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Segunda-feira, Dezembro 6, 2021
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Torres Novas | Num concelho rosa, Assentis permaneceu independente

Apesar de admitir ter existido um “acordo verbal” para um apoio PS, Leonel Santos, presidente reeleito da freguesia de Assentis, afirma que este não se efetivou. Nem com o PS nem com o PSD, não obstante este último ter apelado ao voto no Grupo de Independentes da Freguesia de Assentis (GIFA) de forma informal. Num dos baluartes do socialismo do Médio Tejo, com maioria absoluta na Câmara, na Assembleia e nove das 10 freguesias pintadas a cor-de-rosa, a freguesia de Assentis, em Torres Novas, resistiu às eleições e permanece sem cor. Leonel Santos manterá a atitude discreta, mas nem por isso menos consciente dos problemas da sua autarquia.

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Já no final da breve entrevista realizada após a tomada de posse dos órgãos municipais de Torres Novas, surge a questão: escreve-se Assentis ou Assentiz? O novo acordo ortográfico parece não se ter lembrado desta freguesia do norte de Torres Novas, com uma incógnita gráfica a permitir que em documentos oficiais, sinalização e nas mais diversas referências o S e o Z se digladiem por protagonismo. Leonel Santos admite que já andou em busca dessa resposta, tendo encontrado na Torre do Tombo as duas grafias, sendo, aparentemente, ambas aceites.

Mantendo assim a coerência em relação a outras notícias, o mediotejo.net continuará a escrever Assentis.

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Mas a freguesia é ela própria uma incógnita. Nem Riachos escapou este ano à onda rosa, quando em 2013 também elegera um movimento independente. O GIFA tem dentro do seu grupo diversas cores, refere Leonel Santos, mas é na essência independente e é assim que quer continuar a ser no conjunto municipal. Uma bandeira de irreverência num concelho que se destaca pela homogeneidade.

mediotejo.net (MT): O que o levou a recandidatar-se à junta de freguesia de Assentis?

Leonel Santos (LS): Nós concorremos novamente porque entendemos que aqueles nossos objetivos de realizar alterações para a freguesia não estavam concluídos. Havia algumas obras que queríamos continuar a fazer para que as pessoas na nossa freguesia não se sintam tão à parte das pessoas que vivem nas cidades. Nós queremos colaborar com as coletividades, com toda a gente, para que de um certo modo nós consigamos que não haja tantas assimetrias entre as freguesias urbanas e as freguesias rurais.

MT: Qual o balanço deste primeiro mandato?

LS: Não foi muito fácil, mas como é um grupo coeso acabou por nos ajudar muito nesse sentido.

MT: Mantém a mesma equipa?

LS: Mantém-se a mesma equipa: o António Violante que é o secretário, a Fernanda Costa a tesoureira, o João Miguel presidente da Assembleia de Freguesia, o Manuel Silva o primeiro secretário, a Ana segunda secretária e depois os restantes elementos da assembleia que na próxima sexta-feira (20 de outubro) estarão na instalação da junta e depois ficam os nomes todos definidos. Mas este é, como chamamos por brincadeira, o núcleo duro do nosso grupo. Os que há quatro anos se propuseram a fazer um grupo de trabalho e que deu os seus frutos.

MT: Como decorreu este ato eleitoral? Esperava repetir a vitória?

LS: Estávamos à espera de ganhar. Fizemos trabalho bastante dentro das possibilidades e houve uma boa colaboração da parte da Câmara. Colaborámos bem e estávamos à espera de ganhar. Apesar do PS ser uma equipa forte, uma equipa nova, causou-nos no início alguma ansiedade. Mas de um modo geral correu bem.

MT: Chegou-se a falar num apoio do PS, o PSD deu um certo apoio informal. Na prática, foram apoiados por algum partido ou são exclusivamente independentes?

LS: Somos exclusivamente independentes. Temos é alguns elementos e eu, portanto, pessoas que já fizeram parte do PSD, pessoas que fizeram parte do PS e uma pessoa do CDS. Pluralismo. Chegou a haver inicialmente um apoio verbal do PS, que não se efetivou, mas fomos sempre como independentes.

