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Sábado, Outubro 23, 2021

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Torres Novas | Na Feira de Frutos Secos venceu-se o descrédito e procura-se o mercado global (c/vídeo)

Tâmaras, cajus caramelizados, figo da índia? Há 33 anos, quando a Feira Nacional de Frutos Secos de Torres Novas foi criada, o âmbito do certame era mais pequeno e o figo torrejano entrava numa crise aparentemente inultrapassável, com o consecutivo abandono dos figueirais. Em 2018 vive-se um curioso momento de retrocesso: as correntes de alimentação saudável deram novamente impulso ao figo e o certame, acompanhando a evolução global, torna-se cada vez mais internacional, com mais diversidade na oferta de frutos secos. O velho projeto da “Denominação de Origem” do figo preto de Torres Novas ganha novos argumentos para voltar à luta.

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Houve anos em que a Feira dos Frutos Secos foi transferida para o Palácio dos Desportos, mas, como comentamos no decorrer da visita ao certame, não era bem a mesma coisa. Em pleno centro histórico torrejano, na Praça 5 de outubro, o evento é mais tradicional e ganha outra cor, como de resto parece ter acabado por concluir o município, alargando o evento à Praça dos Claras. O espaço ficou este ano mais fluído, com a emissão da RTP no sábado, dia 29, a decorrer junto ao Castelo.

Os cerca de 80 expositores presentes não representam um aumento de oferta em relação ao ano passado, mas o evento tem-se pautado por uma aposta na ampliação da diversidade de frutos secos, com um cunho cada vez mais internacional. Disso é exemplo Zahir, vendedor de Marrocos que repete a experiência no certame, vendendo frutos secos caramelizados de sua confeção e todo um conjunto de produtos internacionais. Apesar do responsável comentar que o dia está calmo, a sua banca é um ponto frequente de paragem dos visitantes.

“Nunca vi tantas condições reunidas como agora” para obter Denominação de ORIGEM do figo preto

Pedro Ferreira

Projetos começam a surgir e Câmara de Torres Novas quer apoiar Foto: mediotejo.net 

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Soube deste evento pela internet”, explica ao mediotejo.net, tendo decidido apostar na presença como forma de arranjar mais clientes. Apesar de em 2017 a experiência ter sido mediana, decidiu regressar. “Vale a pena”, garante, explicando que no fim de semana vem muita gente ao certame. “Vou continuar a vir”, assume, adiantando que vende sobretudo tâmaras e as misturas de frutos secos, assim como o produto caramelizado.

Um pouco mais à frente encontramos a banca do Agrupamento de Produtores de Figo da Índia do Ribatejo, um produto que se afirma agora no mercado mas, como explicou Alexandre Louro ao jornal, já tem 10 anos de cultura em Portugal. Alexandre começou há cinco anos, após ter decidido apostar no produto, cuja plantação não é muito exigente e possui robustez. O investimento tem porém as suas dificuldades, admite. “É um produto novo, as pessoas não conhecem e vai levar tempo a entrar” nos hábitos de consumo.

Este é um grupo informal que agrega cerca de uma dezena de pomares de figo da índia na região. Alexandre Louro possui um pomar em Alcanena e admite que a presença na Feira de Frutos Secos é sobretudo para divulgação e consolidação. No decorrer da entrevista, são várias as pessoas que passam e olham para a planta (uma espécie de cacto) com curiosidade ou pedem para provar o fruto. “É rico em vitaminas, em anti-oxidantes. É ideal para diabéticos”, explica Alexandre Louro.

Figo da índia é plantado na região e está a ganhar espaço na Feira de Frutos Secos Foto: mediotejo.net

Tâmaras, cajus e outros frutos secos internacionais ganham o seu espaço nesta Feira, respondendo ao crescente consumo Foto: mediotejo.net

A par dos frutos secos há bancas de artesanato, doçaria, entre outros produtos de culinária e uso doméstico Foto: mediotejo.net

O figo da índia encontra-se há muito na zona mediterrânica, sendo bastante consumido no norte de África, explica. Tradicionalmente era um produto que servia de alimento para os animais, mas tem sido introduzido na alimentação humana. Segundo Alexandre Louro, os produtores locais escoam o fruto localmente e a operadores para exportação.

