vandalismo, adquirindo uma aparência de desgaste e abandono que preocupa a freguesia do Pedrógão. O mediotejo.net foi fazer uma visita ao local, durante anos utilizado para encontros científicos ou convívios de BTT. Encontrou um edifício encerrado, solitário no cimo da serra.

- Publicidade -

Afastado das estradas principais e sem sinalização específica da sua localização, seguimos no sentido do Vale da Serra, freguesia do Pedrógão, até nos depararmos quase por acaso com a indicação “Cabeço das Pias”. Corta-se por uma estrada de terra batida, algo depurada pela chuva, até encontrarmos no cimo do monte um edifício de traços modernos, em perfeita harmonia com a natureza. Com uma traça particular, assemelhando-se aos contornos de um ponto de vigia, o C.I.G.A teve variadas utilizações ao longo das duas últimas décadas, mas acabaria por se tornar num encargo municipal, sem se saber ao certo se deve ficar no domínio público ou passar para as mãos de privados.

No "Cabeço das Pias" existem 10 percursos, de 12 a 84 km, utilizados sobretudo pelos amantes dos BTT/ foto mediotejo.net
No “Cabeço das Pias” existem 10 percursos, de 12 a 84 km, utilizados sobretudo pelos amantes dos BTT/ foto mediotejo.net

- Publicidade -

Construído com o apoio de fundos comunitários, o “Cabeço das Pias” foi inicialmente entregue à gestão da Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia (STEA), que ai desenvolveu várias atividades de natureza científica e que constituíram o auge de utilização da estrutura. Com o passar dos anos esta instituição acabaria gradualmente por abandonar o espaço, até terminar o protocolo com o município e o Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros em 2002. O edifício esteve abandonado e sofreu inclusive um incêndio em 2004, altura em que levou obras de recuperação. Um novo protocolo passaria a gestão para a Associação de Desenvolvimento da Serra D’aire e Candeeiros (ADSAICA) e, mais tarde, para a empresa municipal torrejana Turrisespaços, entretanto extinta.

Durante este período, nos últimos anos, o edifício tornou a ter alguma vida, com equipas de ciclismo a ali permanecerem. Em 2013 foi anunciada a criação de um Centro de BTT no “Cabeço das Pias”, promoção que ainda figura no site da Câmara de Torres Novas. Segundo a descrição on-line “o Cabeço das Pias é constituído por uma casa-abrigo e alberga o centro de BTT e Estrada. O edifício está dotado de 4 quartos duplos, 2 quartos para 4 pessoas e 1 camarata para 6 pessoas, e, todos com casa de banho privativa. Para além disso, o local de alojamento no Cabeço das Pias apresenta um conjunto de comodidades como: cozinha, instalações sanitárias, sala de refeições, sala para reuniões, balneários exteriores, oficina, lavagem para bicicletas, zona de acantonamento e acampamento, miradouro panorâmico e estacionamento”. Os preços do arrendamento situam-se nos sete euros por pessoa, para grupos com 10 ou mais elementos.

O local serve ainda de ponto de partida e chegada a uma dezena de trilhos, alguns dos quais atingem os 84 quilómetros. Vários vídeos promovem nesta plataforma a atividade desportiva ligada ao ciclismo na natureza e aos percursos pedestres. Há ainda o anúncio de que “prevê-se que nos próximos tempos estes 360 km passem a ser 600km sendo assim este centro um dos maiores da Europa”.

Apesar de possuir alguma imponência, o edifício foi construído em grande harmonia com a natureza/ foto mediotejo.net
Apesar de possuir alguma imponência, o edifício foi construído em grande harmonia com a natureza/ foto mediotejo.net

Com a extinção da Turrisespaços e a passagem do edifício para a gestão municipal, este porém tem permanecido fechado, sem se saber ao certo qual a melhor alternativa de gestão. O isolamento na serra potencia as vandalizações e a destruição de um património que ainda não completou duas décadas e que foi erguido com dinheiro europeu.

Na reunião camarária de 2 de fevereiro, descentralizada no Pedrógão, o presidente da Câmara, Pedro Ferreira, fez o anúncio de que o espaço vai a concurso para exploração. Ainda sem se saber ao certo em que moldes, o presidente da junta, Paulo Simões, aponta apenas para a necessidade de se criar um caderno de encargos, referindo que, a nível informal, há muitas pessoas que se mostram interessadas em ali desenvolver todo o tipo de projetos, alguns ligados ao turismo rural.

O mediotejo.net encontrou o edifício encerrado, já sem os vidros partidos do assalto de janeiro, mas com algumas marcas dos tempos difíceis por que tem passado a estrutura. Acompanhado por Paulo Simões ao local, ficou a saber que a destruição vai desde o mobiliário a janelas, passando pelo roubo de metais que possam ter valor comercial. A autarquia tem seguro, acionado sempre que ocorrem estes incidentes, o que permite manter o edifício em condições, pelo menos no exterior. Não foi possível ver o edifício no seu interior, mas este terá ficado bastante danificado com a última vandalização.

O que fazer com o “Cabeço das Pias”? Fresco de inverno, quente de verão, a paisagem convida a momentos de recolha com a natureza, a exploração da gruta do Almonda e o encontro inesperado com as particularidades que a Serra D’Aire tem para oferecer. A estrutura tem capacidade para uma pequena pousada ou um conceito ligado ao turismo na natureza, mas a sua sobrevivência irá depender da vontade de dar nova vida a uma estrutura carismática, perdida na serra.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

- Publicidade -
- Publicidade -

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here