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Sexta-feira, Maio 14, 2021

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Torres Novas | Mortes suspeitas em lar de Riachos levam a ação das autoridades (C/ÁUDIO)

A morte de duas idosas numa casa de acolhimento ilegal em Riachos, no concelho de Torres Novas, está a ser investigada pela Polícia Judiciária (PJ) de Leiria, para averiguar se existiu crime. O coordenador do Departamento de Investigação Criminal da PJ de Leiria, Fernando Jordão, disse hoje à Lusa que, desde quarta-feira, estão a ser realizadas diligências e a ser ouvidas pessoas para se apurar se a morte das duas idosas, de 92 e 90 anos, decorreu de alguma conduta criminosa.

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A Câmara Municipal de Torres Novas identificou na quarta-feira, 3 de março, no bairro Sópovo, em Riachos, uma casa de acolhimento desconhecida, que albergava quatro idosas no seu interior. O caso foi detetado após notificação de uma morte na terça-feira, 2 de março, que à chegada ao local das autoridades mostrava indícios de já ter ocorrido há mais tempo que o referido pelos proprietários. Entretanto, na quarta-feira morreu outra idosa, o que chamou a atenção das autoridades, que estão a investigar a situação, incluindo a PJ.

As duas idosas sobreviventes passaram a noite em observação no Hospital de Torres Novas, aguardando agora colocação em casas de familiares ou numa estrutura referenciada pela Segurança Social.

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Sublinhando a sua surpresa com a existência desta habitação, num prédio de apartamentos, situado junto a um bairro da vila de Riachos, sem as condições mínimas para funcionar como casa de acolhimento, o presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira, disse aguardar pelos relatórios da PJ, da Segurança Social e da Autoridade de Saúde Local para esclarecer o que de facto se passou.

A primeira idosa terá morrido na terça-feira e a outra na quarta-feira, dia em que foi feita uma chamada para o 112. No acompanhamento que é feito aos elementos dos bombeiros chamados para recolher os cadáveres, a GNR entendeu estar perante uma situação anómala, tendo a investigação sido entregue à PJ de Leiria, referiu.

Pedro Ferreira afirmou que a principal preocupação da delegada de saúde foi com as duas idosas, na casa dos 80 anos, transportadas para o hospital de Torres Novas, onde foram avaliadas e lhes foi feito o teste da covid-19, o qual deu resultado negativo.

A ocorrência foi acompanhada pela GNR, Serviço Municipal de Proteção Civil, Saúde Pública, Bombeiros Voluntários Torrejanos e Polícia Judiciária. No local estiveram ainda o presidente da Câmara Municipal, Pedro Ferreira, e da junta de freguesia de Riachos.

Contactado pelo mediotejo.net, Pedro Ferreira explicou que o município tomou conhecimento do caso através da GNR, na reunião diária de quarta-feira com a Comissão Municipal da Proteção Civil. “A GNR tinha sido chamada, através do 112, por causa de um óbito na residência”, esclareceu.

ÁUDIO | PEDRO FERREIRA, PRESIDENTE CM TORRES NOVAS

A casa de acolhimento, localizada no histórico bairro da Sópovo, era desconhecida do município e até da própria população, dando guarida a quatro mulheres idosas. “Ontem à noite [terça-feira] faleceu uma das idosas que lá estava”, referiu o autarca, sendo que a GNR estranhou o estado em que encontrou o cadáver, com indícios de ser uma morte já com algum tempo devido à rigidez do corpo.

O lar não estava regularizado e as autoridades ficaram preocupadas com as condições em que se encontravam as restantes três idosas. “Percebeu-se que havia qualquer coisa que não estava bem em relação ao acompanhamento das quatro pessoas, porque parece que não haveria funcionários…”, adiantou.

Entretanto, já na quarta-feira, faleceu outra das idosa, o que fez espoletar a ação das autoridades e a retirada das duas idosas restantes, que se encontram em observação no hospital de Torres Novas.

“Lamento imenso que ainda hoje, com tantos alertas e com tantas preocupações neste campo das pessoas idosas, que apareçam situações assim, tão irregulares como esta, que passam ao lado”, comentou, constatando o desafio de identificar estas situações.

O alerta para o 112 terá sido dado por um familiar que quis retirar uma das idosas da casa de acolhimento ilegal, encontrando resistência por parte da proprietária, o que acabou por despoletar a situação, disse à Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Riachos.

José Júlio afirmou que a casa se situa num prédio já um pouco afastado do Bairro Sópovo e que estaria em funcionamento, de forma clandestina, sem que os vizinhos se apercebessem, há cerca de três meses.

*C/LUSA

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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2 COMENTÁRIOS

  1. Espoletar (i.e. iniciar) é a palavra correcta.
    Despoletar significa acabar, terminar, desactivar, termo que infelizmente está mais generalizado

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