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Domingo, Outubro 17, 2021

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Torres Novas | Maus cheiros começam a afetar funcionamento do TorreShopping

Sessões de cinema canceladas devido aos maus cheiros nas salas, devoluções de dinheiro dos bilhetes, lojistas frustrados, esplanadas vazias. O TorreShopping começa a ressentir-se com o efeito dos maus cheiros da ribeira da Boa Água, que fica nas traseiras do centro comercial. Naquele que terá sido dos verões mais intensos em termos de mau cheiro para a superfície, pedem-se soluções que resolvam de vez o problema da poluição. Afinal, o que resultou da ida dos torrejanos em protesto à Assembleia da República?

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Já não é de agora que os empresários que laboram em Nicho de Riachos, Torres Novas, se queixam dos efeitos dos maus cheiros provenientes da ribeira da Boa Água sobre o negócio, mas a insatisfação começa a aumentar junto de superfícies de maior dimensão, como o centro comercial TorreShopping e o Pingo Doce. Da parte da empresa do grupo Jerónimo Martins, o mediotejo.net foi informado que esta já contactou inclusive a Divisão de Ambiente da Câmara Municipal de Torres Novas, “de forma a sensibilizar as autoridades competentes para a resolução deste problema”, reconhecendo o “incómodo” que a poluição tem causado a clientes e colaboradores.

No TorreShopping basta perguntar pelos maus cheiros que é fácil encontrar quem de imediato se manifeste insatisfeito com a situação. A poluição não se sente em todo o edifício, ressalva-se, mas sobretudo nas zonas voltadas para a ribeira e nas salas de cinema, derivado às condutas de ventilação. “Quando é que se fecha o TorreShopping e se faz uma manifestação exigindo-se condições de trabalho?”, pergunta de forma retórica um funcionária.

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O mau cheiro é proveniente da ribeira da Boa Água, frisa a responsável do TorreShopping, Joaquina Romão, e não dos esgotos, como algumas pessoas já têm indagado. Nos dias de muito calor, como tem sido recorrente este verão, e quando aparentam ter ocorrido descargas poluentes, os maus cheiros são constantes. “Todas as empresas que aqui estão sentem-se prejudicadas. Tenho os cinemas a reclamarem, porque as condutas de ventilação estão voltadas para a ribeira, e já houve sessões canceladas devido à intensidade do cheiro, com devolução do dinheiro dos bilhetes”, explica Joaquina Romão. Noutras ocasiões, a sessão não foi cancelada, mas houve quem saísse da sala e reclamasse da situação, tendo-lhe também sido devolvido o valor do bilhete.

O TorreShopping não sentiu quebras na afluência (tem cerca de 3 milhões de visitantes por ano), mas sente que a situação tem impedido a superfície de crescer. “Basta ver o facebook do TorreShopping e os comentários ali deixados sobre o mau cheiro”, constata a responsável, prejudicando-se a imagem do espaço e os estudos de mercado. “Somos uma entidade privada de uso público. Sentimos que esta situação que nos é alheia nos afetou diretamente e à nossa imagem. Tive situações de me virem perguntar o que se passava com os esgotos. É preocupante”, constata Joaquina Romão.

Para a responsável, o verão de 2017 foi o “pior de todos” em termos de maus cheiros, numa situação que já dura há cerca de três anos. O centro comercial tem preferido não se envolver na contestação pública, optando por um papel de observador e deixando realizar no seu espaço as atividades de sensibilização contra a poluição, como a recolha de assinaturas promovida pelo movimento Basta. “Conseguiram recolher aqui bastantes assinaturas porque se sente o cheiro”, constata.

Joaquina Romão questiona-se sobre os resultados da petição que foi à Assembleia da República a 19 de julho. “As coisas estão na Assembleia da República e nem assim se resolve”, comenta. “Independentemente de quem seja a culpa, esta situação precisa de ser resolvida”, afirma. “Não percebo como em pleno século XXI isto [a poluição] continua a acontecer.”

A Assembleia da República recomendou a 19 de julho ao Governo que tome medidas em prol da defesa do rio Almonda, mas desde então que não se conhecem mais desenvolvimentos no combate à poluição. Entretanto, o cheiro manteve-se intenso este verão em Nicho de Riachos, não sendo necessário abrir a janela do carro para o sentir. Por ali permanecem alguns resquícios da luta popular e a insatisfação dos que diariamente não têm forma de fugir a uma poluição de que todos negam ser responsáveis, mas cujo cheiro não deixa enganar. O problema existe, e subsiste.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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