MT: Quais as grandes prioridades para este mandato, até 2021?

LS: Nós temos algumas obras para fazer, obras no cemitério que é aquela parte dos gavetões. E temos uns arranjos nas aldeias, colocação de abrigos. Portanto, a continuação do nosso trabalho. Para já, não prometemos nada a ninguém. Conversamos com as pessoas, vemos as prioridades e depois a partir daí avançamos. Esperamos sempre a continuação da colaboração da Câmara para as obras, porque nós temos um orçamento limitado e não podemos estar a prometer mundos e fundos porque depois não os conseguimos concretizar.

MT: O Centro Escolar de Assentis teve alguns problemas durante o último mandato. Como está essa situação?

LS: O Centro Escolar de Assentis teve e tem algumas deficiências de construção. E daí ter havido na altura, com a Câmara, com o empreiteiro, algumas conversas, mais duras por vezes, para a questão ser resolvida. Mas está sanado, foi tudo reparado agora. Recebemos uma lista das anomalias existentes e a parte que nos competia a nós fizemos, a Câmara também fez umas e a empresas outras.

MT: Como espera que sejam as relações com a Câmara neste mandato? É uma Câmara PS que sai reforçada desta eleição…

LS: Eu também me considero reforçado nesta eleição, portanto tenho mais legitimidade ainda para trabalhar com eles e sempre colaborámos bem. No dia 1 de outubro liguei logo ao senhor presidente e acabámos por dar os parabéns um ao outro e confirmámos que vai ser uma continuação do trabalho.

MT: Mas manteve uma certa discrição na assembleia municipal no anterior mandato…

LS: Sim… Havia situações em que eu votava favoravelmente, porque eu entendia… Os elementos do PS têm uma pré-reunião antes das assembleias. Eu não tenho. Estou ali, recebo a ordem de trabalhos, vejo, analiso e voto em consciência.

MT: Tem 60 anos e é técnico de farmácia. O que o chama à vida política?

LS: Fiz parte de algumas listas candidatas à freguesia, inclusive fui candidato em 2001 pelo PSD. Fui militante há muitos anos, mas depois acabei com a militância.

A primeira vez que fiz parte de uma lista, fui convidado para fazer parte de uma estrutura do PSD. Na altura sabia que havia uma lacuna muito grande na nossa freguesia, que era um lar de idosos. Naquela altura começámos a falar e convidaram-me para fazer parte da lista e disseram-me “se nós ganharmos faremos um lar para idosos”. Então disse “pronto, eu aceito o desafio” e concorri. A partir dessa altura foi sempre…

Sempre colaborei. O PS ganhou durante 20 anos na minha freguesia e sempre que havia situações para resolver eu estava de acordo com o que se fazia para bem da comunidade. E foi isso que tem levado a darmos continuidade ao nosso grupo de trabalho.

MT: Continua um interessado na política ou desencantou-se nestes quatro anos de exercício?

LS: Eu não sou homem de desistir. Sou persistente e teimoso.

MT: Que mensagem gostaria de deixar aos seus fregueses?

LS: Obrigado pela confiança que nos deram. Nós fomos eleitos para os servir, essa foi a nossa mensagem.

*

Assentis elegeu cinco vogais pelo GIFA e quatro pelo PS para a Assembleia de Freguesia. Votaram 1.584 eleitores dos 2.549 inscritos, 62,14%. As listas do BE e da CDU não conseguiram eleger qualquer vogal, apesar de ainda terem acumulado 109 e 74 votos respetivamente.

Com 32,82 km² de área e 2 921 habitantes (Census de 2011), Assentis tem uma densidade populacional é 89,0 hab/km². Na freguesia situam-se as localidades de: Alvorão, Assentis, Beselga de Baixo, Beselga de Cima, Carvalhal do Pombo, Casais de Igreja, Casal da Fonte, Casal das Pimenteiras, Charruada, Fungalvaz, Moreiras Grandes, Moreiras Pequenas, Outeiro Grande, Outeiro Pequeno, Vales de Baixo e Vales de Cima.

Diz a lenda que nesta freguesia houve uma carnificina de cristãos às mãos dos romanos.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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