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Quinta-feira, Julho 29, 2021

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Torres Novas | Nova direção quer recuperar atratividade das piscinas de Alcorochel

No final dos anos 90, a Associação Desportiva, Recreativa, Ambiental e Cultural de Alcorochel, com o apoio da população local e da junta de freguesia de Alcorochel, aproveitou os fundos comunitários para construir na localidade uma estrutura balnear, com piscinas, bar, ringue desportivo e respetivos balneários. A iniciativa foi um sucesso, oferecendo ao concelho de Torres Novas o primeiro equipamento do género ao ar livre. Duas décadas passadas e várias comissões depois, a estrutura encontrava-se em franca degradação, até que no primeiro semestre do ano um conjunto de alterações de direção e a chegada de apoios camarários veio alterar as perspetivas de futuro do espaço. Abre a 24 de junho, dia de São João, com porco no espeto e um espaço completamente requalificado.

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Apesar de existirem várias indicações na aldeia de Alcorochel sobre a existência e localização das piscinas, o facto é que passamos pelo edifício sem nos apercebermos da sua existência, semelhante em aspeto a uma das várias quintas e herdades que existem nesta zona do concelho. É a primeira observação que fazemos a Francisco Fazenda, atual presidente da Associação Desportiva, Recreativa, Ambiental e Cultural de Alcorochel, quando encontramos o sítio, já uns quantos desvios depois. Falta informação no local a informar o viajante desconhecido que chegou ao destino, necessidade que o próprio reconhece e indica ser uma das discussões desta nova direção.

Espaço balnear possui também um bar, balneários e um ringue desportivo. Foto: mediotejo.net

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Aberto o portão, entramos para um espaço amplo e verdejante que faz lembrar uma daquelas quintas características, destinadas a casamentos e festas. A relva, alerta Francisco Fazenda, foi colocada há poucos dias. O espaço estava em terra batida e optou-se por esta solução para dar condições adequadas aos veranistas. Esse foi o primeiro de um conjunto de mudanças que vai permitir dar uma nova vida às piscinas de Alcorochel, procurando-se que recupere o fulgor e atratividade dos seus primeiros tempos.

Mas o que se está a passar com o espaço? O primeiro episódio desta história remonta à reunião camarária de 6 de junho, onde foi aprovado um apoio à associação, de 15 mil euros, destinado à manutenção das piscinas para esta época balnear. “Fiquei super desiludido com o que vi. Muito abandonadas, a precisar de uma intervenção rápida”, referiu na ocasião o presidente, Pedro Ferreira. A vereadora Ana Filipa Rodrigues (CDU) questionou o presidente sobre o porquê de se atribuir agora este subsídio, quando não foi prestado à anterior direção da associação, apesar do ofício enviado. Pedro Ferreira afirmaria desconhecer tal ofício.

Piscinas precisam ainda de ser limpas antes da abertura da época balnear. Apoio do município foi de 15 mil euros. Foto: mediotejo.net

Para Francisco Fazenda a história começa porém há 20 anos, quando se começaram a empreender esforços para criar o espaço. Envolvido na altura com o projeto, acompanhou o seu crescimento ao longo de alguns anos, acabando por se distanciar. Segundo narra ao mediotejo.net, a sua reentrada na associação deu-se no decorrer dos acontecimentos que marcaram os últimos seis meses da aldeia.

“A última comissão que aqui esteve tratou os dois salões e o parque de forma danosa”, argumenta. Em fevereiro, após um conjunto de mulheres que praticava aulas de ginástica ter sido impedida de usar um dos espaços, convocou-se uma assembleia geral. “Acabaram por ser destituídos” os elementos diretivos, narra Francisco Fazendo, entrando uma direção provisória, a qual integrou, oficializada apenas em maio.

O responsável aponta uma série de problemas e dívidas deixadas pela anterior comissão, mas destaca sobretudo a degradação das condições das piscinas. Em cerca de um mês a nova equipa tem procurado assim recuperar toda a estrutura, pedindo apoios à Câmara Municipal e realizando um conjunto de investimentos para que as piscinas possam abrir a 24 de junho com condições melhoradas, um bar a funcionar em pleno, com ementa de petiscos, e um ringue com um plano desportivo.

Francisco Fazenda esteve envolvido há 20 anos na construção das piscinas e procura agora recuperar a atratividade do espaço. Foto: mediotejo.net

O objetivo, salienta, é ampliar o tempo de utilização do espaço para além dos meses de verão, alugando-o também para eventos e tornando-o rentável. Há ainda a perspetiva de realizar sessões temáticas que permitam dar vida à estrutura para além das 19 horas, horário de encerramento da piscina.

Vontade de trabalhar e recuperar este projeto há muita, assim como a consciência que é necessário fazer contas e assumir responsabilidades. Os dados dos últimos anos apontam para um lucro da exploração do espaço na ordem dos 6 mil euros por mês, mas a nova direção quer ultrapassar este valor e tornar o equipamento mais sustentável. Recuperar os sócios da associação, recuperar cotas, criar condições para fazer finalmente um furo de água que permita manter de forma mais económica a piscina (há duas, uma para crianças e uma grande que leva 170 mil litros de água).”Isto tem capacidades enormes”, frisa outro membro da nova direção, Aníbal Costa.

A associação tem ainda um plano que inclui realizar as Festas tradicionais de julho, a Festa da Água Pé, sessões de Fado e a passagem de ano, equacionando-se a possibilidade do espaço das piscinas poder integrar algum destes eventos, avança Francisco Fazendo. Quem quiser alugar o espaço para casamento ou outros eventos, este também se encontra disponível.

“Agora está na moda dizer: fazer as coisas com paixão”, comenta Francisco Fazenda, mas este é realmente o espírito que se está a viver entre a população que se envolveu no projeto, tentando-se captar os mais jovens para que possam ser eles a prosseguir com a associações, os seus salões e piscinas. “As pessoas que estão a intervir estão a fazê-lo com amor”, frisa, “tenho a certeza que fará sucesso”.

Mas, para já, ainda há muito a fazer até dia 24. O Bar existente foi limpo e colocado todo um tapete novo de relva em torno das piscinas. Os chuveiros antigos foram retirados e serão instalados equipamentos novos. Falta ainda todo um trabalho de limpeza das piscinas, jardinagem, vedação e recuperação de algumas estruturas e instalação de um novo toldo sobre a esplanada que vai manter esta comissão ocupada nos próximos dias.

“Queremos rentabilizar o espaço. Não queremos explorar ninguém, colocar preços caros. Queremos que as pessoas venham”, sublinha o presidente. O preçário de entrada ainda não está definido, querendo a nova comissão repensar os preços praticados e encontrar outras soluções. Haverá possivelmente, adianta o responsável, a possibilidade de dar emprego a uma pessoa durante o verão.

“Estou convencido que as pessoas vinham (nos últimos anos) porque não havia mais nada”, remata Francisco Fazenda. Agora é ir à luta e procurar fazer renascer um espaço único no concelho de Torres Novas. Dia 24 há porco no espeto e muito animação.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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