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Torres Novas | “O Boquilobo para mim é um lugar de paz” – Carlos Mateus Lima C/VIDEO)

A curta metragem documental “Boquilobo. Reserva de Futuro” é um trabalho de Carlos Mateus Lima, um moçambicano a residir em Riachos, no concelho de Torres Novas, que se apaixonou pela paisagem e pela biodiversidade da Reserva Natural do Paúl do Boquilobo. De objetivas às costas e muitos quilómetros calcorreados, Carlos Mateus Lima reuniu nos últimos quatros anos várias centenas de imagens que contam a história do Boquilobo e da sua riqueza ambiental. Um tributo ao equilíbrio da natureza numa época de incertezas.

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Aos 52 anos, Carlos já fez um pouco de tudo. Chegou a estudar gestão, mas desistiu. Passou pela publicidade e acabou por ir trabalhar para um estúdio, como assistente de Eurico Ferreira, começando a fazer programas de televisão. O seu percurso fez-se assim sempre em torno das câmaras, acabando por licenciar-se em Comunicação Social.

Durante algum tempo envolveu-se no mundo da música, fotografando os espetáculos de vários nomes nacionais, como Mariza ou Rui Veloso. Hoje, com muito material de fotografia e vídeo acumulado, define-se como freelancer, produzindo diferentes tipos de conteúdos.

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“Sempre gostei mais da imagem que da escrita”, admite ao mediotejo.net. Natural de Moçambique, começa por recordar, hoje vive em Riachos, terra da família. “Apaixonei-me pela natureza porque o fotógrafo do município da Chamusca, o Vítor Gago, é também um apaixonado. Como comecei a colaborar para lá, ele meteu-me o bichinho”, comenta. “Fui investindo, fui fazendo, um pouco por incentivo dele, que percebe muito mais de natureza do que eu. Serviu um pouco como consultor para a área da natureza”, recorda.

Boquilo. Foto de Carlos Mateus Lima

Interessado em fazer um documentário sobre o Boquilobo, abordou o Instituto Da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) para um trabalho. Daqui rapidamente acabou por ser contactado pela Câmara de Torres Novas. “É um bocadinho o passa a palavra”, admite, uma vez que se estabeleceu na região e tem trabalhado para várias instituições.

Carlos Mateus Lima começou a filmar o Boquilobo em 2017. “Tinha imagens espetaculares”, recorda, mas ao fim de oito meses de trabalho teve um problema com o equipamento e perdeu tudo. “Voltei à estaca zero”, pelo que as imagens que podem ser vistas na curta remontam a 2018 e até 2020.

São “largas centenas de horas de filmagens”, admite, com dias inteiros passados a percorrer o Boquilobo, madrugadas e algumas noites. Uma altura viu-se atolado e valeu-lhe a ajuda dos pastores locais, de quem se tornou amigo.

“Até já conheço os cheiros das diferentes zonas do Boquilobo”, comenta. Por isso, adianta, tem material para fazer um trabalho muito mais aprofundado sobre o Paúl que os cerca de 13 minutos que produziu para a Câmara de Torres Novas. “Isto é uma visão mais romântica” da reserva natural, admite.

O trabalho é imenso, desgastante e cheio de desafios, mas fá-lo sobretudo pelo “gozo e pela paixão que fui criando”. Chegou a ter que ir de urgência para o hospital devido a uma picada numa mão que causou uma forte reação alérgica, de que nunca descobriu a causa. Aproximar-se dos animais sem perturbar também tem a sua ciência.

Depois há o lado humano, nem sempre respeitador do espaço em que se encontra. “Já vi de tudo”, admite, inclusive motocross pela reserva.

Paul do Boquilobo. Foto: mediotejo.net

“Gostava de fazer um documentário diferente, que focasse as características das cheias, a nidificação, os habitats, as migrações. Entrar na história do Paúl”, admite. Para já deixa ao espetador esta curta documental, esperando que desperte a mesma emoção a quem assistir.

“Nunca pensei encontrar tanta paz tão perto de casa. Quase que me esqueço que estou a trabalhar . Mesmo com todo o material, com todos os quilómetros. O Boquilobo para mim é um lugar de paz e apaixonei-me completamente. Por isso custa-me muito como por vezes as pessoas tratam a reserva”, conclui.

Carlos Mateus Lima passou três anos a filmar o Boquilobo. Parte desse trabalho está numa curta de 13 minutos. Foto: facebook Carlos Mateus Lima

Com cerca de 13 minutos, a curta “Boquilobo – Reserva de Futuro” tem como objetivo vir a sua exibida aos visitantes do Cento de Interpretação da Reserva Natural do Paul do Boquilobo, após a requalificação de conteúdos em curso no âmbito do projeto “Rota do Almonda”.

O trabalho já foi apresentado ao público no início de fevereiro, marcando o Dia Mundial das Zonas Húmidas 2021, e permanece acessível nos canais digitais, nomeadamente no canal de Youtube da Câmara Municipal de Torres Novas. A voz é do torrejano Frederico Alexandre, as imagens de Carlos Mateus Lima.

Situada na junção dos concelhos da Golegã e de Torres Novas, esta reserva natural estende-se por uma área com cerca de 5.000 hectares.

A Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo (RBPB) é uma Reserva de 1.ª Geração, classificada desde 1981 pela UNESCO, tendo sido a nível nacional a primeira área portuguesa a ser integrada na Rede Mundial de Reservas da Biosfera.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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