A aposta na diversidade dentro da temática do figo e dos frutos secos tem sido uma das vertentes da organização do certame, atualmente a cargo da Câmara de Torres Novas, conforme explica ao mediotejo.net o técnico municipal responsável pela organização dos expositores da Feira, António Ferreira. “Isto é um mercado aberto, há espaço para estes frutos secos”, comentou o responsável, salientando as potencialidades de um mercado cada vez mais global.

Mas há outras ambições, admite o responsável. Fazer uma recriação histórica das raízes do evento, numa terra que ainda preserva bastante a memória dos tempos áureos da produção de figo, é uma das ideias para potenciar o certame nos próximos anos, explorando assim um património cultural e emocional.

À entrada da Feira, na Praça 5 de outubro, grupos de ação local de cinco países europeus confecionam e expõem os seus produtos regionais Foto: mediotejo.net

Este ano o certame conta ainda com a presença de expositores de produtos de Espanha, Finlândia, Croácia, Chipre e Estónia, “grupos de ação local” ao abrigo de um protocolo com a ADIRN – Associação para o desenvolvimento integrado do Ribatejo Norte. “É uma ligação interessante porque acabamos por trocar experiências com estes produtores e criam-se ligações com estas comunidades, que podem gerar oportunidade de negócio”, constatou António Ferreira. Estes grupos de ação local, adiantou, podem ainda acabar por criar canais de exportação do figo torrejano.

“Nunca vi tantas condições reunidas como agora”, confessou ao mediotejo.net o presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira (PS), sobre o processo de certificação de “Denominação de Origem” do figo preto de Torres Novas. A segunda candidatura entrou no Ministério da Agricultura há cerca de quatro anos, recordou, tendo sido o presidente abordado recentemente por uma técnica responsável pelo processo, no âmbito do Dia Aberto da GoFigo (projeto de recuperação de figueira e produção de figo em Torres Novas).

Pedro Ferreira admitiu que gostaria que a denominação surgisse “antes da próxima feira”, mas salientou que o projeto ainda tem que ir a Bruxelas. Esta denominação, explicou, vai permitir aumentar o potencial de venda do figo preto a nível internacional.

Sobre o alargamento da Feira de Frutos Secos, em espaço e tempo, o autarca reconheceu que a aposta “surge com alguma consistência por causa do sucesso das feiras anteriores”. “Nos últimos quatro anos apostamos de uma forma mais agressiva e tem resultado”, com o surgimento de novos pequenos empresários a querer participar no certame.

Foi assim necessário aumentar o espaço, com a parte da restauração e animação a ser transferida para a Praça dos Claras. “Acaba por dar uma vida ao centro histórico muito interessante”, admitiu, uma “experiência arriscada” mas que “parece que está a ter êxito”, com o certame a receber grande afluência de público.

Figo seco está na moda e o entusiasmo cresce pela sua promoção Foto: mediotejo.net

Frutos Secos mais típicos do norte de África têm entrado no certame Foto: mediotejo.net

“O que pedem à Câmara é caminhos, caminhos de sucesso, de comercialização”, constatou, razão pela qual o município já se encontra a procurar algumas soluções que possam ajudar ao projeto da GoFigo. A título de exemplo, avançou que o antigo lagar de Árgea pode eventualmente servir de futuras instalações e que o orçamento de 2018 já vai ter uma componente que possa ajudar a alavancar a GoFigo.

“Queremos apostar”, frisou, na medida em que vão surgindo pessoas com vontade de desenvolver projetos.

Feira Nacional de Frutos Secos. Presidente Pedro Ferreira

Publicado por mediotejo.net em Sábado, 29 de Setembro de 2018

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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