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Domingo, Novembro 28, 2021

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Torres Novas: O mundo das avestruzes de Hugo Carola (c/vídeo)

Hugo Carola, 38 anos, achou que tinha que tomar uma atitude. Empregado numa empresa de produtos de higiene e limpeza, passava muitas horas a trabalhar e tinha dificuldade em conciliar a vida familiar e profissional. Um dia, decidiu mudar de vida. Em 2012, em pleno pico da crise, após uma análise do mercado, optou por abrir uma exploração de avestruzes, com vista à produção, sobretudo, de carne. A ideia terá tido a sua dose de loucura, admite, mas hoje possui uma qualidade de vida que se orgulha de mostrar. 

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A Carola’s Ostrich situa-se na aldeia de Carreiro de Areia, no concelho de Torres Novas. É um local pacato, onde Hugo Carola possui a sede da sua empresa, com as avestruzes no longo processo (14 meses) de crescimento e engorda e as incubadoras e ninhos, onde os pintos passam as primeiras semanas de vida. Um pouco mais afastado situa-se uma herdade, com perto de sete hectares, onde casais de avestruzes fazem a reprodução ao ar livre e com bastante espaço. Duas cabras e dois cavalos fazem-lhes companhia, comendo a erva e compondo o cenário pitoresco de uma exploração sui generis e com um produto pouco comum à mesa dos portugueses. Hugo Carola explica: há produtores de porcos, vacas e galinhas com muito mais experiência e dimensão. Um negócio tradicional teria sempre demasiada concorrência.

Visitou alguns produtores seus conhecidos, colocou-se a par do negócio e decidiu arriscar. Apesar de muitas pessoas terem avestruzes nos seus quintais, explorações legais como a Carola’s Ostrich há poucas, existindo pouco mais que 15 produtores deste tipo de carne no país. No Médio Tejo é a única, existindo algumas no distrito de Santarém. Para Hugo Carola foi um investimento de 150 mil euros comparticipado pelo Proder, que lhe permitiu adquirir logo à partida alguma dimensão e entrar num negócio cujo produto é ainda relativamente caro: um quilo desta carne pode custar entre 15 a 16 euros.

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foto mediotejo.net
foto mediotejo.net

De todas estas particularidades o produtor estava bastante consciente. “Não é carne para rivalizar com o frango”, esclarece, mas, por exemplo, com determinadas carnes de vaca de origem controlada. Hugo Carola investiu num nicho de mercado com características próprias para poder crescer. Ao longo de quatro anos foi-se instalando neste meio, ganhando clientes e procurando negócio, conseguindo implementar um projeto ambicioso, sem nunca parar de investir em novas ideias.

Uma delas é o artesanato, que nasce dos ovos que não têm pintos. A casca da avestruz é extremamente dura e permite fazer vários objetos, de presépios a candeeiros. Hugo Carola tem uma pequena exposição na sua exploração e também vai vendendo estes sub-produtos, criados com uma boa dose de imaginação. Há ainda pequenas carteiras, feitas de pele de avestruz, e penas muito suaves, que poderiam ter diversas utilidades em roupa ou espanadores se a produção fosse maior e o matadouro especializado neste tipo de animal. “Como estamos a crescer as ideias vão fazendo mais sentido”, comenta.

Neste momento possui meia centena de animais. A carne seguirá depois para Espanha, regressando alguma dela a Portugal. O nome em inglês da empresa destina-se à sua internacionalização, recebendo Hugo Carola muitas encomendas via internet, de vários pontos do mundo. “Era importante um nome que chegasse lá fora”, explica, comentando posteriormente que esta carne produzida em Portugal é considerada mais consistente que as suas congéneres, por exemplo da África do Sul (origem da avestruz).

foto mediotejo.net
foto mediotejo.net

“A ideia foi ser diferente”, querendo-se agora inovar e alargar as capacidades da Carola’s Ostrich. “Há loucos”, refere rindo, quando constatamos que em 2012, quando iniciou o negócio, era o pico da crise. O processo de apoio europeu foi longo, mas Hugo Carola apostou na informação e criação de condições adequadas a que os animais cresçam saudáveis e fortes, proporcionando uma carne de boa qualidade. O facto de já possuir os terrenos, herdados dos sogros e pais, permitiu um grande avanço e as boas condições deste projeto.

Até porque a avestruz necessita de cuidados adequados e muito específicos. “A avestruz mata”, salienta Hugo Carola. “É preciso uma licença especial porque é um animal perigoso”. Com um cérebro extremamente pequeno, a avestruz não é um animal inteligente, mas bastante territorial e muitas vezes agressivo, com umas unhas nas patas que podem perfurar o corpo humano. É preciso grande cautela para lidar com alguns dos animais que o produtor tem como reprodutores.

Aquém das contrariedades, a exploração começa a ser pequena e os ovos que nascerem este ano já têm destino. Uma fêmea coloca 50 ovos por ano, tendencialmente dia sim dia não. Nem todos resultam numa cria. Uma carcaça limpa de avestruz dá 25 a 30 quilos de carne. Nos últimos meses de engorda, uma avestruz come 2,5 quilos de ração por dia, produto que é mandado fazer de propósito, uma vez que não há alimento próprio no mercado. “Será sempre uma carne cara”, constata Hugo Carola, mesmo que possa tornar-se moda. “Não há carne todos os meses, nem nascimento todos os dias”.

Mas Hugo Carola não se arrepende. Comenta com os olhos a brilhar que no dia anterior foi buscar a filha à escola. O trabalho tem as suas exigências, mas a rotina permite uma qualidade de vida muito diferente daquela que tinha anteriormente. “Achei que devia fazer algo por mim”, confessa. E não houve crise que o demovesse desta ambição…

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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11 COMENTÁRIOS

  1. estive a procura de pessoas que faziam criacoes de avestruzesvem portugal,e foi ai que encontrei esse site,e que eu faco um tratamento a base da banha do avestruz,mas aqui em portugal nao consigo encontrar,e trazer do Brasil e complicado. Por acaso vcs nao me forneceria essa banha?ficaria imensamente grata.

  2. Bom dia. Tenho um pequeno terreno com um hectare e meio. Já estou a fazer as vedaçães. Penso daqui a um ano lá poder meter um casal de avestruz. Gostaria de ter mais informações. Tipo qual a alimentação deles. Sem ser através de ração.qual o preço dos animais vivos. Ainda pequenos. Toda a informação é vem vinda.

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