Torres Novas: Mário Daniel e a magia que já esgotou o Teatro Virgínia

As agendas culturais deste fim-de-semana têm o espetáculo “Fora do Baralho” marcado para o próximo sábado, dia 30. A noite promete magia, teatro e comédia com Mário Daniel, mas não para todos aqueles que pretendiam assistir porque o último lugar do Teatro Virgínia ficou ocupado muitos dias antes da estreia. Falámos com o mágico para perceber qual é o truque de esgotar salas de espetáculos por todo o país com a arte de iludir.

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A magia faz parte da vida de Mário Daniel desde tenra idade, quando um dos sócios do pai no laboratório de análises clínicas, o senhor Arlindo, fazia “os três truques que sabia”. O aspirante a mago ficava fascinado e pedia-lhe que repetisse “vezes sem conta”. Foi então que a magia do Pai Natal se juntou à magia dos truques e recebeu uma caixa com os seus primeiros adereços.

A história ficaria resolvida se o autor e apresentador do programa “Minutos Mágicos”, líder de audiências na SIC, tivesse decidido na altura o que queria ser, mas não. Seria mais tarde, rente à puberdade, quando um amigo levou para a escola a “Magia Teatral” de Martins de Oliveira, um livro de referência do ilusionismo, editado em 1940. Esse foi, segundo Mário Daniel, “o momento chave”. A partir daí nunca mais parou e o tempo tem provado que a decisão de se tornar mágico a tempo inteiro não era uma ilusão.

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Aos 14 anos estreou-se no “Natal dos Hospitais” na terra natal, Peso da Régua, e aos 18 partiu de lá para o resto do país com os seus espetáculos. Entretanto já tinha informado a mãe da sua escolha, deixando-a “um pouco preocupada”. Para a descansar assegurou que continuaria os estudos e cumpriu a promessa com uma licenciatura em Educação Física. Chegou a ponderar ser tenista, mas a vontade de querer “tornar rentável” aquilo que lhe dava “prazer” venceu e a magia ganhou cunho profissional.

Hoje, com 35 anos, nunca exerceu outra profissão e desdobra-se entre as gravações do programa televisivo “Minutos Mágicos”, os espetáculos para grandes marcas empresariais e o projeto “Fora do Baralho”, cujo formato inovador de levar a magia ao público através de uma peça teatral se tem revelado um sucesso. Sorte? Mário Daniel diz que não e salienta que “a qualidade do nosso trabalho vai ou não abrir os olhos aos espetadores” pois “no mundo artístico não conta só ser bom no que se faz”. É preciso “investir e reinvestir”, conjugando talento e profissionalismo e aliando as forças dos outros às nossas fraquezas.

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O sucesso dos últimos anos é encarado “de forma muito natural, as coisas vão crescendo degrau a degrau”. Algures na escadaria estão seis anos de “Minutos Mágicos”, recentemente vendida para a Discovery Communications, Inc. (Los Angeles) e um pouco mais acima encontramos quatro anos de espetáculos “Fora do Baralho” esgotados. Algures por aí surgem as participações em eventos da Nestlé, Vodafone, Galp, IBM, Bial, Nokia, Sonae, Playstation e até no Palácio de Belém para o Presidente da República, entre outros.

Não será mesmo sorte? O mágico justifica o facto das coisas irem acontecendo conforme imaginou com uma frase de um dos pais fundadores da América, Thomas Jefferson, “quanto mais duro eu trabalho, mais sorte eu tenho”.

A peça teatral que amanhã estreia no Teatro Virgínia, diz, envolve a dedicação de uma equipa que destaca e é “se calhar, o projeto mais ambicioso que eu tenho”. A lotações esgotadas por todo o país não são consequência direta da visibilidade que a televisão lhe confere pois “os espetáculos falam por si” e o público, que em muitos casos é reincidente, é o melhor embaixador.

Um dos principais ingredientes da peça sobre o mágico que tenta criar o próximo espetáculo no seu atelier é a paixão “movida pelo cérebro”, outro são as piadas “constantemente atualizadas” sobre o contexto atual. Segundo Mário Daniel “não é magia avulso, está tudo cozinhado numa história” à qual não falta uma mensagem moral.

Essa moralidade transparece na resposta do mágico quando lhe perguntamos o que gostaria de fazer desaparecer em Portugal, “a corrupção”, acrescentando que “parecemos um país de terceiro mundo em muita coisa”. Tem consciência de que a vida lhe tem corrido bem, ao contrário de “muitas pessoas e famílias” prejudicadas pelos efeitos da má conduta de quem está no topo.

A postura confirma quando nos assegura que no palco é igual a si próprio e que não se considera “um mágico da pose”. Não tem cartola, nem usa varinha mágica. O principal adereço de Mário Daniel é o entusiasmo com que fala da arte que nos faz querer ser iludidos, ou seja, a verdadeira magia está em fazer o público sonhar acordado.

Segundo o mágico “vivemos num mundo que tem regras físicas, mas se imaginarmos que as regras podem não existir por um momento é bonito”. Amanhã será um desses momentos.

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